Política Local – 04/09/2019 – Jornal A Gazeta

Política Local – 04/09/2019

Quem vai pagar a multa?

Negócio “pegou fogo” na Aleac. Ou melhor, “multa de fogo”. O deputado Jenilson Leite (PC do B) – ele, sempre ele – subiu na tribuna da Casa com uma cópia de notificação de multa em mãos e denunciou que mais de 40 produtores da zona rural de Tarauacá foram multados pelo Imac. O motivo é porque os produtores, tadinhos, foram tacar fogo nas suas propriedades se confiando em declarações do governador Gladson Cameli (Progressista) de que não era pra ninguém pagar multa do Imac. Levaram ao pé da letra!

Joga nos peitos

O parlamentar praticamente jogou o problema nos peitos do governador e disse “resolve aí”. Frisou que a menor multa era de R$ 40 mil e que não tinha a mínima condição dos pequenos produtores arcarem com tais cifras. De fato, a situação é uma sinuca de bico. Multa é multa, não se pode simplesmente estalar o dedo e, pronto, puft, tudo sumiu, amém, estão todos perdoados. Não é bem assim…

 Em defesa de Gladson

Em resposta às denúncias, o deputado Gehlen Diniz (PP) frisou que o governador Gladson Cameli não mandou ninguém queimar nada. Disse que a floresta é um patrimônio que deve ser preservado e explorado, sim, mas com sustentabilidade. Essa seria a postura do governo.

 Não culpo o Gladson

Não dá pra culpar o governador. Fato é que a política simplifica, mas também torna tudo complicado. Antes, era o máximo dizer que os produtores não podiam virar bode expiatório, que as queimadas na Amazônia estavam sob controle (alguns forçavam a dizer que nem problema era), que o esforço na preservação ambiental não podia impedir o progresso da região, e tals. Até o presidente Bolsonaro (PSL) insistia nisso.

O discurso é outro

Daí veio o malvado do Inpe mostrar que nem tudo estava tão bem assim. Bastou um dia de breu e fumaça em São Paulo, uma pressãozinho internacional, a onda massiva de postagens em redes sociais com a floresta em chamas e, de repente, tudo mudou. O discurso já é outro.

O verde é legal

Agora somos todos verdinhos, pró-Amazônia. As queimadas e o desmatamento voltaram a ser um grande absurdo, um crime ultrajante. É difícil mesmo acompanhar. Não julgo esses produtores de Tarauacá. Mas, o fato é que eles estão numa cilada. E agora precisam de uma solução pra sair dessa, independente do “disse ou não disse” do governador, do presidente ou de qualquer outra autoridade política.

Em reunião

Enquanto isso, o governador Gladson Cameli esteve em Manaus, em reunião com os ministros da Casa Civil da Presidência da República, Onyx Lorenzoni, do Meio Ambiente, Ricardo Sales, e da Defesa, general do Exército Fernando Azevedo e Silva, além de governadores de estados vizinhos. De certa forma, ele está tratando deste assunto, mas de um jeito mais macro.

Ações vão continuar

O encontro alinhou a manutenção do discurso de combate às queimadas e preservação da Amazônia, dando continuidade às ações federais e locais nesse sentido. Vai que de repente [mas acho pouco provável] Gladson já volte pra cá com uma carta na manga para lidar com essa questão das multas escancaradas ontem por Jenilson. Tenhamos fé!

A luz amarela

Ainda na Aleac, outro comunista, o deputado Edvaldo Magalhães, falou sobre como está pasmo com a súbita mudança na Secretaria de Fazenda estadual.  Para ele, a pasta é uma das mais importantes do Estado. A desistência de sua gestora (leia-se, Semírames Dias), assim, do nada, causa estranheza e é um indicativo de desorganização na equipe do Estado.

Ninguém entendeu

O que o parlamentar quis realmente dizer é que ele não entendeu direito o que aconteceu. Acho que nesse episódio da saída de Semírames, de fato, ninguém entendeu muito bem. Só quem estava lá nos bastidores é que deve saber em minúcias o que levou a gestora a sair. Talvez mais adiante alguma peça nova desse quebra-cabeça apareça e as coisas façam mais sentido. Por ora, o que se tem é que ela saiu, e o Alysson está aí. Foi namorar, perdeu o lugar!

Proibidão segue rendendo

Ainda segue repercutindo a apresentação na abertura dos Jogos Inter Atléticas (Orjia), na Ufac. O diretor do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen), Lucas Gomes, foi quem decidiu falar da polêmica, criticando a postura dos estudantes que cantaram no evento um funkzinho daqueles, bom, como posso dizer de forma educada, do tipo “proibidão”. O gestor disse que a atitude foi um “constrangimento imposto” à Reitoria da universidade.

Não tem vez

Enquanto isso, lá da sala da reitoria da Ufac o assunto não prospera, diante dos infindáveis cálculos e planilhas no Excel para tentar se ajustar à nova realidade de 30% de cortes do Governo Federal. É como diz o sábio ditado: “uma crise de cada vez”.

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