São Francisco de Assis: o Homem do Segundo Milênio – Jornal A Gazeta

São Francisco de Assis: o Homem do Segundo Milênio

Hoje, 4 de outubro, é festa para toda a Família Franciscana no mundo: dia de nosso pai São Francisco de Assis, um dos santos mais conhecidos no mundo, tanto no mundo da fé quanto no mundo não confessional, e cuja vida e obras marcaram a história de muitos fiéis. Inclusive hoje, seu nome se destaca por ser o que o Papa atual escolheu para o seu pontificado.

No dia 13 de abril de 2013, o mundo foi tomado de surpresa quando era anunciado o novo Bispo de Roma: o primeiro Papa latino-americano; e, depois, veio a alegria de ver que o novo Papa se inspirava no Pobrezinho de Assis, a começar pelo nome: Francisco!

Ao escolher para o seu projeto papal a inspiração franciscana, Francisco deu mostra de que estar a serviço da Igreja não é ter poder, é servir a humanidade. O Pobre de Assis tem uma mensagem de grande modernidade e atualidade. “Francisco não é um nome. É um projeto de Igreja pobre, simples, evangélica e destituída de todo o poder”, diz Leonardo Boff.

Para a Igreja, para o Papa e para a humanidade, São Francisco tornou-se inspiração daqueles valores mais essenciais do Evangelho. Por isso, sua mensagem atravessou os séculos, e continua a despertar no coração da humanidade aquilo que de melhor ela pode realizar.

Em 1999, dez anos antes de terminar o milênio passado, a revista “Times” fez uma grande pesquisa entre seus leitores para saber qual seria a personalidade mais marcante e mais importante do milênio que terminava. Surpreendentemente – será que esse termo seria correto? – São Francisco ficou em primeiro lugar.

É surpreendente e não é. Da ótica da revista “Times”, que é secular (não cristã) e da maioria dos concorrentes que não eram personalidades religiosas, é surpreendente. Mas se considerarmos a influência deste santo na cultura mundial, não é surpreendente.

Embora o título “Homem do Milênio” não combine com São Francisco, que escolheu a humildade mais profunda e a pobreza, trata-se de um título justo. São Francisco, com efeito, influenciou profundamente todo o segundo milênio. Influenciou mais do que ninguém.

Porém, quem diria que quando o jovem Francisco se despojou das roupas que recebera do pai ficando nu na praça de Assis, ele estava começando uma trajetória que marcaria todo o milênio? Quem diria que quando ele começou reconstruir a capelinha da Porciúncula, pedra por pedra, descalço, na neve, ele estaria começando a reconstruir a Igreja? E foi isso que aconteceu.

Se, por outro lado, perguntarmos: “O que São Francisco fez para merecer esse título?” encontraremos respostas surpreendentes, que não tem nada a ver com as grandes obras dos outros nove famosos que ele superou na pesquisa. Veja as respostas que podem surgir:

  • Ele decidiu abraçar e beijar um leproso desfigurado, e o fez com todo amor. Desde então passou a amar e a se sentir irmão dos mendigos e marginalizados.
  • Ele deixou a riqueza para viver na pobreza e se dizia o mais feliz dos homens por causa disso.
  • Ele se sentia irmão de tudo e de todos: homens, mulheres, animais, plantas, morte, vida, amor, dor, alegria… Tudo e todos eram seus irmãos amados e benvindos.
  • Ele cantava louvores ao Senhor, sabendo-se criatura amada pelo Pai e salva por Jesus Cristo, a quem entregara sua vida.
  • Ele anunciava o Evangelho em Assis apenas caminhando pelas ruas da cidade, sem dizer uma palavra, sabendo que bastava o seu exemplo.
  • Ele fundou a Ordem dos Franciscanos, que pregavam e viviam a pobreza e não queriam nada mais do que uma vida simples e fraterna.

Isso foi o que São Francisco fez. Ele não fez grandes obras da ciência ou das artes. Ele não lutou pela independência de seu país. Ele não fez descobertas científicas relevantes para a humanidade. Ele não acumulou riquezas. Ele escreveu apenas uma regra de vida simples para que seus irmãos pudessem seguir e viver.

O Santo que abraçou a pobreza e renunciou os bens familiares, caracterizou-se por ser um discípulo fiel de Cristo, que viveu o Evangelho com humildade e profunda alegria amando as almas com profunda entrega e admirando a grandeza da criação.

Sua conversão se deu através do silêncio contemplativo e com ações que o aproximavam dos mais desprotegidos.

Filho de um rico comerciante de Assis, São Francisco nasceu entre os anos de 1181 e 1182. Não foi um homem do campo, mas um rapaz criado na cidade, cidade aliás que usufruiu do renascimento que se observava, principalmente na Itália, a partir do ano 1000. Tal característica é importante para tentar entendermos o espírito do religioso franciscano: um homem voltado para as aglomerações humanas, não tão imponentes como as buscadas pelos dominicanos, mas as de porte médio, como o era a cidade natal do poverello.

Talvez não seja exagero dizer que São Francisco de Assis é o santo mais popular do mundo. É bem famoso o episódio em que ele ficou peladão diante de toda a cidade. Mas se você perguntar para as pessoas – até mesmo para um devoto do santo – a razão daquele gesto, a maioria não saberá responder corretamente. Não foi meramente uma renúncia aos bens materiais: foi acima de tudo um ato de fé radical em Deus.

O interessante, mesmo, porém, é como tudo começou. O que é que aconteceu na vida de Francisco para que ele mudasse sua vida tão radicalmente? A resposta é simples, como foi a vida dele: Francisco achou um manuscrito dos Evangelhos e leu. Ele leu a vida de Jesus Cristo contada pelos evangelistas. Isso transformou o coração daquele jovem sedento da verdade, sedento de sentido para a vida, sedento de Deus. Depois que leu os Evangelhos, Francisco nunca mais foi o mesmo, tamanha é a força desses escritos de quase dois mil anos.

No entanto, já transcorridos 44 anos de vida, no dia 03 de outubro de 1226, Francisco se acha muito debilitado. Seu estômago não aceita mais alimento algum. Chega a vomitar sangue. Admiram-se todos como um corpo tão enfraquecido, já tão morto, ainda não tenha desfalecido. Transportado de Sena para Assis, Francisco ainda encontra forças para exortar os que acorrem a ele. E aos irmãos diz: “Meus irmãos, comecemos a servir ao Senhor, porque até agora bem pouco fizemos”. Ao chegar a Assis, um médico se apresenta e constata que nada mais resta a fazer. Ao que Francisco exclama: “Bem-vinda sejas, irmã minha, a morte!” E convida aos irmãos Ângelo e Leão para cantarem o Cântico do Irmão Sol, ao qual Francisco Acrescenta a última estrofe em louvor a Deus pela morte corporal. Pediu então, aos seus irmãos franciscanos que o colocassem no chão, nu, assim que o vissem entrar no momento de agonia final.

Em sua derradeira morte, Francisco exprimia quem era: um homem que dependia só de Deus. Nada existia entre ele e o Altíssimo. Sua nudez era agora absoluta.

Finalizo afirmando: se São Francisco é o homem do milênio, que título poderia se dar a Jesus Cristo, o responsável pela formação de São Francisco? Ele é o grande Senhor de tudo e de todos, Ele é aquele que São Francisco louvava em suas canções e não se cansava de exaltar nos seus louvores. Jesus é aquele bom Senhor, pobre e humilde que São Francisco seguiu à risca, sem jamais olhar para trás. Foi Jesus quem trouxe paz ao coração de Francisco e o transformou no homem mais influente do segundo milênio da era cristã.

Por isso, se você quer um sentido realmente novo em sua vida, leia os Evangelhos. Leia a vida de Jesus Cristo e siga o que o Mestre de Nazaré ensinou. Sua vida pode se transformar de uma maneira totalmente inesperada.

Louvado sejas, Bom Senhor Jesus, humilde e pobre, Filho de Deus e “Servo dos servos”, como dizia São Francisco. E Jesus, por sua vez, faz questão de exaltar seus santos. É pela graça de Deus que São Francisco, o pobre e humilde seguidor de Jesus se tornou o homem mais influente do segundo milênio.

Aos(as) devotos(as), filhos(as), as Franciscas e aos Franciscos, tenhamos sempre amor, admiração e alegria por celebrarmos a vida de nosso pai São Francisco de Assis, que a cada dia, nos aponta a quem devemos seguir, como ele mesmo seguiu: Nosso Senhor Jesus Cristo. Senhor, fazei-nos instrumento de Vossa Paz. São Francisco de Assis, rogai por nós! Paz e Bem

Adaptado conforme: http://www.blogcruzterrasanta.com.br/sao-francisco-de-assis-o-homem-do-segundo-milenio/

*Frei Paulo Roberto, Ordem dos Frades Menores Capuchinhos – OFM Cap.

Pároco da Paróquia de Bom Jesus do Abunã em Plácido de Castro – Acre.

Assistente Espiritual do Núcleo em Formação da Fraternidade da Ordem Franciscana Secular – OFS, encontro todo 3º domingo do mês na Paróquia Santa Inês, às 7 horas.

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