PM gasta R$ 300 mil com passagens e R$ 96 mil com fardamento

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A Polícia Militar do Acre gasta mais seus recursos com a compra de passagens do que com a aquisição de fardas para seus homens. É o que mostra contratos de licitação publicados na semana passada no Diário Oficial. Enquanto que a força desembolsou R$ 300 mil para adquirir bilhetes das empresas de transporte, o dispêndio para reforçar o estoque do fardamento policial foi de R$ 96 mil. A falta de uniformes é uma das principais reclamações dos militares da tropa.

O contrato das 300 fardas compradas tem vigência de 23 de março a 31 de dezembro; já a das passagens valem até o final de 2010. Pelo estatuto interno da corporação, cada policial militar tem direito a dois uniformes completos por ano, que inclui calça, gandola e chapéu. Procurado por A GAZETA, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Romário Célio, disse que não há disparidade nos gastos entre fardamento e passagens.

“Quem tem o controle de todas as passagens sou eu. Nenhuma é cedida sem minha autorização. Se houver alguma irregularidade, para isso existe o Tribunal de Contas”, disse ele. Para viagens internacionais, a PM gastará R$ 20 mil. Já para deslocamentos dentro do país, o desembolso foi maior: R$ 220 mil. Com poder de atuação somente dentro do Acre, o comando liberou apenas R$ 50 mil nos trechos intermunicipais.

Célio citou o caso do assalto ao Banco do Brasil de Feijó (360 km de Rio Branco) como exemplo da necessidade dos gastos com passagens. Mas o deslocamento da tropa em busca dos bandidos ocorreu em carros e microônibus da própria PM. Além disso, a recente aquisição do helicóptero Comandante João Donato auxilia o transporte dos policiais. 

Atualmente, a PM tem 2.180 homens na ativa. Portanto, é necessária a aquisição de 4.360 uniformes por ano. A entrada dos novos 600 soldados obrigará a compra de mais 1.200 fardas anualmente. Se o reforço do efetivo representará mais desembolso com a vestimenta, o mesmo não precisa ser feito durante os oito meses do curso de formação de soldados.

Cada aluno teve que tirar do próprio bolso para comprar as roupas necessárias para as aulas. O valor médio ficou acima de R$ 200. O não uso implica em desclassificação e até expulsão dos futuros soldados. O dinheiro gasto na compra das passagens seria suficiente para adquirir 1,3 mil fardas, incluindo os coturnos. O número é suficiente para vestir os novos soldados, e ainda deixando algumas de sobra.     

 

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