Sem apontar o dedo – Jornal A Gazeta

Sem apontar o dedo

Novo ano, novo governo, novas perspectivas. Os mais desatentos podem achar que o Acre continua o mesmo, mas isso não é nem de longe verdade.

Sobre o novo Governo do Estado, ainda que seja cedo para fazer grandes julgamentos, posso destacar o acerto dos primeiros dias da Saúde. Em entrevista com o secretário da pasta, Alysson Bestene, eu pude perceber as boas intenções com as necessidades básicas da população. Fui ao encontro dele esperando ouvir grandes promessas de mudanças radicais ou até surreais para transformar e melhorar a saúde pública do Acre, mas me surpreendeu em dizer que o trabalho será voltado às dificuldades emergenciais: materiais, mão de obra e manutenção das unidades. É preciso, é necessário.

O novo secretário de Saúde não ficou buscando o tempo inteiro apontar erros na gestão passada. Pelo contrário, disse que o desafio é fazer as coisas acontecerem e, consequentemente, a população sentirá melhorias nos próximos 100 dias.

O retorno do atendimento ambulatorial no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) já foi um ponto positivo para o governo de Gladson Cameli. Algo que o povo tanto queria, mas que não foi ouvido antes.

“Demonstrar humildade já tem sido um bom começo”

Contudo, a Saúde precisará de um plano muito maior a médio e longo prazo. Por ora, as pessoas ficarão contentes em ter novamente mais um atendimento aqui ou acolá, no entanto, essa satisfação não bastará por muito tempo. Há muitas brechas abertas e que precisam ser fechadas. Por exemplo, a falta de médicos nas unidades.

É preciso desvendar o motivo de, frequentemente, faltarem médicos nas unidades de saúde. É falta justificada? Há um médico de plantão como plano “B”? É falta de planejamento? É falta de ética do profissional? O profissional que falta sem justificativa plausível é punido?

São muitos pontos de interrogação e o povo quer respostas. Afinal, quem busca um hospital não está a passeio. São pacientes que chegam frágeis ali e que não merecem esperar por horas para um atendimento que, nem sempre, é digno como deveria.

De fato, a população, em sua maioria, está esperançosa. Gladson Cameli e sua equipe têm a popularidade que muitos gestores gostariam de ter. E manter isso não será tarefa fácil. Contudo, demonstrar humildade já tem sido um bom começo.

Brenna Amâncio é jornalista.
E-mail: [email protected]

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