A justiça nossa de cada dia – Jornal A Gazeta

A justiça nossa de cada dia

Ultimamente tenho pensado muito sobre os conceitos de justiça e em suas movimentações na sociedade atual. E eles são muitos, de Platão às Marias e Joões do século XXI, cada um sente e vive a justiça e a falta dela ao seu próprio modo e sofrimento e o mais difícil em pensar sobre ela é exatamente saber lidar com sua fluidez e letargia.
Cada um de nós tem absoluta certeza de que suas injustiças são as mais legítimas, de que suas dores são as mais urgentes. Não é falso, mas não é absoluto. Os pontos de vista individuais tornam o conceito platônico de justiça inválido. Para Platão, a justiça é uma harmonia de todas as partes em função de objetivos coletivos, de bens comuns. Quando busco a minha própria satisfação deixo de ser justo para ser parcial.
O que quero dizer é que confio plenamente nas dores individuais e na legalidade das injustiças sofridas por todo e qualquer cidadão, porém confio ainda mais na ideia de que o bem comum proporciona maiores resultados que os particulares e que é através da empatia social que nossa comunidade global pode evoluir. Nada é tão transitório quanto as verdades de que nos apoderamos e por isso devemos revisitar a cada dia nossas certezas e nos colocar no lugar do outro.
Ser justo, fazer justiça é para os que são fortes, também disse Platão, e penso que ele sabe das coisas porque fazer escolhas sábias requer muita fortaleza e muito discernimento. O Rei Salomão foi forte e sábio ao dizer que partiria um bebê em dois para dar metade dele a cada suposta mãe que o reivindicava e com essa atitude a justiça foi feita, pois a verdadeira mãe não permitiu que matassem seu filho, pois ser justo é, acima de tudo, ser leal a suas convicções e aos seus amores.
Desse modo, antes de reclamarmos por qualquer injustiça feita a nós, façamos nossa parte através dos pequenos gestos, trabalhemos a capacidade de estar no lugar do outro e tornar suas justiças as nossas justiças porque somente seremos pessoas melhores quando nos imanarmos para defendermos a justiça social, a equidade, a coletividade, o direito de todos, que também é nosso.

 

“Ser justo, fazer justiça é para os que são fortes”

Assuntos desta notícia