Não precisava do espetáculo – Jornal A Gazeta

Não precisava do espetáculo

O espaço hoje se abre para comentar a respeito de um tema que tem sido exaustivamente debatido nas últimas semanas: a reforma da Previdência estadual. O tema é complexo, difícil. Muitos trabalhadores não têm conhecimento daquilo que foi aprovado pela Assembleia Legislativa. Faltou publicidade em torno da reforma antes da sua aprovação na Aleac. O que cada ponto dizia, que saiu.

Uma vez aprovada, cabe ao governo investir em peças publicitárias no impresso, online, rádios, TVs, outdoors apresentando aos servidores os pontos da reforma. Tempo de serviço e idade para se aposentar, quem vai ser afetado, começa a partir de quando e por aí vai. Não cabe mais ao governador ficar dizendo que “jogar ovos em policiais militares é uma falta de respeito”. Faz parte. Até os policiais compreendem o momento. Ninguém quer perder. Embora que lá na frente vai se ganhar.

Não se discute que votar a reforma era necessária. Foram tirados os pontos considerados “administrativos”, que nada tinham a ver com a previdência como a sexta parte, a licença prêmio, o auxílio funeral, a Lei Naluh. Não se pode deixar de dizer que esses pontos foram tirados pelo governo, não foi. Partiu da observação minuciosa dos deputados de oposição e pela pressão dos trabalhadores, o governo teve que recuar e chegar ao entendimento, o que é salutar para o processo.

A reforma da Previdência estadual caminhava para uma votação tranquila, sem atropelos, sem truculência, sem o uso da força. Mas, a votação da matéria se deu de forma bárbara, grotesca. O que fizeram com os trabalhadores no dia da votação foi um ato que ficará na história do Acre. E como mencionei ontem, só não houve um confronto graças ao comandante que estava coordenando os trabalhos. Pude vê-lo atuando e percebi sua serenidade, o diálogo e a temperança em manter a tropa perfilada para cumprir a missão, mas evitar o confronto era o caminho.

Feito essas considerações, volto a me ater ao processo de votação. O presidente da Assembleia, deputado Nicolau Júnior (Progressistas), foi de uma ingenuidade sem tamanho. Não precisava de grades no hall de entrada. Faltou diálogo, faltou um líder, não me refiro ao líder do governo, mas um líder para mediar o diálogo com os trabalhadores. A presença da Polícia Militar poderia sim estar no local. O hall da Assembleia livre, apenas os militares em um cordão de isolamento nas laterais do prédio pra evitar danificar vidros e etc… E para a Galeria Marina Silva liberava-se o quantitativo de 100 pessoas escolhidas pelos sindicatos. Quiseram votar no afogado, sem combinar. O resultado foi desastroso, danoso politicamente.

Toda vez que uma mãe servidora, professora, ou um servidor da Saúde, com mais de 30 anos de serviços prestados ao Estado, for sacar sua aposentadoria, vão lembrar deste episódio. A ferida pode sarar, mas ficará a cicatriz. Não tenha dúvida.

 

(*) José Pinheiro é jornalista graduado pela Universidade Federal do Acre (Ufac) em Comunicação Social/Jornalismo e atua na imprensa acreana desde 2012.

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