Você é santo/santa? – Jornal A Gazeta

Você é santo/santa?

Desde a Antiga Aliança, realizada através dos Patriarcas, Deus chama o povo à santidade: ‘Eu sou o Senhor que vos tirou do Egito para ser o vosso Deus. Sereis santos porque Eu sou Santo’ (Lv 1,44-45). O desígnio de Deus é claro: uma vez que fomos criados à sua ‘imagem e semelhança’ (Gen 1,26), e Ele é Santo, nós temos que ser santos também.

O Senhor não deixa por menos. A medida e a essência dessa santidade é o próprio Deus. São Pedro repete esta ordem dada ao povo no deserto, em sua primeira carta, convocando os cristãos a imitarem a santidade de Deus: ‘A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos, em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo’ (1Pe 1,15-16).

Não há dúvidas que a família franciscana é o seguimento da Igreja Católica que mais vezes viu um membro de suas ordens ou congregações ascenderem à honra dos altares, por meio de um exemplo de vida e santidade. Não importa se são frades, freiras ou irmãos seculares. Tampouco se deram seu exemplo com o testemunho de vida ou mesmo entregando sua vida como mártires. Os seguidores de São Francisco somam um grande pavilhão de homens e mulheres que testemunharam a Cristo, pelo modelo do Seráfico Pai.

No aniversário da aprovação da regra de São Francisco pelo Papa Honório III, no dia 29 de novembro de 1223, que confirmou solenemente a Regra de São Francisco, já verbalmente aprovada em 1209 pelo Papa Inocêncio III. E neste dia, a Ordem Franciscana recolhe-se em oração festiva para contemplar a grandiosa árvore de santidade nascida daquele livrinho que Francisco dizia ter recebido do próprio Jesus e constituía a “medula do Evangelho”.

Era esse precisamente o projeto de vida e o carisma do pobrezinho: ser sal da terra e luz do mundo, fazer reviver na Igreja o Evangelho em sua pureza, ou seja, apresentar perante os homens a vida de Cristo em todas as suas dimensões: desde a pobreza ao zelo pela salvação de todos, do anúncio da Boa Nova ao sacrifício da cruz.

Quem poderia contar a imensa multidão de Santos, Beatos, Veneráveis e Servos de Deus – se quisermos utilizar esta terminologia canônica – ou melhor ainda, de todos os irmãos e irmãs, sem nome e sem rosto, que nos limites da sua fragilidade viveram a perfeição evangélica, fazendo da regra franciscana a norma da sua vida? É um imenso capital de santidade e de amor, muitas vezes desconhecido, outras vezes esquecido, quando não mesmo desprezado pelo mundo!

São Francisco disse um dia aos irmãos, numa explosão de alegria: “Caríssimos, consolai-vos e alegrai-vos no Senhor! Não vos deixeis entristecer pelo fato de serem poucos, nem vos assusteis da minha simplicidade nem da vossa, pois o Senhor me revelou que há de fazer de nós uma inumerável multidão e nos propagará até os confins do mundo. Ele me mostrou um grande número de pessoas a vir ter conosco, com o desejo de viverem segundo a nossa regra. Ainda me parece ouvir o ruído dos seus passos! Enchiam diversos caminhos, vindos de todas as nações: eram franceses, espanhóis, alemães, ingleses, uma turba imensa de várias outras línguas e nações”.

Ao ouvirem estas palavras, uma santa alegria se apoderou dos irmãos, pela graça que Deus concedia ao seu Santo.

E eles foram homens e mulheres que nunca buscaram os altares nem mesmo tinha uma preocupação exacerbada em serem perfeitos, somente queriam amar a Deus e ao próximo.

O encontro com Jesus transformou suas vidas e eles passaram a viver desse amor que os fez suas testemunhas. Simplesmente amaram, diante de Deus reconheciam sua pequenez, mas também sabiam do quanto o amor divino lhes fazia ter paz e coragem para ir em frente no serviço de evangelizar.

O que talvez seja mais surpreendente é a enorme variedade de personalidades entre esses santos francisclarianos (aqueles e aquelas que desejavam viver o carisma de São Francisco ou Santa Clara). Eram reis e rainhas; sapateiros e agricultores; sacerdotes, bispos, freiras; soldados; juristas; professores; donas-de-casa, mulheres profissionais, políticos, sim, você leu bem: personalidades políticas, que se elevaram às alturas da santidade. Nenhuma classe tem o monopólio da santidade, embora talvez bispos e religiosos, por força da sua profissão, tenham mais frequentemente chegado à santidade.

Nosso querido Papa Francisco em sua mensagem: “A santidade é para todos” e na exortação apostólica Gaudete et Exsultate: “Se não fores capaz de suportar e oferecer a Deus algumas humilhações, não és humilde nem estás no caminho da santidade. A santidade que Deus dá à sua Igreja, vem através da humilhação do seu Filho: este é o caminho”.

Conforme afirma o Papa, os seres humanos chegam à santidade travando uma árdua batalha com eles mesmos, com a carne e com o demônio. Partem do triste estado da nossa fraqueza comum, porém, antes de morrerem, atingem a santidade pela graça de Deus.

A santificação, portanto, consiste em cada cristão se transformar numa cópia viva de Jesus, ‘um outro cristo’ como diziam os santos Padres. Jesus sofreu toda a sua Paixão e Morte para que recuperássemos diante do Pai a santidade. É o que o Apóstolo nos ensina: ‘Eis que agora Ele vos reconciliou pela morte de seu corpo humano, para que vos possais apresentar santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai’ (Col 1,22). ‘Eu sou o Senhor que vos tirou do Egito para ser o vosso Deus. Sereis santos porque Eu sou Santo’ (Lv 1,44-45). O desígnio de Deus é claro: uma vez que fomos criados à sua ‘imagem e semelhança’ (Gen 1,26), e Ele é Santo, nós temos que ser santos também. O Senhor não deixa por menos. A medida e a essência dessa santidade é o próprio Deus. Santos e Santas da Ordem Franciscana, rogai por nós!!!

 

(*) Frei Paulo Roberto,

Ordem dos Frades Menores Capuchinho – OFM Cap.

Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Petrópolis – RJ

Colaborador no Núcleo em Formação da Fraternidade da Ordem Franciscana Secular-OFS, na Diocese de Rio Branco – Acre.

Encontro todo 3º domingo do mês na Paróquia Santa Inês, às 9h.

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