Uveíte: uma doença ocular que pode aparecer em qualquer idade – Jornal A Gazeta

Uveíte: uma doença ocular que pode aparecer em qualquer idade

A uveíte é uma doença que acomete os olhos, sendo decorrente de uma inflamação da úvea, que é formada pela íris, corpo ciliar e coróide com envolvimento freqüente do vítreo, retina e vasos sangüíneos. A uveíte pode ser anterior (irite, iridociclite), intermediária (pars planite) e posterior (coriorretinite, retinite e coroidite), podendo ocorrer em um olho ou nos dois olhos.

Para Abreu (2011) a uveíte “é um termo genérico que define não somente inflamação da túnica média do olho (úvea, que compreende íris, corpo ciliar e coróide) como também de estruturas vizinhas, como a retina, nervo óptico e corpo vítreo”.

Na concepção da mesma autora a uveíte pode ser assim classificada:

a) Uveíte anterior – quando ocorre espasmo do músculo ciliar (em forma de esfíncter, atrás da íris) que provocará dor ocular, hiperemia, principalmente ao redor da córnea, pela localização do músculo ciliar, e miose. Neste caso a inflamação acomete principalmente a íris e o corpo ciliar;

b) Uveíte posterior (retinoco-roidites, vasculites retinianas) – quando a uveíte afeta o segmento poste-rior do bulbo ocular, não havendo sintoma de dor ou sinal de hi-peremia ocular.  A inflamação acomete principalmente a coróide e/ou retina; e

c) Uveíte difusa (pan-uveítes) – quando compromete de maneira importante tanto o segmento anterior quanto posterior do olho, apresentando uma associação de sinais e sintomas das uveítes anteriores e poste-riores. A inflamação compromete o segmento anterior e o seguimento posterior do bulbo ocular. Vale acrescentar que no caso da uveíte do tipo anterior a acuidade visual é em geral pouco afetada.
As uveítes podem aparecer em qualquer idade, desde o nascimento até a velhice, e igualmente em ambos os sexos, mas são tão freqüentes no adulto jovem.

Apesar de uveíte se constituir em uma doença geralmente grave para o olho, nem sempre os profissionais consegue fazer o diagnóstico causal.

CAUSAS
De acordo com a literatura refente ao tema, as uveítes têm causas diversas, ou seja, elas podem ser de causa infecciosa (bactérias, fungos, vírus e protozoários), de causa autoimune ou ainda de causa idiopática (desconhecida).

Alguns autores indicam as causas da Uveite dividindo-as da seguinte forma:

1) De causa infecciosa: Toxo-plasmose ocular; Herpes; Sífilis; Hanseníase; Tuberculose; AIDS (HIV); Toxocaríase.
2) De causa inflamatória: Tumores intraoculares; Sarcoidose; Doença de Vogt-Koyanagi Harada; Doença de Behçet (aftas na boca, lesões genitais e uveite); Artrite Reumatóide; Artrite reumatóide juvenil ou idiopática (acomete principalmente crianças); Espondilite anquilosante (dor de coluna, uveite); e várias outras doenças menos comuns.

SINTOMAS
Para Varella (2011) os principais sintomas da uveíte são:
– hiperemia (olho vermelho);
– fotofobia (sensibilidade à luz);
– dor;
– visão turva, embaçada; e
– pequenos pontos escuros que se movimentam.

Os autores consultados indicam que esse quadro ocorre de forma súbita, ou seja, ao longo de 1 a 3 dias no máximo, e pode parecer uma con-juntivite, mas diferente da conjun-tivite, na uveite não ocorre secreção abundante e a doença não passa de pessoa para pessoa.

Outros autores assinalam que em determinados casos de uveite posterior ocorrem às chamadas “moscas volantes”, ou seja, pequenos pontos pretos que ficam flutuando na frente da visão da pessoa e que se movimentam conforme a pessoa movimenta o olho. Em outros casos, pode também ocorrer apenas à diminuição da visão sem a presença de dor ocular ou vermelhidão no olho.
 
TRATAMENTO
O paciente com uveíte merece uma atenção especial, pois quando não tratada a tempo a uveíte pode causar danos irreversíveis ao globo ocular, tais como: glaucoma, descolamento de retina, e as cicatrizes na retina que causam redução na visão.

Segundo os autores consultados a pessoa com uveíte deve ser encarada como tendo uma patologia complexa, que requer tratamento com profissio-nal especializado (oftalmologista).

Outros autores acrescentam que quando o profissional não consegue descobrir a causa, geralmente ele adota um tratamento comprovado e denominado não-específico, que inclui medicamentos que vão desde os corticoesteróides e antiinflamatórios não-hormonais, até os midriáticos e drogas imunodepressoras.

Matéria publicada pelo Instituto Benjamim Constant (2011) indica que pode ocorrer perda irreversível da visão, mesmo com o tratamento, devido ao acometimento da área central da retina que é chamada de mácula, ou próximo do nervo óptico. Contudo, caso tenha um foco inflamatório mais periférico na retina, a lesão cicatrizada não levará a uma perda visual considerável.

RECOMENDAÇÕES
Para as pessoas com uveíte Varella (2011) oferece uma lista de algumas recomendações, que serão apresentadas a seguir:
* Não se automedique;  procure um oftalmologista se seus olhos estiverem  vermelhos e doloridos;
*  Nas uveítes, o diagnóstico precoce é importantíssimo para preservar a integridade da visão;
* Faça todos os exames solicitados para determinar a causa da uveíte e respaldar o tratamento corretamente;
* Não use lentes de contato, se o quadro de uveíte não estiver controlado;
* Leve seus filhos ao oftalmologista para avaliação. Em geral, nas crianças, o quadro das uveítes é crônico e elas não reconhecem os sintomas.

É BOM SABER QUE…
Uma pessoa que desenvolve a uveíte deve fazer exames de seis em seis meses, porém ao menor sinal de embaçamento da visão ela deve procurar imediatamente seu oftalmologista.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Docente do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto da Universidade Federal do Acre – Ufac. Coordenadora Operacional do Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

 

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