Uma mulher assume vice-reitoria da Ufac – Jornal A Gazeta

Uma mulher assume vice-reitoria da Ufac

A Universidade é uma instituição relativamente recente no Brasil. E a  Universidade Federal do Acre (Ufac) é a única universidade pública do estado brasileiro do Acre. Seus campi ficam nas cidades de Rio Branco e Cruzeiro do Sul, com um número de 43 cursos de graduação e quase 8.000 alunos.

A histórida da Ufac está assim delineada: No dia 25 de março de 1964, por meio do Decreto Estadual nº 187, publicado no Diário Oficial do Estado, de 4 de abril do mesmo ano, nasceu a Faculdade de Direito (Lei Estadual nº 15, de 8 de setembro de 1964), que seria reconhecida pelo Parecer nº 660, de 4 de setembro de 1970, do Conselho Federal de Educação, e pelo Decreto Presidencial nº 67.534, de 11 de novembro de 1970.

Quatro anos depois, em 1968, foi criada a Faculdade de Ciências Econômicas. Em seguida, vieram os cursos de Letras, Pedagogia, Matemática (licenciatura plena) e Estudos Sociais (curta duração). Oficializou-se, assim, em 3 de março de 1970, o Centro Universitário do Acre, que congregava esses cinco cursos.

O Centro Universitário do Acre transformou-se em Universidade do Acre no dia 22 de janeiro de 1971, sob regime de Fundação, sendo integrado pelas Faculdades de Direito e de Ciências Econômicas. A federa-lização da Universidade do Acre seria concretizada no dia 5 de abril de 1974, por meio da Lei nº 6.025.

Neste contexto histórico, a Profª. Drª. Olinda Batista Assmar foi a única mulher a ocupar o cargo de Reitora da Ufac. Assumiu a direção da instituição num momento nacional de grandes dificuldades, com déficit de pessoal docente e técnico-administrativo. Mesmo em meio a essas dificuldades e carências, todas oriundas das mazelas do serviço público no país, a Reitora tomou para si a tarefa de sanear a Ufac, torná-la uma instituição mais produtiva e moderna. Enfrentou embates difíceis, porque sua gestão foi marcada por intensa fiscalização dos órgãos reguladores do Governo Federal. Ela respondeu a inúmeros processos acumulados no correr dos anos na Ufac, fato que teve um custo para sua gestão. Mas a tudo superou com altivez, conduta ilibada e elevado espírito acadêmico.

Na gestão da Profª. Drª. Olinda Batista Assmar a Ufac floresceu, significativamente, em variados aspectos: aumento dos cursos de gra-duação; aumento de egressos nos cursos; aumento do número de pessoal docente a administrativo; elevação do patri-mônio; ampliação de espaço físico; melhorias no aparelhamento tec-nológico; ampliação do acervo da biblioteca; infor-matização dos serviços acadêmicos; administração transparente; gestão colegiada; cursos bem avaliados pelo Enade; ampliação das modalidades de bolsas para estudantes; amplia-ção do número de bolsas; mobilidade acadêmica consolidada; novos cursos de Pós-Graduação; incentivo à qualificação dos servidores; liberdade de expressão dentro da academia e fora dela; gestão comprometida com melhorias para todos os segmentos institucionais; construção e ampliação do restaurante universitário; clima-tização de espaços físicos; melhoras no aparelhamento de salas de aula; bom sistema viário dentro do campus. Tudo isso configura as realizações baseadas na competência de cada setor, de cada área, nas competências individuais, buscando, em cada cenário, o rigor e a coerência dentro do rito indicado por profissionais compromissados. Também, imprime qualidade aos serviços, numa demonstração de compromisso, ética, responsabilidade, respeito à Academia.

Hoje, embora tenha realizado muito e modificado o perfil da Universidade Federal do Acre, que se tornou uma grande e boa instituição de ensino, ela sofre pela incompreensão de pessoas que tiveram perdas salariais por força de medidas saneadoras do Governo Federal. Mas ela não é responsável pela construção ou descons-trução de salários. Isso precisa ficar claro, ser compreendido em definitivo.  Essa iniciativa pertence ao MEC, que concede aumentos salariais ou não, por meio de seus órgãos reguladores. Em verdade, a Reitora vem lutando, arduamente, para transformar a Ufac numa instituição moderna, enxuta, transparente, produtiva. Não trabalha distribuindo cargos por simpatia, olha a academia como um todo, sem distinção ideológica.

Sua gestão teve início em 2008, tendo co-mo vice-reitor o Prof. Dr. Pas-coal Muniz, que deixou o cargo em abril deste ano para assumir importante compromisso com o Governo do Estado do Acre. Para preencher essa lacuna, a magnífica reitora empossa a quarta mulher vice-reitora na história da Ufac. A primeira foi a Profª. Me. Raimunda Coelho de Carvalho; a segunda, a Profª. Me. Carolina; a terceira, Olinda Batista Assmar. A quarta, a tomar posse, na data de hoje, é a Profª. Drª. Maria do Socorro Neri Medeiros de Souza, que assume a Vice-Reitoria até a próxima eleição, que ocorrerá, ainda, este ano.

Quem é Maria do Socorro Neri? Graduada em Pedagogia (Ufac); Mestra em Educação (UFRJ); Doutora em Educação (UFMG). Possui experiência em gestão pública. Aqui no Acre foi secretária de Assistência Social de Rio Branco (2002 a 2004); Diretora do Departamento da Criança e do Adolescente, da Secretaria do Trabalho e Bem Estar So-cial de Rio Branco (1997); superintendente estadual da Fundação LBA (1993-1994); Diretora do Departamento de Ensino Supletivo (1990-1992); Coordenadora do Programa Estadual de Formação de Professores – LOGOS II e PROFIR (1985-1990). Na administração da Ufac ela participa como Diretora de Programas e Projetos de Extensão (junho de 2011 a maio de 2012); Assumiu a Pró-reitoria de Extensão e Cultura na ausência do titular em vários momentos; Coordena o Programa Escola de Gestores da Educação Básica, que desenvolve os cursos de pós-graduação lato sensu em Coordenação Pedagógica e em Gestão Escolar. É profissional compromissada com as causas acadêmicas, ensino, pesquisa e extensão, possui bom trânsito na comunidade universitária e dialoga bem com todas as pessoas.

Com seu perfil, a vice-reitora muito contribuirá para uma gestão mais ágil e compartilhada, trabalhando na interlocução e no cumprimento de metas da política universitária, bem como corroborando no diálogo com a  comunidade universitária e regional. É profissional de trânsito livre entre os pares, por seu jeito acadêmico, educado, experiente e competente.

E, embora a Ufac esteja em greve, em decorrência de inúmeros fatores, dentre eles a perda salarial dos servidores, com salários congelados por mais de uma década, a crise presente é a do nascimento de um novo conceito, de um novo conteúdo caracterizador desta instituição denominada universidade, que não é definível ‘a priori’, mas será o resultado do embate das tendências e forças sociais, face ao desenvolvimento científico-tecnológico.

Hoje, não menos importante, a hemorragia em nossas Universidades Federais – que em sua maioria estão em greve – é, num certo sentido, uma facada na própria sociedade civil brasileira. Mesmo man-tidas pelo governo, as Universidades são por excelência instituições públicas centrais na conformação da cidadania. Este talvez seja o seu traço mais marcante. Sua autonomia e liberdade são, num certo sentido, sinônimos do grau de autonomia e liberdade de que gozam movimentos e organizações da sociedade civil, mesmo os mais pobres e excluídos, que estão segregados da atual vida universitária.

As Universidades são indispensáveis como base de participação e tecido de defesa cidadã, instituições centrais em qualquer democracia. São as Universidades que, por definição, juntam o universal ao específico, o traduzem e o recriam, segundo as necessidades e possibilidades locais. Salvemos as nossas Universidades Federais, pois isto é fundamental para que o encontro do Brasil consigo mesmo como Nação não seja irremediavelmente comprometido.

* Luísa Galvão Lessa é Pós-Doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montréal, Canadá; Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Membro da Academia Brasileira de Filo-logia. Membro da Academia Acreana de Letras. Professora aposentada pela Ufac; professora visitante Nacional Sênior (CAPES).

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