Organização de pesquisa da Costa Rica anuncia escritório no Acre

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O governador Binho Marques recebeu ontem, 26, a confirmação de que o Centro Agronômico Tropical de Pesquisa e Ensino (Catie), com sede na Costa Rica, irá instalar em Rio Branco o escritório de sua representação oficial no Brasil. Organização reconhecida pela excelência na pesquisa, ensino de nível superior e assistência técnica especializada em projetos voltados à gestão da agricultura, agroflorestação e recursos naturais, o Catie está formalizando com parcerias com o Acre especialmente em treinamento e capacitação. A informação foi repassada durante reunião entre o governador e diretores do Catie que visitam o Acre. “Para colocar os dois pés na nova economia precisamos qualificar nossos recursos humanos”, disse Binho Marques ao relevar a importância da parceria com o Catie.

Também participaram do encontro representantes de instituições de ensino e pesquisa, como o vice-reitor da Universidade Federal do Acre, Pascoal Muniz, e a pesquisadora-chefe da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em exercício, Lúcia Wadt, além dos secretários de Estado, Eufran Amaral (Meio Ambiente) e Nilton Cosson (Extensão Agroflorestal e Produção Familiar).

A missão do Catie é reduzir a pobreza no meio rural através do ensino, pesquisa e assistência técnica. O diretor da organização, José Joaquim, reafirmou o interesse em acelerar os acordos com o Acre. “É um Estado que tem uma condição diferenciada e queremos dar ao menos um grão de areia de contribuição com esse projeto”, disse Joaquim.

A parceria com o Catie poderá ajudar na redução da carência de profissionais qualificados ao novo desenho para o desenvolvimento do Acre, agora baseado numa economia de baixo carbono. Com a Ufac e a Embrapa, por exemplo, deve-se ampliar a participação de pessoal nos cursos de mestrado científico e agroindustrial.

O Catie mantém cerca de 100 projetos em 17 países e possui mais de 200 parceiros. Pelo menos 1,9 mil estudantes de 40 países já se formaram pelos projetos da organização. Desse número, 100 são brasileiros. Joaquim José presenteou o governador com um livro sobre o trabalho do Catie e um pote de chocolate amargo produzido por um empreendimento costariquenho voltado à agricultura sustentável.
O subdiretor do Catie, Ronnie de Camino Velozo, apresentou ainda ao governador um projeto de pintura em árvores como uma promoção da arte dentro da floresta, idéia bem recebida por Binho Marques.

“Recebemos pessoas do mundo inteiro, pessoas que vêem no Acre uma situação diferenciada para parcerias”, disse Binho Marques. (Agência de Notícias do Acre)

 

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Parque zoobotânico da Ufac, uns dos pontos de visita

Pesquisadores conhecem projetos de desenvolvimento sustentável do Acre

As experiências na área de pesquisa, sustentabilidade e de manejo em desenvolvimento no Acre foram apresentadas aos representantes do Centro Agronômico de Pesquisa e Ensino (Catie), com sede na Costa Rica e da Cooperação Técnica Alemã – GTZ. Com a meta de estabelecer as prioridades para definição de acordos de cooperação técnica, os visitantes conheceram as iniciativas da Universidade Federal do Acre, Fundação de Tecnologia do Acre e o Pólo Moveleiro em Rio Branco.

No Parque Zoobotânico, Andrea Alechandre, falou dos trabalhos desenvolvidos pela instituição, destacando a missão de gerar e disseminar conhecimentos e tecnologias em três grandes pilares, a biodiversidade, a ecologia e o manejo de ecossistemas e educação. Eles percorreram o arboreto, o herbário e o laboratório de sementes. “Nossas pesquisas são realizadas com seringueiros, colonos e índios. As análises do comportamento das espécies são feitas no Parque e nas comunidades”, relatou a pesquisadora.

O herbário do Parque Zoobotânico é um centro de referência da flora estadual, com 26 mil Exsicata (amostra de planta seca e prensada numa estufa) identificadas e catalogadas, disponíveis em banco de dados. As atividades do herbáreo visam detectar e identificar os padrões fitogeográficos do Acre, contribuindo para a definição de áreas prioritárias para conservação, fornecendo subsídios ao Zoneamento Ecológico Econômico.

Do Parque Zoobotânico, a comitiva seguiu para a Fundação de Tecnologia do Acre, onde puderam conhecer um pouco mais das áreas de pesquisa em curso desta vez pelo governo do Estado. A diretora técnica da Funtac, Tânia Guimarães, explicou as ações da instituição nas áreas de geoprocessamento e sensoriamento remoto, desenvolvimento de produtos naturais, energias renováveis, tecnologia da madeira e de treinamento e capacitação em manejo florestal do Acre na Floresta Estadual do Antimary.

No Centro de Geoprocessamento, a equipe da Funtac falou da unificação das atividades de sensoriamento remoto para planejamento, diagnóstico, análise e monitoramento de atividades econômicas que geram impactos ao meio ambiente. Já no laboratório de produtos naturais os visitantes puderam conhecer o trabalho da Funtac de utilização de plantas medicinais pelos povos da floresta. “Nosso objetivo é apoiar as populações tradicionais, pequenos produtores desenvolvendo pesquisas tecnológicas em produtos naturais”, enfatizou Tânia Guimarães.

A agenda inclui ainda a visita da comitiva no Pólo Moveleiro, espaço implementado para reunir em um mesmo espaço várias indútrias que desenvolvem seus produtos com madeira certificada. A fabricação de móveis certificados tem ganhado destaque na economia acreana. Um dos grandes diferenciais do Pólo Moveleiro demonstrado aos visitantes é a certificação pelo Programa SmartWood da Rainforest Alliance, segundo as normas da Cadeia de Custódia do FSC, que garante a rastreabilidade da matéria-prima florestal utilizada no produto, desde a extração na floresta até o produto final.

“Estou muito impressionado com a visão estratégica das instituições de pesquisa e ensino e do Governo do Estado. Eles têm muita claridade em saber onde querem chegar e possuem boas condições para isso”, destacou o diretor do Centro Agronômico de Pesquisa e Ensino, José Joaquín.

O diretor disse ainda que foi surpreendido com as experiências em curso no Estado. “São grandes as contribuições que o Catie pode trazer ao Acre, através de convênios de cooperação técnica nas áreas de treinamento, capacitação, pesquisa, implementação de projetos no campo em diferentes temas como manejo, gestão sustentável, uso de recursos não madeireiros. O Acre tem capacidade de demonstrar que é possível o desenvolvimento sustentável, com a conservação da floresta, e a melhoria das condições de vida das pessoas que moram na floresta”, conclui o representante do Centro.  (Assessoria)

Foto:( Secom)

 

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