Qual seu talento? – Jornal A Gazeta

Qual seu talento?

Cozinhar, dançar, cantar, jogar futebol, escrever, desenhar, pintar, tocar violão, interpretar. Você sabe dizer qual seu talento? Ou melhor, você sabe dizer o que você gosta de fazer? Para algumas pessoas podem parecer perguntas simples, fáceis de ser respondidas. Esse não é meu caso.

Aos 28 anos de vida me vi perdida ao escutar perguntas simples como essas que citei acima. Afinal, o que eu amo fazer? Minha personalidade diz mesmo sobre mim ou apenas reflete comportamentos impostos pela sociedade?

Um desespero tomou conta de mim por completo. Mas o que adianta fugir de onde se está se não sabe sequer para onde ir? Essa foi a pergunta que mais martelou na minha cabeça nos últimos tempos, quando descobri que eu preciso conhecer mais de mim, mais da Bruna real.

 

“Quem não faz o que gosta vai fazer o que o outro quiser”

 

A primeira coisa que aprendi nesse processo de autoconhecimento é que a nossa educação “tradicional” não valoriza as individualidades e particularidades. Somos criados para ser mão de obra e não seres humanos autoconscientes. E, dessa forma, vamos crescendo sem ser o que verdadeiramente somos e fazer o que, de fato, amamos.

Às vezes, a mente fica confusa com a quantidade de pensamentos e perguntas sem respostas. Ansiosos e imediatistas que somos, entramos em pânico e sofremos por não saber as respostas que tanto procuramos.

É normal se sentir assim, mas é preciso entender que o caminho é longo e exige momentos de silenciar, relaxar e sentir.

Pois bem, fui em busca de “aquietar” minha mente. Resultado? Minha primeira tentativa de meditação guiada foi um desastre, não consegui relaxar, nem visualizar nada que me foi dado. Saí com uma baita dor de cabeça. Não desisti. Comecei a meter a cara nos livros. Osho e Sri Prem Baba foram alguns dos mestres que me ajudaram a encontrar o caminho.

Caminho esse que ainda estou percorrendo insistentemente. Essa semana inventei de tentar fazer um bolo, não sei de onde veio a ideia, mas eu só sosseguei depois que fiz. O primeiro foi uma verdadeira tragédia, direto para o lixo. Fiquei frustrada, porém, decidi tentar mais uma vez, com mais amor e empenho. E deu mais que certo, ficou maravilhoso.

Deu pra relacionar autoconhecimento com minha tentativa de fazer um bolo? Não? Então vou explicar. Eu só posso dizer o que eu gosto de fazer quando viver novas experiências. Nunca fiz um bolo, mas descobri que cozinhar é algo que me dá prazer. É preciso ter paciência, mas se colocar em contato com ambientes, pessoas e materiais que vão te fazer caminhar para as respostas.

Como diz um trecho de uma música da cantora Jéssica Ellen: “É de dentro que vem a resposta, acredite, tenha fé, pois quem não faz o que gosta vai fazer o que o outro quiser”.

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