Sem trégua na onda de violência, Acre registra 22 assassinatos em 17 dias – Jornal A Gazeta

Sem trégua na onda de violência, Acre registra 22 assassinatos em 17 dias

Mesmo com diversas operações das forças de segurança, a criminalidade não tem dado trégua para os acreanos. Entre o dia 1º e 17 de janeiro foram registrados 22 assassinatos no Acre. Do total, 17 homicídios ocorrem em Rio Branco, e outros cinco no interior do Estado.

Os últimos casos foram bastante repercutidos pela imprensa local. Na quinta-feira, 16, o casal Cosmo Ribeiro Moura, de 43 anos, e Tereza da Silva Santos, de 64, tiveram a casa invadida e foram brutalmente assassinados enquanto dormiam. O crime aconteceu no bairro Belo Jardim, região do 2º Distrito. Após serem alvejados, os criminosos ainda degolaram o homem. Até a tarde desta sexta-feira, 17, ninguém foi preso.

Outro crime brutal ocorreu no mesmo dia, na Cidade do Povo. Segundo informações, Antônio José da Silva de Oliveira, conhecido como Japonês e por ser conselheiro de uma facção criminosa, foi executado com 15 tiros na porta de entrada da Upa do bairro, em Rio Branco.

Conforme a polícia, a vítima teria ido deixar um amigo para receber atendimento na unidade de saúde, quando foi abordado por membros da facção que ele era membro. Oliveira foi atingido por tiros na barriga, peito, braço e nas costas. No momento da ação, a porta da Upa foi quebrada, várias pessoas saíram correndo em desespero ao escutar os tiros.

Por esse motivo, o atendimento ambulatorial foi suspenso na unidade nesta sexta-feira, 17. Apenas casos de urgência e emergência estavam sendo realizados.

A reportagem conversou com o comandante da Polícia Militar do Acre (PM-AC), o coronel Ulysses Araújo, sobre os números assustadores de mortes violentas. Segundo ele, após o duplo homicídio no Belo Jardim, diversas operações foram intensificadas e outras começaram a ser realizadas no 2º Distrito de Rio Branco. Abordagens, barreiras, operações como Saturação, Visibilidade, Guardião e Madrugada Segura estão sendo realizadas em todo o perímetro.

“Já implementamos várias ações naquela área. Começamos ontem [quinta-feira, 6] e continuaremos por tempo indeterminado, principalmente nas áreas do Belo Jardim, Cidade do Povo, Rosa Linda e Ramal da Judia. São várias operações que estão ocorrendo continuamente”.

O coronel anunciou, ainda, que a partir do dia 23 de janeiro será implementada, definitivamente, a Base Comunitária na Cidade do Povo. “Teremos um policiamento específico para atender aquela população”. A base contará com policiais civis e pelo menos 30 policiais militares.

Na parte preventiva, policiais do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), estarão em todas as escolas estarão atuando em todas as escolas do conjunto habitacional.

E destacou: “A polícia tem feito a parte dela. Agora é aguardar que os outros órgãos também façam sua parte. Todo mundo trabalhando junto, a gente consegue vencer essa guerra. O que não dá é a Polícia Militar estar empenhada nessa situação de maneira isolada. Temos uma integração boa com a Polícia Civil e a Penal, mas precisamos do empenho de outros órgãos”.

Questionado sobre que tipo de apoio que as forças de segurança do Estado precisa, Araújo cita o Ministério Público, o Poder Judiciário, Exército e Força Nacional.

“Precisamos que todos os órgãos de defesa social entrem nessa guerra porque fica latente que a polícia está empenhada totalmente, com todo o esforço além do limite que temos”.

O coronel volta a falar da presença “invisível” da Força Nacional no Estado. “Hoje, temos 60 agentes da Força Nacional, mas não vemos ações dessas pessoas. Não conseguimos ver uma prisão ou apreensão deles. Essas pessoas recebem diária para estar aqui, para fazer o mesmo papel que a polícia faz e não tem surtido efeito”.

E acrescenta: “O Exército poderia assumir as barreiras das fronteiras. Temos que questionar por que esses órgãos todos fazem parte do sistema de defesa social, mas parece que a Polícia Militar e Sistema de Segurança estão lutando e os outros órgãos não entraram na guerra de cabeça, como nós entramos”.

FOTOS/ARQUIVO SECOM
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