Otite externa: quando a infecção se torna crônica, ocorrem episódios agudos recorrentes – Jornal A Gazeta

Otite externa: quando a infecção se torna crônica, ocorrem episódios agudos recorrentes

Otites são infecções que ocorrem tanto no ouvido médio, quanto no externo. A otite é classificada como aguda quando aparece subitamente e por pouco tempo. Mas se aparece repetidamente por um longo período, ela é classificada como crônica.

A otite externa também conhecida por otite dos nadadores é a infecção no canal auditivo, causada por bactérias ou fungos e se caracteriza pela inflamação da pele do conduto auditivo (orelha externa), normalmente causadas pelo ato de introduzir cotonetes ou outros objetos no ouvido, ou ainda por maceração da pele pela água.

SINTOMAS
Os sintomas mais frequentes na infecção aguda são:

a) Dor severa e profunda no ouvido,
b) Sensação de ouvido entupido,
c) Coceira e, em alguns casos, saída de secreção,

Alguns linfonodos palpáveis também podem aparecer no pescoço do lado do ouvido acometido.

Quando a infecção se torna crônica, ocorrem episódios agudos recorrentes, coceira irritante acompanhada de descamações da pele do canal auditivo. Aqui a febre também pode estar presente.

FATORES DE RISCO
São vários os fatores que predispõe o desenvolvimento da otite externa e dentre eles encontram-se:

1) A limpeza excessiva ou arranhadura agressiva do canal auditivo que não somente remove o cerúmen como também cria abrasões na pele do canal auditivo, permitindo acesso de organismos (fungos e bactérias) ao tecido mais profundo.

2) A natação também se constitui em um fator de risco para a otite externa, uma vez que o contato frequente com a água facilita a remoção da cera que protege o canal auditivo, deixando os nadadores mais suscetíveis.

DIAGNÓSTICO
O diagnóstico da otite externa é realizado através da história do paciente, o qual geralmente refere dor quando a orelha é puxada superiormente, ou quando o trago (pequena saliência à entrada do ouvido externo) é empurrado.

O exame otológico também é realizado, pois o mesmo permite ao médico visualizar o interior do ouvido que geralmente se apresenta vermelho e edemaciado.

TRATAMENTO
O tratamento da otite externa, geralmente é feito com a administração de gotas otológicas, as quais possuem uma combinação de corticoides, antifúngicos e antibióticos, além dos analgésicos.

Os pacientes que fazem natação devem fazer uso de uma solução ácida no ouvido para prevenir infecção bacteriana. Estes pacientes também devem secar bem a orelha com a toalha.

Caso a coceira (prurido) se torne persistente, a aspiração da secreção retida deve ser realizada, uma vez que ela exerce uma pressão dolorosa sobre o timpano.

Vale acrescentar que o profissional indicado para realizar o tratamento da otite externa é medico otorrinolaringologista.

Em alguns casos, antes de iniciar o tratamento, o profissional realiza uma lavagem do ouvido do paciente, com o intuito de remover não só as célular mortas, mas o excesso de cerume no ouvido.

PREVENÇÃO
Como forma de prevenir as otites, devem-se tomar os seguintes cuidados:

1) Usar protetores, de silicone, os quais devem ser adaptados corretamente. A higiene deve ser rigorosa, para evitar a entrada de água no ouvido, pois tanto a má adaptação, quanto a falta de higiene dos tampões podem levar a proliferação da otite;

2) O ouvido é um órgão “autolimpante”, por isso, não se deve usar cotonetes para secá-lo ou limpá-lo, porque eles ao invés de limpar, empurram o cerume para dentro do canal, formando uma espécie de rolha que só vai ser removida pelo profissional médico;

3) Evite introduzir quaisquer objetos no ouvido para coçá-lo ou limpá-lo, uma vez que eles podem causar escoriações no canal auditivo, permitindo que bactérias tenham acesso aos tecidos mais profundos;

4) Ao usar algum spray ou tinturas para o cabelo, antes proteja o canal externo do ouvido com algodão.

IMPORTANTE!
Não use medicamentos por conta própria. Sempre que apresentar dor ou coceira nos ouvidos ou ainda, perda da audição, um otorrinolaringologista deve ser consultado, pois ele é o profissional que vai fazer o diagnóstico através da história clínica, o exame do ouvido e solicitar os exames complementares.

Referências
Figueiredo, Ricardo R.; Fabri, Magdala L. and Machado, Walter S.. Otite externa difusa aguda: um estudo prospectivo no verão do Rio de Janeiro. Rev. Bras. Otorrinolaringol. [online]. 2004, vol.70, n.2, pp. 226-231.

Guatimosim MHE. Doenças da orelha externa. In: Campos CAH, Costa HOO. Tratado de Otorrinolaringologia. 1ª ed. São Paulo: Roca, 2002. vol. I, p. 17-18. 

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora associada do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto – UFAC.

INTERINAS    
* Daiana de Freitas Ferreira é enfermeira graduada pela União Educacional do Norte – Uninorte. Especialista em Enfermagem do Trabalho pelo Centro Universitário Mauricio de Nassau.

* Daniela de Freitas Ferreira é fisioterapeuta. Especialista em Traumatologia Osteo-Articular pelo Centro Universitário Claretiano de São Paulo – Ceuclar. Trabalha na Fundação Hospital Estadual do Acre – Fundhacre.

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