Sociedade boçal – Jornal A Gazeta

Sociedade boçal

Dia desses, o narrador esportivo do Sportv, Luiz Carlos Jr., em vista dum acontecimento nas arquibancadas dum estádio de futebol, saiu-se com esta: “Mais uma demonstração, da boçalidade da torcida brasileira”. Essa boçalida dita em alto e bom som, pelo famoso narrador, é a tônica nos estádio de futebol a cada rodada dos tais campeonatos. A tal ponto que no Brasil, país do futebol, duas torcidas de “times grandes” não pode torcer civilizadamente, no mesmo estádio,  num simples jogo de futebol. Há registros de mortes, aqui e ali, ocasionado pelo confronto das torcidas denominadas de “organizadas!”

Entretanto, não é só nos estádios de futebol que a boçalidade (estupidez, grosseria, etc.) da sociedade em geral, se faz presente. Essa boçalida, produto duma intolerância descabida, saiu do campo dos bairrismos regionais, atravessou às diferenças culturais, raciais, religiosas e, hoje, se instalou, de forma globalizada, no mundo inteiro. Espalhou-se, mesmo, em todos os segmentos sociais.  O que aconteceu ou acontece com a gente? Creio que, em longo do tempo, a gente toda foi contaminada pelos variados problemas sociais insolúveis. Sem solução, especialmente porque os remédios advindos da religião, da política instituída de poder e da justiça, só para citar esses três, são paliativos.

Por causa dessa boçalidade, a relação entre os homens está seriamente comprometida; a convivência nos centros urbanos, principalmente,  tornou-se um caos, uma  desordem social que tende a se agravar; não temos princípios, nossos valores são decadentes, “aniquila-se o homem e a mulher, destrói-se o idoso e a criança.” As estatísticas estão aí para comprovar, infelizmente, o que afirmo.

Alguém tem dito que o ser humano em sua dimensão de pluralidade é um ser-com-os-outros e para-os-outros, a isto chamamos de convivência social. Este convívio, desgraçadamente, por causa dessa ausência de razoabilidade do homem, provoca, inevitavelmente, confrontos e disputas, onde o mais forte e o mais esperto são beneficiados, provocando situações injustas.

“Entretanto, não é só nos estádios de futebol que a boçalidade (estupidez, grosseria, etc.) da sociedade em geral, se faz presente”

Essa boçalidade social, revela-se  no espírito egoísta, raiz de todos os males humanos,  alojado na alma da maioria da nossa gente e, que, termina por falar mais  no convívio social, colocando em primeiro plano os nossos próprios interesses, como um fim em si mesmo. Então, a maioria que vive em socidade  já perdeu o interesse, notadamente  por aqueles que fazem parte da comunidade local e, o que é pior:  pelo bem universal!

Para piorar essa convivência social, há o fato simultâneo da grave crise moral porque passa o homem da era whatsapp. Em geral, todos os problemas que nos afligem são antes de qualquer coisa ou causa, de caráter moral. Essa moral distingue-se dos moralismos pelo seu objetivo de vida, de desenvolvimento das liberdades regradas, mas também, por sua vontade de consolidar um tecido social que, sem ela, é defeituoso.

Immanuel Kant (1724-1804) proclamava que a razão ordena ao homem que suas ações sejam pensadas por dever a ela, em vez de serem simplesmente pautadas por suas inclinações perversas. Kant, entendia que  a liberdade é a capacidade de ser governado pela razão. A razão é uma verdadeira faculdade de desejar superior. Quem usa a razão erra pouco. Não sucumbe aos apelos das paixões desvairadas.

Para Kant a lei moral é uma só, formulada pelo iluminista sob um imperativo categórico: “age de modo que a máxima de tua vontade possa valer sempre, ao mesmo tempo, como princípio de legislação universal.”

Assim, essa boçalidade que peremeia os quatro cantos do Páis, só para falar do nosso quintal, é pura paixão…e paixão sem juízo!

Francisco Assis dos Santos é humanista.

E-mail: assisprof@yahoo.com.br

 

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