O NOME DA SERPENTE – Jornal A Gazeta

O NOME DA SERPENTE

Eis que a novidade se apresenta. Entra pelos olhos, pelos ouvidos, pelos poros. Percorre todas as vias internas, contagia as células.

Então emerge o mal-estar. Uma sensação que parece ficar flutuando na semiconsciência, nauseante. E o desejo de não pensar mais no ocorrido.

Mas a lembrança retorna à mente. Envolta em raiva: o ressentimento de que aquilo tenha acontecido. Porque incomoda. Na verdade, raspa em algo muito suscetível que está dentro: um desejo, um sonho, uma cobiça, um anseio. E fere.

Como fere aquela específica felicidade do outro quando a mesma expectativa em nós se encontra irrealizada! E talvez estivesse esquecida. Mas foi despertada pelo evento. Ou não, esteve todo o tempo ali, latejando insatisfação.

É a serpente da inveja.

Demonizada pela maior parte das pessoas, como se não fizesse parte da experiência humana. Temida e negada quase sempre, por projetar, no âmbito das crenças do ilusório senso comum, o seu portador a um patamar de inferioridade moral.

É assim incompreendida que a inveja se perpetua. Se as valiosas informações que traz a bordo são rejeitadas, sua virulência – crescente – intoxica quem a carrega, com risco de projetar efeitos nocivos também sobre terceiros.

Remédio? Existe. Mas dá trabalho. Requer coragem, de olhar para dentro. Requer honestidade, de admitir a própria sombra.

E requer o contraponto, de identificar o que em nós é forte e fecundo. Requer, ainda, discernimento, para saber a diferença entre o desejável e o necessário. E requer também disposição, na busca do que pode de fato nos acrescentar plenitude.

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