Política Local – 04.04.2019 – Jornal A Gazeta

Política Local – 04.04.2019

Derrota acachapante

A quarta-feira foi nebulosa para o governador Gladson Cameli (PP). Depois de sofrer a primeira derrota na Aleac, – que contou com a participação de seus principais aliados na Casa, o cunhado e presidente do parlamento estadual, Nicolau Junior, bem como do líder do governo, Gehlen Diniz -, Gladson ainda teve que engolir o áudio do deputado José Bestene (PP), que vazou nas redes sociais, no qual incentiva os militantes a criticarem a gestão do progressista.

Não esperava

Certamente que Gladson não esperava por essa derrota, muito embora nos corredores da Aleac ela fosse dada como certa. Não é de hoje que os deputados andam desgostosos com Cameli. Ainda não engoliram o fato de progressista enfiar goela abaixo a indicação de ex-deputado Alércio Dias para a presidência do Acreprevidência.

Usurpador

Quanto a isso, o deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB) criticou duramente o governador. Frisou que ele tem usurpado o poder do Legislativo. Um discurso duro do comunista, mas cheio de verdades. Até hoje Alércio Dias ocupa um cargo irregularmente.

Nada ainda

O nome de Alércio já deveria ter passado pelo crivo dos deputados estaduais. Talvez por saber que será rejeito é que o progressista não tenha enviado novamente.

Nem aí

Mas, também não acho que ele esteja muito preocupado com isso. Se assim estivesse, teria aceitado a recomendação do Ministério Público do Estado do Acre e retirado Dias do cargo. Fez a escolha.

Ironia

E por ironia do destino, o único a votar favorável pela aprovação do nome indicado por Gladson para a presidência da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Acre foi o deputado José Bestene (PP). Estratégia para aliviar a barra? Talvez! Depois do áudio vazado, algo precisava ser feito.

Silêncio

Um silêncio sepulcral tomou conta do Palácio de Rio Branco. Nenhum comentário a respeito da derrota acachapante na Aleac, muito menos o fogo amigo de Bestene. E não esperem que Gladson fale alguma coisa, pois não fará. Pelo menos é o que sinalizou a porta-voz do governo, a jornalista Mirla Miranda.

Calados também

Os demais protagonistas dessa terrível quarta-feira de Gladson também optaram por não falar nada. Sobre a votação, Nicolau e Gehlen se absteram de qualquer comentário. E quanto ao áudio, Bestene seguiu a mesma linha dos colegas de partido, pelo menos ao longo de toda a quarta-feira.

Ele falou

No início da noite Bestene emitiu uma nota. Frisou que não aceitará “que tentem sujar” sua honra e que sua indignação recai sobre os que zombam da militância do Partido Progressista.

Contra

“É fato que não concordo com a nomeação de algumas pessoas que são ligadas aos partidos da extinta Frente Popular, de maneira especial do PT”, diz trecho da nota. E mais: “Por isso, disse e repito: vamos responder ao ataque desses covardes nas redes sociais, sim. Não vamos permitir que fiquem zombando de nossa luta”. Recado dado!

Crise

Os acontecimentos de ontem, somados aos diversos problemas nas Secretarias de Estado, mostram que o governo de Gladson vai de mal a pior. E o resultado da pesquisa Data Control corrobora essa tese.

Resultado

A pesquisa encomendada pelo portal de notícias AC24horas revela que 38% dos entrevistados acreditam que o governo de Cameli pode melhorar e o classifica como regular. Outros 29,2% acham ótimo e bom. Ruim e péssimo 24,8%. Não sabem ou não opinaram foram 8%.

Não aconteceu

Uma das justificativas para o descontentamento da população com relação à administração de Gladson Cameli pode ser refletida na ‘despetização’ prometida por ele em campanha, que não aconteceu na prática.

Desgaste

Nesses três primeiros meses de governo, Gladson Cameli já sofre com desgastes de possível greve dos servidores da Saúde, professores e aprovados nos concursos da Polícia Civil e Militar estão na lista de descontentes que protestaram em frente à Casa Azulada, sede do governo. Não está fácil para o progressista.

Tranquilo

Galdson avaliou positivamente o resultado da pesquisa. “Todo início de governo é assim, e em todo o início nós temos dificuldade. Como o povo não aguenta mais esperar, eles querem uma solução rápida. Mas isso é com o tempo”, disse Cameli.

Sedentos

A crise no governo de Gladson ocorre, principalmente, por ele ter ao lado dele pessoas sedentas por poder. Diferentes grupos, com objetivos diferentes, ou seja, sem nenhum interesse em comum. Já passou da hora de Cameli tomar as rédeas da situação, afinal de contas, como ele bem gostar de afirmar, é o CPF dele que está em jogo.

 

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