Precisamos evoluir – Jornal A Gazeta

Precisamos evoluir

Um fim esperado. Sempre favorito ao título estadual, o Rio Branco confirmou o que já se imaginava no fim de semana: levantou a taça pela 45ª vez na história – a 11ª conquista nos últimos 15 anos, se tornando, ao lado do Internacional, o maior campeão de estaduais do século XXI. A festa foi bonita, mas os imprevistos “já previstos” comprovaram a falta de organização de um campeonato que já é profissional há quase 30 anos.

Ponto um (e talvez o principal): tivemos a decisão no dia errado, na hora errada e no local errado. Tudo foi feito para que a torcida não estivesse lá. Convenhamos, final de campeonato no Acre tem que ser domingo, na Arena da Floresta. Esse ponto é tão indiscutível que chega a ser inconveniente levantar o debate.

Nada contra o Florestão. É uma conquista do nosso futebol, mas não é tão confortável e moderno quanto à Arena. Temos dois belos estádios disponíveis na capital e numa final o óbvio seria termos o jogo no melhor deles. No caso, em termos de acomodação e preferência do torcedor, a Arena.

Uma semana antes foi definido que o Brasil jogaria pelas quartas de final da Copa América no sábado, às 16h30 (do Acre). Aconteceu que o jogo no Chile foi para os pênaltis e só depois o torcedor deixou para ir ao Florestão. Com apenas uma entrada, uma longa fila se formou fora do estádio na estrada da Floresta. Teve torcedor que só conseguiu entrar quando já estava com 30 minutos de bola rolando…

Pois bem. A desculpa para o jogo final ser no Florestão seria a necessidade do caminhão de prêmios (que foi sorteado) estar dentro do estádio e a Arena não teria uma entrada adequada. Pois é, pois é. De última hora, descobriu-se que o Florestão também não tinha tal entrada. E o caminhão ficou do lado de fora.

Tivemos exatos 1.762 torcedores pagantes – e uma renda que não chegou a R$ 15 mil. Muito pouco. Ano passado, por exemplo, na Arena, num domingo, esse público foi quatro, cinco ou seis vezes maior. Regredimos no momento em que deveríamos caminhar no sentido contrário.

Não é hora de apontar culpados. É hora de executar. Sem melindres, é preciso melhorar, avançar, aprender. O futebol também é feito pela torcida e ela precisa ser ouvida. Se não está bom, que uma saída seja encontrada. O que não pode é repetir erros previstos.

* João Paulo Maia é jornalista.
joao.maia.rodrigues@gmail.com
Twitter: @jpmaiaa

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