Novidades culturais – Jornal A Gazeta

Novidades culturais

Com o advento dos aplicativos instantâneos de comunicação de massa, afloram a cada minuto, “novidades culturais”, ou bizarramente “novas”, que colaboram para aniquilar o pouco que resta, atualmente, de integridade moral, entre os homens, notadamente no campo dos “bons costumes”. À luz dessas novidades culturais, o Brasil, entre outras nações, atualmente vive uma digressão “dos bons costumes”. A meu ver sem solução, pelo menos é o que deixa transparecer a maioria dos segmentos sociais.

Nesse universo de novidades culturais, desculpem a redundância, crianças e jovens, são as mais afetadas. Vivo repetindo, daqui deste espaço, ano após ano, que qualquer pessoa, com um mínimo de bom senso, pode constatar que as nossas crianças são um portal para as mais cruéis maquinações do mundo do crime. Hoje, as casas de “recuperação”, estão repletas de crianças, adolescentes e jovens, que inegavelmente cometeram delitos hediondos e que já experimentam no inicio da vida, a mais vil degradação humana.  Como é possível, nos auto-argüimos, que uma criança, com um caráter em formação, seja capaz de crimes tão perversos?

Assim, diante dessa avalanche de novidades culturais, faremos bem em desconfiar já que são “verdades” que mudam de roupa com freqüência, mas debaixo dos panos continuam sempre as mesmas, já dizia nos anos 60 o falecido padre Pedro da escola Salesiana Domingos Sávio de Manaus. Mesmo porque, no campo da moral não devemos esperar inovações surpreendentes. Por que?

Porque, uma distinção do progresso ou ascensão da moral manifesta-se como um processo dialético de negação e de conservação de elementos morais anteriores. Assim, diz Adolfo Sanches, a vingança de sangue, que constitui uma forma de justiça dos povos primitivos, cessa de ter valor moral nas sociedades posteriores; o egoísmo característico das relações morais burguesas é abandonado por uma moral coletivista socialista. Por outro lado, valores morais admitidos ao longo de séculos, como: a solidariedade, a amizade, a lealdade, a honradez, e outros, adquirem certa universalidade e deixam, portanto, de pertencer exclusivamente a uma moral particular.

Este é o objetivo que toda sociedade deve perseguir, para que tenha vida sadia, pois  progresso moral se mede, principalmente, pela ampliação da esfera moral na vida social. Essa ampliação se revela ao serem reguladas oralmente relações entre indivíduos que antes se regiam por normas externas, como as do direito, do costume, entre outras. O progresso moral se determina, ainda, pela elevação do caráter consciente e livre do comportamento dos indivíduos ou dos grupos sociais.

Ademais, a moralidade começa com associação, interdependência e organização em que todos dão sua contribuição cooperativa. O homem, ou qualquer homem e mulher, destituído de moral é um caos interior, com reflexos terríveis aqui fora. Então, vida em sociedade requer a concessão de uma parte da soberania do indivíduo à ordem comum, pois a regra de conduta acaba tornando o bem-estar do grupo.  É elementar, diria o caro Watson (Sherlock Holmes). É, igualmente, atemporal!

Resultado drástico, não pela ausência de leis severas, pois que aí estão até rigorosas demais. Mas, principalmente pelo afrouxamento da moral advinda da igreja, da família e da escola, que tinham um código moral unificador e que davam à conduta humana a maioria das regras do jogo da vida.  Graças à iniciação, imitação ou instrução, transmitida pela igreja, pelos pais e pelos professores, a herança mental de grupo ou comunidades passou de geração a geração e chegou até nós, como instrumento que elevou o homem acima da pura animalidade.

 

*HUMANISTA. E-mail:[email protected]

 

 

 

 

“O homem, ou qualquer homem e mulher, destituído de moral é um caos interior, com reflexos terríveis aqui fora”

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