Pais e filhos – e o naufrágio emocional – Jornal A Gazeta

Pais e filhos – e o naufrágio emocional

Olá, tudo bem?

Como vocês ou nós pais temos administrado as nossas emoções? Temos nós usados as ferramentas básicas que nos leva a uma melhor gerência destas emoções? Temos aprendido a educar nossa ansiedade, para consequentemente educar filhos em uma era onde o estresse tem causado sérios naufrágios nas emoções humanas e desencadeado depressão, transtorno de ansiedade generalizada, pânico, automutilação e tantos outros transtornos?

É verdade que temos vivido em uma era fascinante do ponto de vista tecnológico, a era dos computadores, da inteligência artificial. No entanto, precisamos entender que vivemos também, na era do estresse, da ansiedade, do consumismo, na era que as pessoas fragilizadas emocionalmente têm medo de enfrentar e encarar os seus fantasmas mentais, medo de viajarem para dentro de si, mergulhando no espelho de sua alma.

Por isso, nessa era de estresse e muita ansiedade, precisamos conhecer o que acontece nos bastidores da mente humana hoje mais do que nunca para, assim, tornarmos pais melhores, inclusive professores mais efetivos, formadores de pensadores e não repetidores de informações. Seres humanos que investem em qualidade de vida, se protegendo e protegendo aqueles que estão mais próximos de você, de um naufrágio emocional.  Pessoas que não aceitam a condição de serem predadores de seus cônjuges, parceiros e namorados.

Atualmente, os pais estão desesperados. Eles não conseguem estimular a calma, a paciência, a tranquilidade em seus filhos, pois os mesmos estão com enorme dificuldade de exercê-las em si mesmo. Pais e filhos estão hiper-conectados e desconectadas de si mesmos. Estão desesperados por não conseguirem estimular os seus filhos a lidarem com suas fraquezas, perdas, fracassos, crises e frustrações, a elaborarem a experiência que servirão para os mesmos se tornarem condutores, Capitão dos seus próprios navios, protagonistas de suas histórias. Infelizmente, estamos em uma geração que não sabem proteger a sua própria emoção. Diante disso, nossa mente tem sofrido com o estresse, a ansiedade, desencadeando assim, alguns transtornos psiquiátricos, levando crianças, adolescentes e adultos a um adoecimento emocional.

Pesquisas têm mostrado que nossos filhos estão sofrendo diante desta sociedade hiper-estimulada e isso é um grande problema. Desde o primeiro ano de idade, crianças são expostas a telas digitais, expostas a celulares, e os pais permitem o uso dessa ferramenta diante do estresse dos seus filhos, pois percebem que é a forma de mantê-los ”calmos”. Mal sabem eles que estão estimulando suas crianças de forma destrutiva, provocando um adoecimento. Essa intoxicação digital e o excesso de informações podem trazer sérios prejuízos à mente e às emoções de seus filhos, levando, inclusive, segundo o psiquiatra Augusto Cury, à Síndrome do Pensamento Acelerado, às vezes confundida com a imperatividade.

Mas o quê é isso?

“A Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA) é produzida por uma hiper construção de pensamentos, numa velocidade tão alta que estressa e desgasta o cérebro. É o resultado do excesso de atividades e de estímulos sociais que somos submetidos diariamente, e impede o desenvolvimento das funções da inteligência, como refletir antes de reagir, expor e não impor ideias, exercer a resiliência, colocar-se no lugar do outro.”

Pensar é bom, mas pensar sem gerenciamento pode trazer sérios prejuízos como temos vistos, inclusive em nós mesmos, enfatizando que em nossas crianças e adolescentes não é diferente.

Grande tem sido a tragédia!

E onde estamos nós, os pais? Correndo e correndo cada vez mais, desatentos às nossas emoções que nos afogam sem percebermos, e aos nossos filhos que gritam silenciosamente por socorro.

Infelizmente, estamos em uma era onde não apenas nós adultos estamos nos tornando cada vez mais escravos dos excessos, mas os nossos filhos também. Existe um adoecimento generalizado. Crianças submetidas ao excesso de informações, cobradas, pressionadas e intoxicadas. Desconhecedoras do seu próprio eu de suas emoções. Vulneráveis e enfraquecidas com dificuldades de navegar no oceano das suas próprias emoções. Ansiosas, agitadas, nervosas, confusas, depressivas, com dificuldade de se relacionar consigo mesma e com os outros. Fechando-se em seu próprio mundo. Náufragas em seu próprio oceano emocional. Sintetizando a vida como tem sido apresentada através do excesso de informações adquiridas da forma mais chocante, cruel e desumana, afinal, o que mais aprender, se a mente está sobrecarregada de informações. Certa vez, uma adolescente disse pra mim: “É horrível a vida. Tenho medo, pois já sei tudo como será: Irei terminar o ensino médio, tenho de entrar em uma universidade, depois trabalhar muito e morrer”.

Que crueldade estamos submetendo as nossas crianças e adolescentes! Que registro traumático! Não! A vida não precisa ser assim. Existe um mundo a ser descoberto dentro de nós, para termos um melhor relacionamento conosco. Precisamos ser estimulados a nos encontrar neste mundo interior, a mapearmos e educarmos os nossos fantasmas mentais, a enfrentar este oceano emocional para navegarmos de forma segura, pois descobrimos o nosso eu, nos tornamos consequentemente mais seguros, confiantes, destemidos, ousados, líderes de nós mesmos, facilitando inclusive, o nosso convívio social.

Não podemos nos tornar escravos emocionais em uma sociedade livre e nem tão pouco permitir esta agressão aos nossos filhos! É urgente que nos protegemos!

Pais, as escolas dos seus filhos têm trabalhado a gestão, a administração emocional deles, ou estimulam a competitividade intelectual, pressionando os seus filhos para terem as melhores notas e pontos no Enem, desconsiderando a importância do universo emocional que os prepararão de fato, para viverem corajosamente e seguros nesta sociedade doente? Pais, nós e nossos filhos estamos naufragando. Olhe para a sua vida, perceba o seu estado de saúde emocional e o quanto contaminou o seu ambiente com a sua ansiedade e estresse. Admita e mude o que precisa ser mudado. SALVE-SE E SALVE-OS! Ensine os seus filhos, inclusive através de sua experiência de vida, a enfrentarem seus medos, fantasmas, monstros, inseguranças, frustrações, incertezas e desafios.

Precisamos nos fortalecer emocionalmente. Portanto, desenvolva habilidades para enfrentar, confrontar, discordar, impugnar cada pensamento ou ideia que perturba, cada sentimento de incapacidade, cada estado de angústia e vazio existencial. Você é capaz! Reaja! Não permita sofrer um naufrágio emocional. A vida pode ser diferente, mais suave e tranquila para nós e para aqueles que tanto amamos.

Um grande abraço!

Fique com Deus!

 

Claudia Correia de Melo Torres é terapeuta de adolescentes, individual e de casal. Escritora. Palestrante. Faz atendimento online para você e sua família. Skype: claudiacorreiamt (82) 99641-5787.

 

 

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