VOCÊ TEM SUPER PODER? – Jornal A Gazeta

VOCÊ TEM SUPER PODER?

A segregação social sempre foi um fato atemporal, sempre existiu, embora de formas diversas. Hoje é ainda mais fácil haver pessoas que parecem não fazer parte da sociedade, que atuam como meros figurantes. Isso, além de indigno para quem não é visto, é asqueroso para quem não vê. Notar alguém, socialmente, é muito mais que “perceber com a visão, alcançar com a vista, enxergar”, é congregar com todos os outros naquilo se tem de igual e de diferente. O que torna alguém invisível? O que é refletido quando deixamos de enxergar o outro?

Nas cenas da vida, naturalmente, lugares são ocupados por um ou outro ator, porém, de forma muito cruel os papeis são tratados como superiores, dignos ou inferiores e sem importância. Para os que ocupam os papeis menos prestigiados resta a invisibilidade. Esse super poder, na verdade, é uma carnavalização da própria palavra, uma vez que, segundo Michel Foucault, filósofo francês, o verdadeiro transmissor do poder é o próprio sujeito, é ele quem pulveriza os vários tipos de poderes na sociedade e por isso mesmo, o poder é uma prática social.

A relação de poder se estabelece quando um sujeito não vê o outro porque o julga diferente, inferior, desnecessário. Essa “verdade” imposta nos discursos vai sendo consolidada por meio das benesses geradas pelo próprio poder. Assim, parece que apenas quem está em posição social de prestígio produz verdades, é visto, é considerado. Porém, a repetição de discursos que parecem fazer sentido atende aos interesses da sociedade cosmética atual. Lamentavelmente, são as imagens, gestos e barulhos dos mais prestigiados que são valorizados em detrimento da vida de sujeitos, que silenciados, tornam-se invisíveis.

É fácil identificar os sujeitos invisíveis, embora eles não interessem à maioria, não sejam dignos do seu bom dia, não frequentem os mesmo restaurantes caros, não usem a sua rede social tão dignamente. Os não vistos são aqueles com os quais pode-se contar quando os discursos de poder não bastam, quando as necessidades básicas do individuo falam mais alto, quando o vermelho do sangue grita. O importante nesse enredo é saber qual lugar você ocupa e qual seu sentimento em relação e ele. Se há conforto, alguma coisa precisa ser revista. Se não, mude, movimente-se, não se conforme. Vale a pena!

Nayra Claudinne Guedes Menezes Colombo é professora, servidora pública, mestre em Letras.
E-mail: nayracolombo@hotmail.com

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