Pobreza no Brasil: Dedução conceitual – Jornal A Gazeta

Pobreza no Brasil: Dedução conceitual

Debaixo das eternas falácias do tipo “a crise empurra 4.5 milhões para a extrema pobreza”, e dos eternos clichês: “os ricos continuam mais ricos e os pobres cada vez mais pobres” saiu nova estatística sobre a pobreza no Brasil. Agora são 13.5 milhões que vivem na extrema pobreza no país do futebol e seus estádios luxuosos. Uma barbárie à brasileira.

A propósito de barbárie, filósofo e sociólogo Edgar Morin (1921) conceitua desta maneira: “Antes de mais nada, é preciso entender bem que estamos ameaçados, cada vez mais, por duas barbáries. A primeira barbárie a gente conhece, vem desde os primórdios da história, que é a crueldade, a dominação, a subserviência, a tortura, tudo isso. A segunda barbárie, ao contrário, é uma barbárie fria e gelada, a do cálculo econômico. Porque quando existe um pensamento fundado exclusivamente em contas, não se vê mais os seres humanos”.

À luz desta “segunda barbárie” qualquer pessoa com QI um pouquinho acima de idiota pode deduzir, que estamos longe do desenvolvimento, que os filhos dessa nação necessitam e merecem. O Brasil, pelas suas mazelas internas, não tem à flor da pele, aparência de potencia economia mundial, coisa nenhuma; os estudiosos em ciência econômica sabem que estamos dando os primeiros passos rumo à emancipação da pobreza incondicional. Em 2050, diz o IBGE, o nosso contingente populacional poderá alcançar os 259 milhões de habitantes. Até lá teremos de pensar nossos irmãos em situação de miséria, com soluções que não se resumam em planos assistenciais.

Ainda no campo conceitual, alguns dizem que a pobreza não é uma etapa casual, mas produto de determinadas situações e estruturas econômicas, sociais e políticas. Peritos definem a pobreza como a necessidade crônica dos elementos básicos para sobreviver. Outros a definem como a desigualdade entre os que podem adquirir certos bens de consumo e os que não podem. Creio que é necessário conhecer os pobres e os fatos da pobreza. Quem são os pobres? Em alguns contextos prefere-se falar de “povo” em vez de pobres, pois o primeiro termo aponta a massa popular, ou como diziam os antigos: os súditos e o proletariado.  Por que são pobres? É necessário refletir em torno dos fatos da pobreza. O começo da conduta moral é o esforço por pensar claramente (Pascal). A reflexão e a práxis caminham juntas: se uma é sacrificada, a outra também sofre (Freire). A pobreza não consiste somente na necessidade ou falta de recursos, mas de poder, de conhecimento, de ajuda e de esperança.

O conceito de pobreza é amplo, e expressa também a angústia de ser oprimido e de carecer de uma vida harmônica e equilibrada. Deve-se considerar o contexto cultural, já que o desenvolvimento das pessoas afeta sua cultura. Há alheamentos culturais, percebidos pelo mais simples cidadão, ante as diferenças entre a sua própria realidade de pobreza iminente e a descrição de uma realidade de êxito projetada e sancionada pelos meios de comunicação. Por conseguinte, é preciso detectar quem é quem na questão da pobreza no Brasil. Afinal o Brasil não é a África com as suas mazelas.

O maior desafio para nós brasileiros, diante dos pontos levantados, é pensar positivamente num Brasil melhor. Reinhold Niebuhr disse certa vez que: “Se esperarmos postura altruístas dos poderosos, vamos esperar para sempre”.

 

Francisco Assis dos Santos*

*HUMANISTA. E-mail: [email protected]

 

 

 

 

 

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