Na raça, Grêmio vira sobre Santos e joga pelo empate na Vila, 4 a 3

Grêmio e Santos protagonizaram nesta quarta-feira um dos jogos mais emocionantes do futebol brasileiro na temporada. Sete gols, emoção de sobra e muita luta. O Tricolor gaúcho larga em vantagem na primeira parte da semifinal da Copa do Brasil. Depois de uma etapa inicial trágica, quando sofreu dois gols e viu o Olímpico praticamente ruir, o time de Silas se recuperou nos 45 minutos restantes, virou o jogo e fez 4 a 3. Borges, três vezes, e Jonas deixam a equipe azul mais perto da decisão. Mas o Peixe, que não contou com Neymar (suspenso) no Sul, ainda tem gás de sobra. Com dois de André e um de Robinho – este quando o jogo estava 4 a 2 – os Meninos da Vila têm boas chances de avançar.

Na quarta-feira que vem, na Vila Belmiro, o Grêmio joga por qualquer empate. o Santos precisa de uma vitória simples (1 a 0) ou por um gol de diferença (até 3 a 2). A repetição do placar de Porto Alegre leva aos pênaltis. A partir de 5 a 4 dá Grêmio.

Pelo Brasileirão, os dois times voltam a jogar neste domingo. O Grêmio recebe o Corinthians, no Olímpico, e o Santos pega o Ceará, na Vila. Ambos serão às 16h (de Brasília).

Ganso, André e Felipe: Santos em vantagem

Não deve ser nada agradável olhar para o outro lado do campo e ver o Santos, que fez mais de cem gols no ano, como adversário – mesmo sem Neymar, suspenso. Encarar um clube copeiro como o Grêmio, tetracampeão da Copa do Brasil, também não parece ser a melhor das visões. Os primeiros 90 minutos da semifinal começaram sob intensidade máxima. Violência também. Ora os gaúchos batiam, ora os santistas chegavam com um pouco mais de força.

Sem Neuton na lateral esquerda, Silas mudou o esquema. Passou do 4-4-2 para a formação com três zagueiros. Mário Fernandes pela direita, Ozeia centralizado, e Rodrigo na esquerda. Edílson assumiu a ala direita, e Hugo, a esquerda. A intenção do treinador gremista era proteger Rodrigo, pendurado com dois cartões amarelos. Conseguiu por curtos 12 minutos. Foi o tempo que Paulo Henrique Ganso precisou para aparecer. Depois de se livrar de um adversário com um lindo chapéu, recebeu falta muito dura do defensor. Punido com cartão amarelo, Rodrigo não joga a partida de volta.

Ganso não fez gol. Nem precisava. Foi o dono do primeiro tempo: toques precisos, classe, visão. O garoto é a categoria em pessoa. Não recebeu marcação especial. Talvez tenha sido o maior erro de Silas. A defesa gaúcha também falhou. Aos 15, o goleiro Victor saiu mal na cobrança de escanteio, ninguém conseguiu cortar a bola, e André apareceu livre na segunda trave para cabecear. Sétimo gol dele na Copa do Brasil.

Foi como um soco no estômago para o Tricolor. A torcida cantou, tentou empurrar, mas o time sentiu. Faltou ar. Aos 20, Douglas perdeu a bola para Ganso no meio-campo, e o camisa 10 fez lindo passe para André. Na cara do gol, o atacante bateu com categoria e frieza: 2 a 0. Um silêncio cortante feriu o Olímpico por um minuto. Foi quando Willian Magrão arrancou pouco depois do meio-campo para tentar resolver. Acabou parado com falta na grande área. Pênalti para Jonas cobrar. Autor de sete gols em sete jogos na Copa do Brasil, o atacante vacilou. Bateu mal, no centro, e o goleiro Felipe defendeu. Aparecia a terceira peça fundamental do time de Dorival Júnior na partida.

Abalado, Silas voltou ao 4-4-2. Edílson foi jogar na lateral esquerda, Mário ficou na direita, e Hugo no meio. Em nenhum momento o Grêmio se omitiu. Chegou com Adilson, Edílson e Borges. Todos com chances claras. Felipe fez milagres. Pegou chute quase da pequena área, colocado no cantinho e bomba de primeira. O Peixe poderia ter liquidado o adversário e até a classificação para a final. Marquinhos ficou na frente de Victor e desperdiçou. Aos 32, quase um gol monumental. Ganso recebeu de Robinho na área, encobriu Victor com uma cavadinha, mas a bola foi teimosa e acertou o travessão.

Douglas, Jonas e Borges: Grêmio vira. Robinho deixa o Peixe vivo

O Grêmio soube controlar os nervos na volta do intervalo. Silas não fez mudanças, mas organizou o time. Sangue frio conta muito numa decisão. O Tricolor soube esperar um vacilo santista para diminuir a vantagem. Aos 12, Douglas recebeu passe na área, tentou bater de esquerda, e a bola sobrou para Borges. Oportunista, o camisa 9 foi rápido o suficiente para se livrar da marcação e marcar: 2 a 1. Não parecia dia de avalanche, mas só parecia.

O Grêmio tem três jogadores fundamentais: Douglas, Jonas e Borges. São a engrenagem do time. E quando ela funciona é difícil parar. O combustível é a euforia de uma torcida apaixonada, que quer de qualquer jeito a quinta Copa do Brasil. Aos 18 minutos, o meia recuperou a posse de bola no meio-campo e lançou Jonas na ponta direita. O atacante rolou para o companheiro na área, e Borges não deixou barato. Chute seco, de primeira, sem chances para Felipe. Era o 2 a 2, e o Olímpico tremia.

Jonas sabe fazer muito mais do que servir bem. Não se abateu pelo pênalti perdido no primeiro tempo. Compensou com um gol sensacional, aos 22. Ele recebeu a bola na entrada da área e não pensou duas vezes. Bateu na gaveta de Felipe. Pobre Felipe. O Olímpico explodiu, os jogadores do Grêmio correram pelo gramado sem rumo, eufóricos: virada com a cara do Imortal. Melhor apelido não haveria neste instante.

O Santos nem de longe parecia aquele time temido, absoluto. Ganso sumiu, André não foi acionado. Robinho pouco apareceu. Os Meninos da Vila acusaram o golpe. O Tricolor aproveitou. Aos 30, em jogada ofensiva pela esquerda da área, Borges ficou na cara de Felipe e bateu colocado: 4 a 2, e Santos no bolso.

Mas quem tem Ganso e Robinho não está desamparado. Aos 37, o camisa 10 encontrou o atacante da seleção brasileira na área e lançou. Domínio no peito e bola na rede: 4 a 3. Gol que mantém o Peixe bem vivo. O Grêmio terá vantagem na Vila Belmiro. Vai ter volta? (Globo Esporte)

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