Serra diz que vai querer PT e PV no governo se for eleito

No primeiro encontro entre os três principais pré-candidatos à Presidência da República, o tucano José Serra disse que pretende ter o PT e o PV em seu governo caso seja eleito. O tucano, Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) ficaram lado a lado durante o congresso anual da AMM (Associação Mineira de Municípios), em Belo Horizonte. Eles responderam a questões da entidade, sem poder fazer perguntas entre si nem réplica.
O debate foi morno e marcado pela estratégia dos três de evitar polêmicas e bate-boca. Na entrada do encontro, professores da rede estadual de ensino tentaram agredir Serra e houve tumulto. O aceno de Serra ao PT e ao PV faz parte da estratégia do tucano de não assumir o papel de candidato de oposição a Lula. A “deixa” foi uma fala de Marina, que disse que o PSDB foi refém “do que há de pior no DEM”, e que o PT “ficou refém do que há de pior do PMDB”. E concluiu: “É preciso ter a ética dos valores acima da ética das circunstâncias”.

Para petistas, “é conversa de candidato”

A declaração feita ontem pelo tucano José Serra de que, se eleito, gostaria de contar com a participação do PT e do PV no governo, soou estranha aos ouvidos petistas. Depois de Marina Silva dizer que era preciso acabar com a “oposição automática”, Serra declarou: “Pode parecer heresia, mas eu concordo com a Marina. Se eu for eleito, vou querer o PV e o PT no governo, porque o Brasil precisa estar junto agora”.

Os petistas reagiram de imediato. “Nós vamos participar do governo do PT. Temos uma grande coalizão e vamos contar com quem é nosso aliado. Isso [discurso do Serra] é conversa de candidato”, afirmou o presidente do partido, José Eduardo Dutra.

Para não errar, todos evitam confronto

Quando chegou a hora das considerações finais no encontro de ontem entre candidatos a presidente, Marina Silva (PV) teve o maior poder de síntese.  “Acho que foi um bom ensaio”, disse ela, citando nominalmente os seus dois adversários ali presentes, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). Por imposição de Serra e Dilma, não há debates nesses encontros. Os dois só aceitam comparecer na condição de não terem de se submeter a indagações diretas, um do outro. Ontem, cada um dos três respondeu a quatro perguntas iguais. Dizer que responderam às perguntas é uma generosidade.  Quando tiveram de falar sobre royalties do petróleo, cada um disse o que bem entendeu. Ninguém podia interpelá-los.  (Folha de S. Paulo)

 

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