Feliz Aniversário, Rio Branco!

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A Capital do Acre comemora amanhã 127 anos. Fundada em 28 de dezembro de 1882 pelo cearense Neutel Maia, Rio Branco, apesar de sua longevidade, ainda deixa seus mais de 300 mil moradores conviverem com o que há de mais atrasado quanto à sua estrutura urbana e, ao mesmo tempo, usufruir dos mais modernos conceitos da engenharia e da arquitetura oferecidos para a estrutura de cidades.

Nascida às margens do Rio Acre – como foi à criação da grande maioria das cidades amazônicas – hoje Rio Branco despeja toneladas e mais toneladas de lixo e esgoto no manancial que lhe deu origem. O mesmo rio que outrora fora a principal fonte de sobrevivência de seus moradores, servindo como a única “estrada”, agora todos os anos desabriga milhares de moradores dos bairros mais pobres.

Em resumo, Rio Branco tornou-se uma cidade de paradoxos, contrastes gritantes. Um dos exemplos está no trânsito. Com uma das frotas que mais cresce no país, a Capital sofre com os congestionamentos quilométricos. O problema se agrava com as ruas e avenidas estreitas, fruto de um crescimento desordenado e sem planejamento. Carros, ônibus, caminhões, ciclistas e pedestres dividem os poucos metros quadrados disponíveis.

Além disso, a mentalidade de boa parte desse conjunto humano que forma essa convivência urbana ainda está no século passado. Pedestres insistem em não andar nas calçadas, e preferem se arriscar ao dividir o espaço das estreitas ruas com os carros. Uma herança cultural de nossos seringueiros antepassados, dizem os mais antigos. Outro problema está nos motoristas; dirigem como se estivessem nas ruas de barro da Rio Branco da década de 1970.

Barro, aliás, é o típico solo que ainda faz parte do cotidiano de uma significativa parcela da população. Durante os meses do “verão amazônico”, a poeira invade as casas, deixando-as brancas de pó. No período de chuvas a situação é mais calamitosa. O povo precisa, literalmente, meter o pé na lama para chegar ao destino. Ainda é comum encontrar na centenária Capital pessoas com sacolas nos pés para não sujá-los.

Mas o Centro de Rio Branco não deixa nada a desejar – para inglês ver. Uma arquitetura moderna que não deixou de lado as tradições das primeiras construções dá um certo ar charmoso à Capital. Locais históricos que por anos ficaram abandonados foram revitalizados. De uma cidade decaída, feia, suja e decrépita, em 2009 Rio Branco recebe outros adjetivos por parte de quem a visita: limpa, agradável, prazerosa…

 

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