Ponte metálica na fronteira compromete interligação com Pacífico

A estreita e arcaica ponte de ferro sobre o Rio Acre que interliga as cidades de Epitaciolândia e Brasiléia, na fronteira com a Bolívia, põe em risco o fortalecimento das ligações comerciais brasileiras com o mercado asiático a partir dos portos peruanos do Pacífico. A ponte está na rota da Estrada Interoceânica, prevista para ser inaugurada até o final do ano.

O alerta sobre os riscos que a falta de uma ponte mais bem estruturada por acarretar é dado por Sebastião Fonseca, diretor da FNE (Federação Nacional dos Engenheiros) na região Norte. Esse será um dos temas a ser discutido durante o 2º Fórum de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, que acontecerá entre os dias 24 e 6 de junho em cidades da Amazônia brasileira e dos Andes peruano.

Durante 15 dias, especialistas vão debater a nova atuação da engenharia diante do desafio de se desenvolver sem agredir o ambiente. Para Fonseca, o Acre precisa aproveitar o boom de desenvolvimento que acontecerá a partir da Estrada do Pacífico. Através da rodovia, o país encurtará a distância com um de seus principais parceiros comerciais: a China.

“A engenharia tem uma relação direta com o modelo de desenvolvimento que quer se implementar na Amazônia”, diz Fonseca. Na avaliação dele, caso o projeto de sustentabilidade não atinja diretamente quem está na base da pirâmide social pouco sucesso será obtido. Além da rodovia, outra aposta que impulsionará o crescimento da região é a construção das usinas hidrelétricas do Madeira.

Segundo Fonseca, as usinas seguem um modelo de engenharia diferente das construídas no passado, quando os impactos ambientais provocados pela obra não eram levados em consideração. Para ele, não há dúvidas: “As construções na Amazônia devem ter um diferencial em sua concepção”.

A partir das discussões rea-lizadas ao longo do fórum, se terá um esboço de como a engenharia pode, de fato, contribuir para que a Amazônia se desenvolva sem ter sua riqueza natural destruída.

Com uma das maiores incidências de raios solares do país, o Acre não faz o uso de energia solar, dependendo totalmente da gerada nas usinas hidrelétricas. Fonseca avalias que as próximas construções na região devem aproveitar essa fonte natural, assim como conciliar o concreto com outra riqueza da região: a madeira. “Não podemos mais aceitar prédios inflados só de cimento e depois espalha ar-condicionado por todas as salas”, analisa ele.

Realizado pela FNE, o fórum conta com o apoio das principais entidades da engenharia e de pesquisa do país e do Acre e terá um custo total de ao menos R$ 800 mil. 

 

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