Se perdendo na tecnologia – Jornal A Gazeta

Se perdendo na tecnologia

Os dias nos quais vivemos me trazem um sentimento duplo. Se por um lado, fico maravilhada com a tecnologia avançada, e com as consequentes novas opções no mercado para estarmos conectados com o mundo, através dos e-mails, smartphones, tablets, redes sociais, cada vez mais modernos e sofisticados, por outro, eu me preocupo com os riscos que estamos correndo, através desta conexão que podem trazer sérios danos aos relacionamentos com as pessoas que amamos.
A televisão já deixou de ser o grande vilão da alienação das famílias e o mundo virtual passa a ser hoje o fator número 1. Vejo as pessoas cada vez mais desconectadas entre si e mais conectados com a tecnologia. A questão em si não é a tecnologia, mas a forma com a qual estamos fazendo uso dessa modernidade.
Será que estamos conectados com aquilo que realmente importa? Será que não estamos deixando de lado as coisas simples da vida, como sair com as pessoas que amamos para tomar um sorvete, ir ao cinema, passear nas praças, sem a preocupação com as zonas de ‘wi-fi(s)’, para continuarmos conectados na internet? Será que não estamos exagerando em nossa publicidade, quando milhares de ‘amigos’ na mesma hora ficam sabendo, pelos Instagrans e Facebooks da vida, onde estamos e o que estamos fazendo?
E o que falar das conversas com os amigos, e até mesmo com o cônjuge, cara a cara, olho no olho, sem se preocupar em estar olhando as mensagens, e-mails e notícias, que a todo instante insistem em chegar aos nossos aparatos digitais.
É claro que o avanço da tecnologia trouxe incontáveis benefícios para a vida das pessoas. Mas acho que também trouxe um gosto de solidão. Acabou a ligação e tudo agora é feito através de mensagens no WhatsApp. Antigamente, estávamos conectados entre si, hoje, estamos apenas conectados com nossos iphones e tablets.
Paralelamente a esse curioso processo, surge à carência, em todos os sentidos. Eu sou carente, preciso de atenção, no fundo me sinto perdido, sozinho e quero que você me curta, me ache legal, me aceite, me insira no seu grupo de amigos, me coloque na sua vida, não me esqueça, me ame e diga para os outros como sou bacanudo.
E os que não participam desse mundo virtualizado também acabam sofrendo, pois, você só consegue interagir se estiver vivendo a tecnologia. Quem não tem WhatsApp não tem grupo, não tem amigos.
O ser humano está a cada dia mais carente, mais reativo, mais desconectado de si mesmo. Sim, é preciso estar conectado consigo para se conectar com os outros de uma forma positiva.
Bem, o que realmente quero falar é que tudo isso está à nossa disposição e podem nos facilitar a vida, em muitos momentos. Mas, também temos que aprender a ter equilíbrio em tudo, e devemos controlar os impulsos e não permitir que as possibilidades virtuais nos tirem o essencial da vida, que é vivermos com qualidade no mundo real.

 

* Marcela Jansen é jornalista.
E-mail: marcelajansen@hotmail.com

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