POSSE DE IMORTAL E LANÇAMENTO DA COLEÇÃO 82 - Jornal A Gazeta

POSSE DE IMORTAL E LANÇAMENTO DA COLEÇÃO 82

Texto comemorativo aos 82 anos da Academia Acreana de Letras – AAL

Neste dia 13 de dezembro de 2019, no espaço do Palácio de Cultura do TJAC, acontecerá uma solenidade da Academia Acreana de Letras – AAL, a instituição histórica e literária mais importante do Estado do Acre, nos seus 82 anos de fundação. Ela traz, em seus quadros, os maiores expoentes da literatura, das letras, da história do Estado do Acre, criada sob o molde da Academia Francesa, ela tem 40 cadeiras, ocupadas pela intelectualidade acreana, de variadas áreas do conhecimento e de grande contribuição ao desenvolvimento do Acre. A AAL faz a defesa do idioma pátrio e da Literatura de expressão Portuguesa. E, pela defesa do idioma pátrio, da cultura e da memória do solo acreano, nós nos faremos, sempre, persistentes nessa presente empreitada, sem recursos e sem o amparo das instituições que deveriam zelar pelo sagrado, que é a memória cultural da população acreana.

Neste dia 13 haverá o lançamento de livros, Coleção 82, alusiva aos 82 anos de fundação da Augusta Casa de Cultura e Saber, que tem prestado grande serviço à educação e à cultura acreana, sem medir esforços, realiza palestras, conferências, oficinas de textos, Workshops, Saraus de poesia, lançamento de livros e, ainda, trabalho literário nas escolas de Rio Branco, buscando incentivar a leitura e a escrita.

Vencendo os desafios da falta de apoio dos órgãos do Governo, daremos posse, neste dia 13, às 19 horas, no Centro Cultural TJAC (ao lado do Palácio Rio Branco), a mais um imortal: Prof. Dr. Alexandre Melo. Assim, a AAL vai ganhando força, inovação, pois seremos os acadêmicos que saltarão dos fatos para a imaginação e da imaginação para o mundo das ideias, das realizações, em busca de dias melhores para a AAL, que não tem sede nos seus 82 anos. Pensamos como Victor Hugo: O futuro tem muitos nomes. Para os fracos é o inalcançável; Para os temerosos, o desconhecido; Para os valentes é a oportunidade. É esta última que abraçamos. A AAL não pode morrer! Estamos de mãos dadas com o sodalício e a sociedade para atravessar, com êxito, essa jornada.

E nesse trilhar não podemos confundir conhecimento com sabedoria. O primeiro ajuda a ganhar a vida. O segundo, a construir uma vida. É esta vida acadêmica de Vossas Excelências que começa nesta noite, a iniciar pelo juramento aqui prestado. O colar, a medalha e o Diploma que, aqui receberam, são símbolos sagrados do compromisso com a AAL. Não são adereços para enfeite, mas insígnias laureadas no correr de 82 anos de história literária e cultural, que devem guardadas do lado esquerdo do peito, dentro do coração.

Acreditamos, com convicção, que foi um ato de extrema coragem e ousadia, naquele ano de 1937, fundar, no Acre, uma Academia de Letras. Digo-vos, também, que a intervenção dos anos não nos separam das dificuldades do passado. Foi fundada sem sede e permanece há 82 anos sem sede. Nunca recebeu incentivo dos Governos, muito embora esta Casa concentre o maior número de escritores e poetas do Estado do Acre. Temos também grandes cientistas (em número menor do que a UFAC, aqui temos 40 imortais, e a UFAC possui mais de 900 docentes). Contudo, temos gente que produz muito, faz história, literatura, memória e culto ao idioma pátrio, num trabalho peregrino que deixa marcas profundas nos jovens da região e do Brasil.

Com esse texto desejamos dizer que os anos atuais não nos isolam de seus fundadores e tão pouco das dificuldades daquele ano de 1937. Hoje, talvez mais do que dantes, é forçoso proclamar que as quimeras e as ilusões, originárias neste inquietante texto comemorativo de 82 anos, nunca se afastarão de sua matriz singular: o culto ao idioma pátrio. Mais que nunca, na origem e no destino, estamos enlaçados ao pacto que nos força a ouvir o coração da população acreana, representada por todos nós, a clamar por apoio às letras, o respeito aos escritores, aos poetas, aos cientistas.

Nós escrevemos, fazemos a memória cultural da região. Afinal, a língua é a alegria dos seres humanos. Na AAL repousa a poesia do desejo, a melancolia dos gritos premidos, o advento das estações, a exaltação do fino mistério soprado, quem sabe, pelo próprio Deus. Falar, escrever, pensar, alcançar as fendas onde a metáfora pousa solitária, circunscreve-nos ao picadeiro dos imortais, ao galeão dos condenados, aos salões galardoados, às terras onde se trava a batalha do verbo e das exegeses. Sob o estímulo desta tradição, a Academia Acreana de Letras sempre se rendeu às turbulências da arte, às tentações do pensamento, à insubordinação criadora. Instaurou em seu cotidiano o ritual da cerimônia, quis conciliar o que emana do sagrado e do profano, amenizar as discrepâncias, rejeitar os expurgos arbitrários, tornar o convívio fonte de concórdia.

Uma tradição que nos ensinou a conviver com os impasses da história, a resistir aos tormentos da modernidade fátua. A ousar falar do futuro e sempre obstinada em realçar que a glória da instituição, repousa em tantas vitórias individuais que favorecem o fervor coletivo do Sodalício.

Como filhos da pátria da língua, de um idioma composto com sobras latinas, gregas, asiáticas, africanas, espalhada em quatro continentes, possui feição arqueológica. Os inventos verbais desta língua, que peregrina pela península ibérica, pela África, pela Ásia, pela nossa América, trazem a chancela natural da transgressão. Arrasta consigo a luxúria mesmo quando confrontada com experiências radicais, místicas, vizinhas do abismo de Deus.

Esse texto reforça nossa missão como os guardiões do idioma pátrio que traduz a vida nesta região do Acre. Necessitamos de um teto, porquanto já se passou quase um século que a Academia Acreana de Letras sobrevive pela determinação quase teimosa de seus imortais. Convidamos as autoridades constituídas do Acre para esta festa de 82 anos, da Coleção 82 e para a posse de um imortal que vem agregar-se aos que aqui estão ou já estiveram nessa história de 82 anos. Precisamos de Sede e Recursos humanos e financeiros. Que Deus nos proteja, dos poderes públicos estamos esquecidos!

 

Luísa Karlberg

Presidente da Academia Acreana de Letras

 

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