O Cacimbão é nosso! – Jornal A Gazeta

O Cacimbão é nosso!

Tenho pensado muito sobre a importância de exercitarmos a generosidade do olhar. Não é uma tarefa fácil, pois, diariamente, ao abrirmos jornais e sites, somos bombardeados por dezenas e dezenas de tragédias. Notícias tão terríveis que podem levar o espírito, mesmo o mais otimista, a perder a fé na humanidade.

Como político, e também como cidadão e pai de família, não posso fechar os olhos para as injustiças sociais nem tampouco para as diferentes formas de violência – sejam elas cometidas em nosso Estado, no Brasil ou no mundo. Mas penso que é necessário, sobretudo para lutar por uma vida melhor para todos e todas, saber enxergar também a beleza. Essa beleza que vejo na simplicidade e na força de mulheres e homens que encontro em minhas viagens pelo interior do Acre e em visitas aos bairros da capital. Ou, ainda, em iniciativas que dão vida a espaços públicos, fazendo com que sejam ocupados por adultos, jovens, crianças.

Tenho sentido, por exemplo, imensa alegria ao ver o Cacimbão da Capoeira, lugar que pulsa na memória e no coração de moradores da capital acreana, servir de palco para apresentações de música, teatro, poesia, dança. Acho que isso mostra não apenas o compromisso que a Prefeitura de Rio Branco tem com a cultura, mas também o respeito com a coisa pública: afinal, o Cacimbão é um importante patrimônio histórico da cidade!

Ele foi fundado por Hugo Carneiro em 1927 e por 30 anos era a única fonte de abastecimento das famílias de Rio Branco. Mas as histórias do lugar são mais antigas, como provam as lembranças de moradores do bairro Capoeira reunidas no livro “Vertentes da Memória”, organizado pelos historiadores Mauricélia Sousa e Marcos Vinicius Neves. Este livro, aliás, foi lançado em 2012, no mesmo ano em que tive a alegria de, como prefeito, entregar à comunidade local o Cacimbão da Capoeira totalmente revitalizado e ampliado.

Naquela época, recuperamos toda a Cacimba, substituímos o antigo piso de madeira por tijolos maciços; as escadas viraram rampas, as paredes ganharam lindos painéis assinados por Babi Franca e o espaço foi ampliado com a compra de um terreno ao lado, o que permitiu que o lugar ficasse ainda mais bonito!

Além disso, construímos também um mirante e um quiosque – onde passou a funcionar o Tacacá da Tânia.

No final de 2015, já como deputado federal, e ciente de que não adianta ter um belo lugar se ele estiver vazio de gente, resolvi destinar, para o exercício de 2016, parte dos recursos de minhas emendas parlamentares ao apoio de atividades culturais realizadas no Cacimbão.

Por quê? Ora, porque é muito bonito ver o Cacimbão, antiga fonte de água, tomado por nossa gente e transbordando arte!

Porque o Cacimbão faz parte da nossa história. É um espaço de todas as gerações da nossa Rio Branco e espaço público tem que ter vida e é isso que precisamos fazer: ocupá-lo. Levar nossas famílias, a crianças, os idosos, a juventude.

É assim que sempre sonhei em ver o Cacimbão da Capoeira. Com pessoas se encontrando, pulsando vida, um lugar para partilha de vivências e as boas coisas da vida.

O Cacimbão é meu, é seu, é nosso!!

*Raimundo Angelim é economista, professor da Universidade Federal do Acre e deputado federal pelo Estado do Acre.

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