Violência urbana: o que fazer? – Jornal A Gazeta

Violência urbana: o que fazer?

Quando se coloca em discussão as agruras enfrentadas pela sociedade em decorrência dos problemas advindos da brutal violência urbana, as causas mais comuns são: a pobreza ou a miséria; as desigualdades sociais; a falta duma política educacional que venha abranger o jovem na sua totalidade; mais rigor nas leis, etc. Então, entre aspas, temos as causas. E as soluções? O que fazer para, ao menos, conter o avanço inexorável da violência urbana?

A pluralidade de “idéias” ou “saídas” para a estúpida violência urbana emana de todos os segmentos da sociedade em busca de soluções para esta mazela. Nesses “debates” a pergunta é a mesma: onde está a resposta para o problema da violência? Estará em mais ação da polícia? Numa punição mais rigorosa (a pena de morte)? Em mais elevada educação? Em atitudes governamentais mais rígidas? Estas e outras interrogações são feitas por todos nós, todos os dias e em todas as horas de aflições porque passamos. Ninguém parece ter respostas para estas perguntas. As respostas, quando muito ficam no campo dos debates simplórios. Fala-se, e muito, na criação de programas de inclusão social, educação, etc. Do combate ao desemprego, à miséria, às drogas, má distribuição de renda. Mas, tudo isso é clichê mil vezes repisado sem que se tenha, contudo, soluções concretas. Alguns dizem que o sistema tributário, em vigência no Brasil, aprofunda essa desigualdade.

O que preocupa as nossas mentes é essa vocação, para não dizer maldade progressiva, do homem contra o seu semelhante. É uma violência imensurável, sem medida mesma. Parece que esse ódio ao outro já nasce e faz parte da alma da infeliz criatura “racional”. É uma maldade moral. É uma casta tão assustadora que, salvo por uma intervenção divina, diria Santo Agostinho, nos fará, desgraçadamente, sucumbir a todos. Afinal, todos sabem, os problemas que nos afligem são antes de qualquer coisa ou causa, de caráter moral. Essa moral distingue-se dos moralismos pelo seu objetivo de vida, de desenvolvimento das liberdades regradas, mas também, por sua vontade de consolidar um tecido social que, sem ela, é defeituoso. Os efeitos dessa maldade moral, segundo estatísticas recentes, retratam um quadro assustador

Se não bastasse ao cidadão o convívio com toda essa brutalidade, tem, além disso, que se moldar à ferocidade: do determinismo legal de certos governos, que vivem a favorecer uns poucos em detrimento de muitos; do partido político demagogo; da lei do mais forte contra o mais fraco; do sistema financeiro que leva o homem a ser explorador do próprio homem; dos arruinados sistemas de saúde, educacional e carcerário.

Aliás, sobre “a lei do mais forte contra o mais fraco” à luz da  teoria de Trasímaco (440-395 a.C) um sofista dos tempos da Filosofia Ática, temos a filosofia da “lei do mais forte”, a filosofia da barbárie. Para ele (Trasímaco) a lei era uma simples manifestação dos interesses das classes dominantes. Classe dominante que espreme e avilta a classe dominada, levando-a de encontro ao “paredão” das situações insolúveis.

Confesso a minha descrença e o meu pessimismo quando o assunto é debelar a violência. Estou no patamar da desilusão, e não estou só: há miríades, dezenas de milhares de brasileiros desiludidos. É uma situação endêmica, um câncer progressivo e degenerativo, que nos afeta a todos. Uma vereda sem volta.

 

HUMANISTA. E-mail: assisprof@yahoo.com.br

 

“O que preocupa é essa vocação, para não dizer maldade progressiva, do homem contra o seu semelhante”

 

Assuntos desta notícia