Transporte coletivo urbano – Jornal A Gazeta

Transporte coletivo urbano

Hoje 22/11/2014, é o Dia Universal da Música (homenagem a Santa Cecília), Dia de Santa Cecília, Dia do Músico, Dia da Liberdade, Dia Nacional da Mobilização Contra a Dengue.

Você trocaria seu carro por um passe permanente em transporte público?

Frase postada no Twitter da ManausTrans a alguns anos atrás. Uma pergunta inteligente e desafiadora. Investimentos e políticas públicas para melhorar o transporte coletivo praticamente inexiste. Com algumas melhorias pontuais ou tentativas, muitas vezes desastradas, como está acontecendo na cidade de São Paulo – SP com implantações de faixas exclusivas praticamente sem estudos de viabilidade, tem causado transtornos e muitas críticas.

O vertiginoso aumento da frota de veículos motorizados de passeio (de duas ou quatro rodas), nada mais é que o reflexo direto do sucateamento que o transporte coletivo vem sofrendo no decorrer das últimas duas décadas sem contar que muitos municípios com mais de 50.000 (cinquenta mil) habitantes sequer possuem projetos para implantação desse tipo de transporte.

Será que o poder público acha ou deseja que o desenvolvimento não chegue até esses locais? Ou vai ser na mesmice de sempre? Esperar a clandestinidade invadir para começar a tomar alguma providência a respeito?

Implantar um sistema de transporte coletivo requer habilidade, conhecimento do setor e do sistema em si. Não é só praticar a concessão através de licitação pública ou efetuar o trabalho por gestão própria. É muito mais que isso. É preciso um amplo estudo de todos os aspectos que cercam o tema em questão. Uma verificação completa do sistema viário para adequar o tamanho do veículo a ser utilizado em determinados bairros seria um deles.

Quando vemos os coletivos e os pontos abarrotados de gente, significa que os permissionários não estão cumprindo nem o básico do contrato que permitiu que ele atuasse naquela linha, isto é, a quantidade de veículos não está de acordo com o estipulado para aquele horário.

Aumentar a quantidade de ônibus não vai “tirar” os automóveis das ruas e com isso melhorar a fluidez ou a poluição. É preciso buscar outras alternativas. Substituir a frota sucateada é uma delas, mas não é a única. É preciso facilitar o deslocamento, diminuir o tempo de viagem, aumentar o conforto, fazer uma grande pesquisa para medir o grau de satisfação e as necessidades daqueles que utilizam esse tipo de transporte no dia a dia, entre outros.

Conforto não significa dotar os carros com ar refrigerado ou assento almofadado.  Por experiência própria, nas cidades de Curitiba-PR, Florianópolis-SC, Porto Alegre-RS, São Paulo-SP, onde é bem definido o inverno e o verão, a maioria dos ônibus de grande porte, articulado, bi-articulado que fazem trajetos longos, são equipados com transmissão automática e com ar condicionado que estão desligados e com janelas adaptadas para abrir e fechar.

Os usuários não estão acostumados ou não tem o hábito do ar refrigerado o que acaba fazendo com que o motorista, por solicitação de alguns, altere a temperatura deixando o interior do coletivo uma verdadeira estufa, já que não tem circulação do ar externo.  Isto é reflexo da falta de investimento em treinamento dos condutores e cobradores.Outro dado é de que com a idade da frota avançada aliada à falta de manutenção, o equipamento passa a não funcionar.

Diferente das composições mais modernas do METRÔ de São Paulo que são equipadas com sistema de ar condicionado e a temperatura é controlada pelo Centro de Controle Operacional (CCO) conforme a ocupação dos vagões e tem cronograma para manutenção e limpeza.

A transmissão automática em coletivos urbanos é mais um item de conforto que só aqueles que já utilizaram essa modalidade de transporte é que pode avaliar. Os trancos dados pelos maus condutores ao mudar as marchas é uma verdadeira tortura, principalmente para os idosos, deficientes e crianças. É comum presenciar a queda de algumas dessas pessoas dentro do ônibus correndo sérios riscos de se ferirem gravemente.

Minimizar o tempo de viagem com a instalação de terminais periféricos para baldeação, diminuir a freqüência entre os veículos para que estes não fiquem superlotados e, principalmente fazer com que se cumpra o básico do contrato em vigor, seria o primeiro passo para melhorar o discurso daqueles que se gabam saber gerir e entender do assunto “Transporte Público ou Coletivo”.

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