Fique com Deus, Neco! – Jornal A Gazeta

Fique com Deus, Neco!

Meu agora saudoso amigo Neco, nenhum apelido o resume melhor do que ‘o empresário da alegria’. Que péssima notícia a da sua morte para se receber ao acordar na manhã de uma terça-feira. A pior do dia. A pior da semana. Desde então, você não saiu dos pedidos em minhas orações, para que Deus todo poderoso acolha a sua alma nessa travessia e lhe permita distribuir ao paraíso todo o bom humor e a felicidade inseparáveis do seu espírito.
Não tenho homenagens tão graciosas como a de um ‘Troféu do Riso’, como aquele que você um dia me condecorou. Só o que tenho são lembranças. E talvez com elas eu possa transmitir a todos um pouco sobre o seu caráter alegre, vivaz e trabalhador, e também sobre o bom exemplo de vida que você nos deixou como aprendizado.
Das memórias, a mais recorrente sobre você em minha mente é essa:
Ao andar no shopping em um dia qualquer, eis que a monotonia se dissipava no ar por uma corrente bastante positiva quando eu sentia nos ombros uma cutucada. Olhava de onde veio e me deparava com aquele homem sorrindo animado, cabelos grisalhos, mas sorrindo como se fosse um garoto. Ele prosseguia com a fala: “E aí? Rapaz, tu nem sabe quem eu vou trazer no mês que vem, ó! A gente vai fazer aquele teatro tremer de tanta gente danda gargalhada!”.
Nem consigo contar quantas vezes isso aconteceu. Era quase que como um script pra nós.
Tantas outras vezes, eu estava trabalhando e esse mesmo Neco chegava na Redação. Primeiro, com o semblante exausto pelo esforço de ter que subir escadas. Depois, sumiam as feições de cansaço pelo daquele Neco empolgado por estar prestes a falar de mais um show de humor.
Por essas e outras, digo que uma valiosíssima lição você nos deixou, Neco: a vida realmente é algo muito frágil. Uma hora você a tem. É soberano dela. Mas, noutra, tudo se esvai. O jogo da existência é ardiloso demais. Vira muito subitamente. Sábios são aqueles que têm a consciência humilde de uma das maiores verdades sobre nós, meros mortais: “do pó viemos, ao pó um dia voltaremos”.
Por isso, viva. Só viva, assim como alegremente viveu meu amigo Neco! Sorria quando tiver que sorrir, e fique triste quando seu coração mandar ficar. Mas nunca se esqueça que nessa vida tudo é passageiro. Portanto, cabe a você, diante daquilo que você tem ao seu redor [seja muito ou seja pouco], saber fazer o placar das alegrias ser sempre superior ao das tristezas. Faça o placar das soluções ser maior que o dos problemas. Sorria sempre que puder e pense na sua vida como se fosse um circo com uma vaga em aberto: a do palhaço.

“Sorria sempre que puder e pense na sua vida como se fosse um circo com uma vaga em aberto: a do palhaço”

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