Ser mãe! – Jornal A Gazeta

Ser mãe!

 

Mãe é mãe em qualquer época e em quaisquer circunstâncias. Ser mãe, embora todas as demais funções sejam igualmente reconhecidas, é o papel mais preponderante da mulher, isso é patente a partir da ciência antropológica. Antigamente, o papel de mãe era tão importante que a esterilidade feminina chegava a ser considerada uma maldição dos deuses, porquanto furtava a mulher de uma de suas funções mais essenciais na vida

No entanto, o que pontifica na história da mulher mãe é a afeição por seus filhos. Neste quesito, os cuidados das mães pelos filhos, simbolizam os cuidados especiais de Deus pelos seus filhos espirituais. Alguém tem dito igualmente, que a melhor comparação do amor de Deus por nós é tipificada no amor da mãe pelo seu próprio filho.

A enunciação deste amor de mãe, que o pensamento pode conceber, por meio de gestos ou palavras escritas ou faladas, na sua expressão mais sublime, pode ser contemplada no ato da MÃE em lactar ao filho tenro. Feliz da mãe que pode amamentar os filhos, uma vez que, em lugares de extrema pobreza, países africanos, existem pobres mães, enfraquecidas pela fome, que são impotentes neste ato de sobrevivência humana. Mas, mesmo debaixo dessa desigualdade humana, próprios de países subdesenvolvidos, grupos étnicos isolado das cidades modernas, que sobrevivem morando em cabanas feitas de argila, tirando o sustento de alguns animais e da terra, plantam milho e abóbora, há muitas mulheres mães que conseguem, com sacrifício hercúleo, amamentar seus filhos. Bendita providência divina.

Todavia, o que vai aqui, nesta breve reflexão, é a minha experiência de filho, nos anos 50 e 60, com uma mulher mãe nascida em 1910. Isto é, uma mãe de antigamente. Seu sacrifício voluntário, bem como sua entrega em beneficio dos filhos, é sobremodo admirável.

A vida da minha mãe é emblemática, não por ser minha mãe, mas porque lutou bravamente pela sobrevivência dos filhos, sem ocupar posição proeminente na sociedade. Casou muito cedo e ficou viúva mais cedo ainda, tendo na sua ilharga cinco filhos menores de idade, o mais velho tinha apenas 14 anos. Foi à luta, e que luta!

Fato relevante, para a época, é que não voltou a ter vida marital. É possível que tenha namorado, afinal era ainda jovem e bonita. Contudo, nós os filhos não tivemos outro “pai” ou padrasto. Em momento algum notamos a presença de outro homem na vida desta mulher. Talvez, em respeito aos filhos! Era rígida na condução da casa. Então ou nesse caso, não podia ter “falha” moral. Como ter um “Affair” em casa na presença dos filhos, sem vínculo legal.

Na velhice, pois morreu aos 89 anos, no aconchego da sua humilde casa, de quintal arborizado e muitas plantas medicinais, enxergava os filhos como eternos meninos. No meu caso particular, só deixei de ser menino, quando ela partiu desta vida terrena, para outra aura de vida. Assim, a ou a me ver, depois de uns poucos dias de ausência, exclamava:  “Por onde você anda MENINO?” “Vem tomar café, MENINO!”

As lembranças que eu guardo, na memória, da minha querida mãe são tantas e prazerosas. Momentos ímpares que neste domingo, dia alusivo às mães, fará com que a saudade seja mais intensa no meu peito. Saudade em dizer, novamente: Benção mamãe!

 

Francisco Assis dos Santos*

 

HUMANISTA. Email: assisprof@yahoo.com.br

 

“Ser mãe, embora todas as demais funções sejam igualmente reconhecidas, é o papel mais preponderante da mulher”

 

 

 

 

 

 

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