Tião se compromete com maiores investimentos na Segurança Pública

Tião Viana (PT) foi o último pré-candidato ao Governo sabatinado, ontem, pelos jornalistas Eliane Sinhasique e Nelson Liano Jr. no quadro ‘Boca no Microfone’, do programa Toque e Retoque, da Gazeta FM. Como os outros postulantes ao Palácio Rio Branco, Tião Viana, tratou de temas como saúde, segurança pública, modelo econômico e educação.
Entrevista-tiao
Tião Viana revelou que depois de 12 anos de implementação das infra-estruturas básicas chegou à hora de colher os frutos dos investimentos. Para o pré-candidato isso significa incorporar tecnologia para o crescimento econômico do Estado com a geração de empregos e de distribuição de renda.

Qualificação para ser governador
Tião Viana explicou as suas motivações para almejar o cargo executivo estadual. “Existem duas razões fortes que envolvem a minha pré-candidatura. O projeto da FPA é a luta contra as desigualdades que o Acre viveu e ainda vive em escalas diferentes. Lutar contra a desigualdade me move a aceitar o desafio de lutar por um Acre melhor. Estar inserido num projeto democrático que aponte os caminhos e soluções para o Acre. Quero fazer o melhor pela minha comunidade que é o lugar onde nasci. Um lugar que terá um enorme futuro dentro da Amazônia”, justificou.

Segurança Pública
Apesar de ressaltar os esforços do ex-governador Jorge Viana (PT) e do atual Binho Marques (PT), Tião Viana, admite que ainda há muito por se fazer nessa área. “Esse é um ponto que precisa nos unir. Desde o governador Binho, aos prefeitos, aos pais e irmãos do Estado. A realidade é que há um processo de violência dentro da sociedade brasileira. Aquilo que o Acre tinha de mais bonito na sua história que eram as relações fraternas de paz foi substituído por uma cidade violenta. A droga é um problema assustador que faz parte do nosso cotidiano. O transito é outro canal dramático. Temos as barreiras de contenção da violência, a partir de 99, representada na luta contra o Esquadrão da Morte que foi vencida. Ele imperava e dominava parte das instituições do Estado e fazia um domínio que amedrontava todos. Vencemos o Esquadrão da Morte, mas o problema da droga vem se mantendo forte porque é uma problemática mundial. Aqui, vivemos uma região de fronteiras vulneráveis a passagem do narcotráfico. Temos que lutar com muita mais sabedoria e fortalecimento”, salientou.

 Quanto às soluções do problema, Viana, destacou: “o Binho concentrou muitos esforços para diminuir os índices de violência trabalhando junto ao Ministério da Justiça para dar suporte às polícias. O Jorge Viana traçou um caminho para melhorar a situação dos poli-ciais que antes trabalhavam de sandália no quartel porque não tinha um coturno, nem farda e nem armamento. Foi uma mudança histórica a criação de um plano de carreira, cargos e salários da Polícia Militar e a recuperação da Polícia Civil. Mas temos que qualificar mais e preparar melhor ainda os policiais para que tenham condições técnicas para atuarem. Investir na inteligência e na organização para que haja a presença poli-cial nos bairros mais distantes. Esse esforço tem que avançar celeradamente para que possamos ter paz nas comunidades”, garantiu.

Modelo Econômico
Questionado sobre a atual opção pela floresta como modelo econômico do Acre, Tião Viana, explicou: “Quem estiver no século XXI e olhar para frente tem que pensar em economia de baixo carbono e alta inclusão social. Economia verde é a grande palavra de ordem que o presidente Obama fala, a Dilma (PT) fala, o Serra (PSDB), fala a Marina (PV) fala. Todo mundo que tem compromisso com o futuro tem que falar nisso. Existe um poten-cial de bilhões só com madeira manejada que podem servir de riqueza que poderá ser partilhada a partir da geração de emprego e renda. Temos madeireiras com mais de 650 empregados exportando madeira certificada. Nós temos o Governo Binho fazendo planos de florestas plantadas e concentrando esforço na área do dendê, principalmente, no Vale do Juruá para mudar o eixo econômico do Estado para o interior com a perspectiva de gerar entre 10 e 15 mil empregos. Além da seringueira plantada que hoje é o segundo item econômico da agricultura brasileira. Temos uma fábrica de preservativos que gera mais de 600 empregos, em Xapuri, trabalhando a riqueza da floresta”, argumentou.

Por outro lado, Tião Viana, enfatizou a questão da produção de alimentos no Estado. “Temos 500 mil hectares pronto para serem manejados e gerarem a alimentação necessária para a população. Criamos o suporte de infra-estrutura na primeira fase do governo Jorge Viana que está sendo complementado na etapa do Binho. O que foi gasto com estradas, pontes e a viabilização de ramais passará a ser transferido para intensificação da produção. Esse é o caminho que o Acre está vivendo para transferência de renda para a sua população. São as mudanças que estão dando os seus primeiros passos”, avaliou.

Endividamento do Estado
Questionado sobre o tema, o pré-candidato da FPA, respondeu: “o país que lidera as economias do mundo é os Estados Unidos que tem a maior dívida do mundo. Um governo inteligente não tem medo de fazer captação de recurso e investir em infra-estrutura e geração de emprego e renda. Se nós não tivéssemos um governo como o do presidente Lula que transferiu renda, não tivéssemos um governo como o do Jorge Viana que foi aos organismos internacionais trazer recursos nós não teríamos o Estado se preparando para o grande passo em direção ao futuro e ao desenvolvimento que nós sonhamos. Se não fosse com empréstimos não teríamos a rodovia Transoceânica abrindo um mercado de 35 milhões de peruanos e o caminho para a Ásia. O que não se pode é ter dinheiro servindo à corrupção como no passado. Agora, se está vinculando o dinheiro com a distribuição de renda e desenvolvimento”, apregoou.

ICMS sobre as contas de energia
Tião Viana admitiu que é favorável a reduzir o valor do ICMS sobre as contas de energia elétrica. “Junto a essa vontade é preciso fazer um amplo estudo sobre isso. Minas Gerais cobra 30% e Rondônia cobra 17%. No Acre aqueles que consomem até 50KW/ hora não pagam ICMS, 45 mil casas são isentas. Os que pagam 12% são 48 mil casas e 17% são 27 mil casas. Os que pagam 25% são 61 mil casas. É uma realidade que temos. Nós podemos aumentar a margem de isenção das pessoas que não vão pagar o ICMS. O imposto tem uma finalidade como o programa Luz para Todos, em que 163 mil pessoas são beneficiadas na zona rural. O ICMS serve para ajudar na contrapartida do Estado junto a Eletrobrás. Mas a conta de luz tem que diminuir. Por isso tem o esforço do Governo Federal em construir as usinas do Girau e Santo Antonio e outro linhão. O Acre tem que diminuir o ICMS, mas está inserido numa política que faz parte de outros estados”, justificou.

Educação
O pré-candidato afirmou preferir aumentar os investimentos na Ufac do que pensar na criação de uma universidade estadual apregoada pelos seus adversários. “Isso é uma brincadeira. Temos que fortalecer a Ufac. O presidente Lula criou 52 novos campus universitários e ampliou para 12 universidades federais. Vamos fortalecer a Ufac que já está em todos os municípios do Acre. Imagina se a gente agora vai enfraquecer a Ufac. Isso vai quebrar os municípios todos. Vamos ajudar para que a Ufac abra mais vagas. Eram três mil universitários e atualmente já passamos de 25 mil. No dia que a gente tiver dinheiro para a Universidade Federal se manter sozinha poderemos pensar na Estadual. Senão é fazer de conta que não estamos vendo o Prouni que deve ser ampliado para manter os jovens dentro das universidades”, explicou.

Quanto à questão dos professores provisórios, Tião, ressaltou: “temos que fazer concursos públicos. Os governos do Jorge Viana e do Binho fizeram de acordo com as necessidades. A sociedade se fortalece com o governo ficando do tamanho que tem que ficar, melhorando e valorizando salário e a sociedade crescendo. Hoje o nosso maior desafio é a industrialização com a incorporação de tecnologia. Desde 2002, venho lutando pela zona de processamento de exportação. O Lula e a ex-ministra Dilma Rousseff estão comprometidos com esse projeto e teremos uma área de industrialização para venda de produtos internos e ampliação da área de tecnologia do Acre. Temos que ter jovens sendo preparados no ensino médio profissionalizante. As escolas técnicas federais que estão abrindo no Acre oferecerão mais de três mil vagas. Com isso vamos preparar a base para o futuro”, revelou.

Saúde Pública
Apesar de todos os esforços, Tião Viana, ainda vê pontos nevrálgicos na saúde em relação ao atendimento. “A saúde é o que há de mais profundo na minha vida porque sou médico. Toda e qualquer sociedade só estará à altura de se dizer civilizada quando houver respeito e dignidade plena na hora de uma doença. Todos têm que ter um atendimento com dignidade e ser tratado com respeito. Aqui no Acre nós vivíamos um barbarismo, um caos absoluto. Hoje, até nos lugares isolados como o Jordão e Santa Rosa do Purus tem hospital da família. Lembro do esforço sobre humano que Jorge Viana teve durante o seu governo para preparar a base de infra-estrutura do Estado. Hoje, nós temos a Fundação Hospitalar, o Hospital do Câncer, a Maternidade. Fui eu que ajudei a constituir a primeira UTI do Acre. Não tínhamos nem a distribuição de medicamentos básicos. O Pronto-Socorro não tinha uma retaguarda e os centros cirúrgicos não davam conta de atender. Hoje nós fazemos transplantes. Abrimos o curso de medicina para acolher a juventude. Mas isso ainda é pouco porque ainda temos o problema de atendimento. Mesmo coma criação das UPAs o atendimento está sobrecarregado. O que falta na saúde é a qualidade do atendimento. A pessoa precisa ser valorizada como ser humano. É preciso fazer um hospital regional em Brasiléia para atender a população do Alto Acre nos mesmos moldes do Hospital Regional do Juruá. Também o Hospital de Traumatologia que será o mais bonito da Amazônia”, finalizou.

 

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