Falta de médicos causa dor e sofrimento à população de Sena Madureira

Apenas um médico se reversa para fazer as visitas nos leitos, ambulatório e atender as emergências

Crianças chorando pelos corredores, pessoas se contorcendo de dores pelo chão e muita reclamação no Hospital João Câncio Fernandes, em Sena Madureira. Um quadro deprimente e de revolta para quem chega ao local, que só dispõe de um médico de plantão para atender também os moradores de Manoel Urbano, Santa Rosa do Purus e do município de Boca do Acre.

Somente em Sena Madureira moram cerca de 40 mil pessoas, que não têm nem mesmo como procurar assistência em outras entidades públicas ou particulares, já que o João Câncio Fernandes é o único hospital do município.

O hospital de Sena foi reformado há pouco tempo, além de ter recebido muitos equipamentos. A limpeza, a alimentação, a fartura de medicamento também são destacados pelos funcionários e pelas pessoas atendidas na instituição.

“Mas quando a gente procura um médico é a mesma coisa que encontrar uma agulha no palheiro”, diz uma servidora, que relata o sofrimento das pessoas que precisam de atendimento, e também dos médicos, que segundo ela, estão estressados devido aos extensos plantões.

A reportagem da ContilNet esteve em Sena Madureira e fez o flagrante de crianças chorando com dor no ouvido; outras com sintomas da dengue choravam nos corredores. Um homem sentado no chão reclamava da demora no atendimento. “Estou vendo a hora morrer aqui mesmo”, disse em tom de desespero.

A menina Ana Cássia Arantes Nunes da Silva, de apenas cinco anos de idade, disse que estava sentindo muitas dores e que só queria ser atendida por um médico para retornar à sua casa. Na mesma situação encontrava-se Geane Oliveira da Silva, 12, que não conseguia conter as lágrimas.

Um médico para fazer tudo

O médico de plantão tem que fazer as visitas aos leitos, ambulatório e atender as emergências. “Apesar de gostar demais de Sena Madureira, que tenho como minha terra, estou para pedir demissão e ir embora. Estou cansado de promessas. Nesse concurso tão propalado, só foram contratados dois médicos para um município que é o maior terceiro do Acre. O Ministério Público bem que podia interferir”, disse um conceituado médico do hospital.

“Imagine quando tem duas mulheres na sala de parto, os doentes chamando nos leitos e o hospital lotado de gente nos consultórios”, completou um enfermeiro.

De acordo com dados do setor de atendimento ao público, cerca de 150 pessoas são assistidas diariamente no hospital. Além de Sena, os municípios de Manoel Urbano, Santa Rosa e Boca do Acre, no Amazonas, também procuram assistência médica no local.

Direção garante a contratação de médicos

Ao falar com a reportagem, a diretora do hospital, Antonia Gadelha disse que o Governo do Estado está providenciando a contratação de mais médicos para o próximo mês. “O governo fez um concurso público para contratar mais médicos, enfermeiros e outros servidores. Eles já estarão trabalhando no mês de maio”, garante.

Hospital é um dos mais bem equipados do Acre
Apesar dos problemas que vem enfrentando com a falta de médicos, o João Câncio Fernandes é uma das instituições da Secretaria de Saúde do Governo do Acre que mais se destaca quando se trata de organização, abastecimento de remédios, limpeza e alimentação.

O setor administrativo do hospital recebeu nota 8,9 em uma avaliação feita pela Sesacre, ficando, portanto, em primeiro lugar entre todos os hospitais da rede pública do estado.

Quem conhece o interior do João Câncio, como a sala de parto, leitos, farmácia e sua cozinha, fica impressionado com a organização e a boa estrutura nestes setores. Os modernos equipamentos adquiridos nos últimos anos para atender emergências têm ajudado a salvar vidas de pessoas que chegam de vários lugares da região do Purus.

“Todos sabem que o hospital de Sena é bem estruturado no que se refere a equipamentos, medicamentos e alimentação. Mas não adianta ter tudo isso se não tiver médicos para atender a população”, diz o vereador Josandro Cavalcante (PSDB).

Ao avaliar a situação do João Câncio, o vereador observa ainda que o hospital vem se sufocando com a grande demanda que recebe dos postos de saúde. “Muitos profissionais contratados pelo programa Médico da Família não cumprem seus expedientes nos postos, e ao tentarem atender também no hospital, onde são contratados, levam com eles a demanda”, acusa.

O parlamentar diz que os médicos contratados pelo estado e pela prefeitura não têm como atender em dois lugares ao mesmo tempo. “Então, eles chegam nos postos, ficam por alguns instantes e vão para o hospital, levando a demanda”, denuncia.  (Agência ContilNet)
 

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