Bocalom é o primeiro pré-candidato ao Governo entrevistado pela GAZETA FM

Na primeira entrevista, ontem, com os pré-candidatos ao Governo do Acre, Tião Bocalom (PSDB) tratou dos seus planos básicos numa eventual vitória eleitoral. Evitou fazer promessas, mas garantiu que o seu primeiro ato será a criação de uma Controladoria Geral do Estado para a apuração de atos de corrupção que possam acontecer com a sua equipe de governo.
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Bocalom respondeu perguntas formuladas pelos jornalistas Elia-ne Sinhasique e Nelson Liano Jr. e ainda algumas dos ouvintes do quadro Boca no Microfone, na Gazeta FM. Hoje será vez do pré-candidato Rodrigo Pinto (PMDB) ser sabatinado. Na sexta-feira, a entrevista será com Tião Viana (PT). O quadro no Boca no Microfone vai ao ar das 15h às 16h, na 93,3 FM.

A qualificação para ser governador do Acre  
O pré-candidato explicou a sua motivação para postular o cargo executivo acreano. “Quero governar o Acre porque já fui prefeito de um pequeno município que começamos do zero e o fizemos um lugar produtivo. Ganhamos vários prêmios como prefeito na área da educação e da saúde e mostramos que com pouco dinheiro podemos fazer muitas coisas. Acrelândia foi criada, em 1992, pelo governador Edmundo Pinto e acabei sendo o primeiro prefeito.

 Atualmente o município exporta banana, leite e café e já foi o que mais gerou empregos no Acre, entre 2001 e 2005, segundo os números da Firjan. No ano de 2006, fomos considerados a melhor saúde do Estado. Então, estamos bem preparados para governar o Acre porque entendemos os problemas do Estado. Tenho certeza que as pessoas mais humildes ficarão muito satisfeitas dentro de um governo nosso”, ressaltou.

Modelo Econômico
Bocalom fez críticas ao atual modelo de desenvolvimento do Estado. Também explicou as mudanças que pretende fazer. “Quem é que já viu um pastor de uma grande igreja sem antes ter passado por uma pequena? Quem já viu um diretor de uma grande empresa sem antes ter passado por uma pequena empresa? Já fui vereador no Paraná e prefeito três vezes de Acrelândia e depois fui secretário de Agricultura do Governo da Floresta, entre 99 e 2000.

O trabalho que deixei na Agricultura é lembrado até hoje. Esse modelo da Florestania não melhorou a qualidade de vida da população. Existiam 28 mil famílias abaixo da linha da pobreza no Acre e hoje ultrapassam o número de 62 mil famílias. Naquele momento foram prometidos 40 mil empregos e hoje temos mais de 150 mil desempregados. Continuamos a importar os produtos alimentares básicos do Estado e gerando emprego lá fora. Mesmo com todo o dinheiro emprestado a gente não viu uma melhoria.

Precisamos aproveitar as terras férteis para que a gente possa produzir os alimentos. Não teremos indústria de café se não tivermos o café, indústria de banana sem banana. Acredito muito na nossa terra. Nós poderemos, inclusive, dobrar o nosso rebanho bovino de corte e de leite sem derrubar uma árvore. Dá para fazer uma grande revolução no Acre porque a economia acreana é baseada simplesmente no contracheque público e sou contra isso porque sou da iniciativa privada. Precisamos de políticas governamentais confiáveis para que as pessoas que tenham dinheiro daqui e de fora invistam no Acre para ganhar dinheiro”, disse ele.

Recursos próprios
Bocalom não soube responder quanto de recursos próprios o Governo tem para a sua manutenção. Mas explicou o que pretende fazer para melhorar o aproveitamento da receita do Estado. “O ICMS está em torno de R$ 40 milhões por mês. Não tenho noção do valor do Fundo de Participação do Estado (FPE). Mas acho que não tem muito dinheiro porque todas as obras que a gente vê no Acre não têm recursos próprios. Elas são feitas com dinheiro do BNDES, FAT e convênios com o Governo Federal. Se tem dinheiro a gente não está vendo ser aplicado. É preciso gastar melhor o dinheiro do povo acreano”, revelou.

ICMS sobre a energia
O tucano se comprometeu a fazer um estudo para uma possível redução do ICMS sobre as contas de energia elétrica no Acre. “O ICMS da conta da minha casa dá em torno de 36%. Não tenho dúvida que vamos criar as condições para reduzir os encargos para a população. A energia elétrica está muito cara. É um serviço essencial e temos que fazer um grande estudo nesse sentido para mudar a situação”, comprometeu-se.

Segurança Pública
Um dos temas que deverá ser mais debatido durante a campanha ao Governo foi analisado por Bocalom. “Andando pelo Acre tenho conversado com delegados e policiais que reclamam das condições de trabalho. Chego às delegacias e a impressora está quebrada e não se consegue registrar um Boletim de Ocorrência. Tem que melhorar o ambiente de trabalho desses policiais que reclamam que não ganham nem farda e nem munição. Tanto a Polícia Militar como a Civil. Vejo a Segurança Pública como essen-cial. O grande reclame é que as casas são assaltadas e um policial federal me falou que é simples prender os assaltantes. É só pegar as digitais. Se isso for feito vai dar certo porque pegando o primeiro chega-se aos outros. Precisamos de mais gente e de um serviço de inteligência funcionando”, argumentou.

Concurso público
Indagado sobre se demitiria cerca de 12 mil pessoas que fazem parte dos grupos de trabalho do Governo, Bocalom, justificou: “o que não dá é continuar contratando uma quantidade enorme de empresas privadas ou cooperativas sem os direitos trabalhistas em lei. A questão não é colocar o pessoal na rua, mas aproveitá-los onde a gente precisa. O que não se pode é ter excesso de gente na máquina pública. Se for necessário manteremos os que estão e contrataremos os que forem necessários. Vai depender das necessidades do Estado. O nosso trabalhador precisa de segurança no seu emprego. Pretendo fazer novos concursos públicos e contratar empresas que paguem os direitos dos funcionários, ressaltou.

Saúde pública e saneamento básico
O pré-candidato avisou que pretende contratar mais médicos para trabalharem na Saúde do Estado. “Precisamos pagar bem os profissionais para que eles possam permanecer no Estado. Também quero fazer parcerias com todos os municípios para criarmos um programa de Saúde da Família para desenvolver a medicina preventiva. Não adianta querer tratar o cidadão depois que está muito doente. É preciso reverter essa lógica”, salientou.

Bocalom também opinou sobre a questão do esgotamento sanitário no Estado. “O Acre é o estado brasileiro que tem o menor índice de esgotamento sanitário do Brasil com menos de 14%. A grande maioria na Capital. Vamos fazer parce-rias com prefeituras e o Governo Federal para que a gente possa fazer o maior número de tratamento de esgoto em todo o Estado. Vamos correr atrás disso e o Governo Federal tem muitos recursos para essa finalidade. São coisas que ficam debaixo da terra, mas que ajudam a população”, explicou.

Equipe de governo
Indagado sobre os nomes que comporiam uma eventual equipe de governo, Bocalom, preferiu falar da filosofia que adotaria. “Precisamos que as pessoas estejam comprometidas com a seriedade, honestidade e transparência. Que a imprensa seja livre e possa denunciar para que se for verdade a gente possa afastar os responsáveis. Quando assumir o governo vou criar uma Controladoria Geral do Estado para poder ajudar o Tribunal de Contas do Estado a tomar providências quando alguém denunciar que tem superfaturamento ou qualquer outro tipo de sacanagem. A gente vai colocar a CGE para que a coisa aconteça”, argumentou.
 
Educação
Outra questão tratada pelo pré-candidato foi a Educação. “A primeira coisa que senti como professor foi a dificuldade de lidar com certos problemas na sala de aula. Coisas sérias que acontecem no dia-a-dia. As crianças têm problemas e o professor precisa passar conteúdo e também precisa ser psicólogo. Vamos criar um programa de apoio social em todas as escolas do Estado. Psicólogos e assistentes sociais para resolver os problemas dos alunos. Hoje 40% dos professores estão estressados por causa dos problemas das salas de aula. Vai ser um projeto fortíssimo e os professores trabalharão mais aliviados. Também queremos implantar uma universidade estadual e vamos criar escolas técnicas. Vamos chamar todas as pessoas envolvidas na Educação para fazer uma grande discussão”, finalizou.

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