Procissão do “Cristo Morto” leva mais de 30 mil fiéis às ruas

A tradicional procissão do “Cristo Morto”, realizada sexta-feira, 2, reuniu mais de 30 mil fiéis católicos. Meditando o sofrimento de Jesus Cristo até a sua morte na cruz, crianças, jovens, casais e idosos, percorreram as principais ruas do Centro da Cidade, cantando e fazendo orações pelos mais necessitados.Procissao1
Antes da procissão, considerado o maior evento religioso do Acre, os fiéis lotaram a Catedral Nossa Senhora de Nazaré, onde foi realizada a leitura da Paixão e Morte de Jesus. Numa celebração emocionante, presidida pelo bispo dom Joaquín Pertiñez, os fiéis reviveram os principais momentos do martírio de Cristo.  Descalços, com velas nãos, alguns carregando tijolos, carteiras de trabalho e outros objetos, os fiéis aproveitaram a procissão para pagar promessas e pedir uma graça. “Esse é um momento de agradecimento e meditação, mas estou aproveitando para pedir uma graça especial que é conseguir um emprego”, comentou o jovem Fabiano Carvalho, 23 anos. 

Para o padre Mássimo Lombardi, reitor da Catedral Nossa Senhora de Nazaré, a procissão  é um momento importante para que os fiéis possam meditar todo sofrimento de Jesus, que se entregou para salvar a humanidade.  

Logo após a procissão, os fiéis se reuniram na Praça da Revolução, onde aconteceu a encenação da Paixão e Morte de Jesus Cristo, com jovens artistas acreanos que emocionaram o público.
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No interior do Estado centenas de fiéis também foram às ruas para meditar todo sofrimento de Jesus Cristo. Em Brasiléia, os católicos percorreram várias ruas meditando a Via Sacra de Jesus. 

As celebrações do Tríduo Pascal encerram neste domingo com o Alvorecer da Ressurreição, que acontecerá na Concha Acústica do Parque da Maternidade, a partir das 5 horas. Nas comunidades acontecerá a Missa da Páscoa.

Caminhada de fé e gratidão 
Procissao2Enquanto alguns fiéis se concentraram na Catedral Nossa Senhora de Nazaré, milhares de pessoas caminharam por mais de duas horas, saindo dos vários bairros. Romeiros que se esforçaram para relembrar todo sofrimento de Jesus Cristo. 

“Saí da Sobral, mas estou firme, pois sei que o meu Senhor sofreu muito para nos salvar. Isso é uma prova de amor àquele que é um exemplo de serviço aos mais pobres e necessitados”, disse emo-cionada dona Dária Feliciano, de 58 anos.  

A caminhada para quem saiu das Paróquias começou às 16 horas. Muitos não escondiam o cansaço, mesmo assim permaneciam fortes durante todo o percurso da procissão. 

Nem mesmo o forte sol no início da caminhada e a chuva fraca no final da procissão desanimaram aqueles que num gesto de gratidão decidiram caminhar por algumas horas, meditando sobre o caminho percorrido por Jesus Cristo até sua morte na Cruz. 

Muitos vieram da zona rural para acompanhar a procissão do “Cristo Morto”. Domingos Ribeiro saiu do Seringal Catuaba, por volta das 14 horas. Acompanhada de sua esposa e de seus três filhos, ele acompanhou a leitura da Paixão e Morte de Jesus, em seguida participou da procissão. 

“É uma caminhada longa, mas que nem sentimos cansaço. Quando lembramos o sofrimento de Jesus, renovamos nossa força. Estou aproveitando para pedir proteção para minha família”, disse ele.

Procissão do Senhor Morto
Procissao3Essa celebração dramática acontece na Sexta-feira Santa. Prepara-se um Calvário com o Senhor crucificado, acompanhado de algumas figuras bíblicas.  

Em geral, aparecem a figura de Maria, Mãe de Jesus, caracterizada como a Senhora das Dores. Tem-se o costume de se colocar Maria Madalena, Verônica, São João apóstolo e outros.  

O corpo de Jesus é simbolizado pela imagem. Em silêncio, e com muita dor e piedade, é acompanhado em procissão pelas pessoas.  
A procissão é  seguida em silêncio, ao som das matracas e com cânticos de dor e piedade. A devoção popular faz dessa celebração o ponto alto da Semana Santa. Todos acompanham e rezam como se fosse de fato um enterro real.  

Há ainda o costume de se beijar o Senhor Morto após a chegada à Igreja, com clima de piedade, tristeza e meditação.  

Existem algumas tradições populares que são marcantes na Sexta-feira Santa. Ao meio do dia santo, muitos já vão à Igreja para o beijar o Senhor Morto. Geralmente é uma imagem de tamanho natural, com cabelos naturais, que está deitada num esquife, com lençol e fronha bordados de roxo.

 

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