O mínimo possível – Jornal A Gazeta

O mínimo possível

A Proposta de Emenda à Constituição nº 61/2013 apresentada pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT/SP), a PEC dos Soldados da Borracha, e aprovada pelos senadores essa semana significou em perdas para uma categoria que esperou há anos o seu reconhecimento. Mostrou também a força do Executivo para com o Legislativo, em assuntos relevantes para o país.

Para situar o leitor essa história de conceder indenização aos Soldados da Borracha começou lá atrás, em 2002, com a então deputada federal do Amazonas, e hoje senadora, Vanezza Grazziotin (PCdoB/AM). A proposta da parlamentar era de equipará os Soldados da Borracha aos mesmos pisos salariais dos ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial. Entretanto de lá para cá essa proposta foi sendo violada.

Foram 11 anos de espera e o que se teve como ganho foram apenas os R$ 25 mil. Diga-se de passagem muito pouco para quem fez muito pela pátria. Com R$ 25 mil não se dar para quase nada. Não dar para comprar sequer um imóvel em um bairro periférico das cidades brasileiras (cito isso porque sei que a maio-ria desses senhores moram com filhos e netos em pequenas casas, em muitos casos alugados).

Aqui é bom ressaltar o esforço, o empenho da deputada federal Perpétua Almeida. Assim que Grazziotin seguiu para o Senado, ela tomou a causa para si e desde lá travou uma luta solitária. Quem não se lembra de quantas sessões a matéria entrou em pauta e não teve sucesso por falta de quórum? Então, eu diria que se há mérito esse mérito deve ser creditado a ela.

O que ocorreu no Senado foi uma opressão de parlamentares da base do governo sobre a proposta do senador Aníbal Diniz (PT/AC). A proposta de elevar o salário dos Soldados da Borracha para R$ 3.789, ou seja, aos mesmos rendimentos pagos ao posto de 1º sargento das Forças Armadas foi vetada pela senadora Gleissi Hoffman (PT/PR).

Gleissi Hoffman propôs a supressão do artigo da proposta de Aníbal de elevar os rendimentos para R$ 3.789. A proposta dela foi aceita pelos senadores da Comissão. Poucos foram contrários a inciativa da senadora paranaense.

Só a título de informação, o senador Sergio Petecão (PSD/AC) não votou contra a PEC dos Soldados da Borracha. Não aconteceu isso. Ele votou contra a retirada do artigo do senador Aníbal Diniz sugerido por Hoffman. Era o que todos deveriam ter feito. Mas para agradar o Governo, foi repassada a ideia de que o texto voltaria à Câmara e o melhor era aceitar os R$ 25 mil.

Agora, o mínimo, que deve ser feito é votar logo no plenário e acabar com essa novela antes que apareçam mais “pais” para a causa.

* José Pinheiro é  jornalista.
E-mail: jsp30acre@gmail.com

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