Na tentativa de barrar a CPI da Energia, base do governo abre fogo e lança enxurrada de CPI – Jornal A Gazeta

Na tentativa de barrar a CPI da Energia, base do governo abre fogo e lança enxurrada de CPI

Após uma reunião na Casa Azulada, sem a presença do líder do governo, Gehlen Diniz (PP), com o vice-governador Major Rocha (PSDB) e articuladores do governo, os parlamentares da base governista decidiram por aceitar o pedido de instalação da CPI da Energia no retorno à Aleac na manhã de ontem, 16.

Pelo menos outros sete pedidos de CPIs foram protocolados e aceitos pela Mesa Diretora da Aleac, presidida pelo deputado Nicolau Júnior (PP), que garantiu celeridade na publicação dos requerimentos no Diário Oficial da Aleac.

“Vai ser publicada. A Casa já está trabalhando nisso. Serão publicados todos os requerimentos. Vai gerar um custo pra Casa também, isso tem que ser analisado. Mas, todos vão ter a validade de montar junto com os membros de cada bloco de cada partido”, reforçou o presidente do Legislativo acreano.

Com uma última carta na manga, os parlamentares da base se valeram do Regimento da Aleac que destaca que não se pode ter mais de três CPIs em andamento na Casa Legislativa. A ideia é colocar outros pedidos na frente da CPI da Energia e assim retardar sua instalação.

Nesse sentido, o deputado Roberto Duarte (MDB) disse que o governo tem buscado saída para barrar as investigações. E lamenta que a Casa Azulada interfira no trabalho parlamentar.

“Eu fiquei muito surpreso. Mais uma fórmula que o governo encontrou para trancar essa investigação das contas de energia do Estado do Acre. Eu não sei qual o motivo que o governo é contra. Ele diz que não. Mas, todas as atitudes são contrárias a essa CPI”, destacou Duarte.

Contrapondo a fala de Roberto Duarte, o deputado Luís Tchê (PDT) confessou que a reunião com Rocha foi realmente para buscar uma saída a respeito da CPI da Energia. A ideia é instalar e ter o maior número de deputados atuando dentro da Comissão, podendo pleitear a presidência e a relatoria.

“Eu não ouvi do governador Gladson Cameli que ele é contra a CPI. Eu não ouvi. Eu participei de uma reunião da base com o governador em exercício, o Rocha. Tomamos um café juntos e montamos uma estratégia nessa questão da CPI. O nosso regimento precisa ser ajustado, na Constituição diz uma coisa no regimento diz outra. Acho que precisa ajustar isso. Vamos montar estratégia para ter o maior número de parlamentares na CPI. Isso é do parlamento”, diz o deputado pedetista.

Se instalada, dos sete membros apenas dois serão da oposição: PT (1), PCdoB (1); MDB tem 1 vaga, que certamente será ocupada por Roberto Duarte. A base de governo detém as outras quatro vagas, maioria suficiente para escolher presidente e relatoria. O Partido Progressista, de Gladson Cameli, tem 1 vaga, o bloco formado por Solidariedade, PHS e PSL tem 1 vaga e o bloco PSDB/DEM também dispõe de 1 vaga.

CPIs que devem ser instaladas juntas com a CPI da Energia

  • CPI para investigar o arrendamento da Juruá, Patrimônio, dados contábeis e financeiros, proposta pelo deputado Luís Tchê (PDT);
  • CPI para investigar atos de improbidade administrativa no Detran/AC, proposta pelo deputado Cadmiel Bonfim (PSDB);
  • CPI para investigar atos de improbidade administrativa no Hospital de Urgência e Emergência (Huerb), proposta pelo deputado Luís Tchê (PDT);
  • CPI para investigar atos de improbidade na Fábrica de pisos de Xapuri, proposta pelo deputado Luís Tchê (PDT);
  • CPI para investigar atos do Pró-Saúde, proposta pelo deputado Neném Almeida;
  • CPI para investigar empréstimos consignados dos servidores públicos com financeiras, proposta pelo deputado Luiz Gonzaga (PSDB).
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