Para a nossa estrela

Antes da hora derradeira de uma estrela, ela cintila mais fortemente o seu brilho como o canto do cisne que lança um grito momentâneo de rara beleza para perpetuar ou não, nas futuras gerações, a continuidade de algo que pode se perder para sempre tal como objeto que se desfaz em meio as névoas do mundo. Assim, na gênese do pensamento humano e na aurora da filosofia vêm os primeiros filósofos gregos a eternizar por longos períodos a seguinte questão: do nada, nada se cria. Ou seja, o início da vida não pode ter surgido do nada. É preciso assumir a existência de um princípio incriado, inteligente e criador de toda a realidade existente. Este princípio, também conhecido como ponto dominante, centro de irradiação, origem, é chamado de Arché. Dele tudo provém e tudo voltará. E este voltar não pode ser ao nada, pois “do nada, nada se cria” implica em “ao nada, nada voltará”. Assim, a materialidade seria apenas uma condição do ser, mas não ele propriamente dito. Restringir o homem apenas à matéria é mutilá-lo. Não é o homem em sua totalidade. O homem em toda a sua plenitude e amplitude de consciência vem apenas com o estudo e o trabalho, a paciência e a disciplina, o auto-aperfeiçoamento e a compreensão de seu papel na maravilha do Universo. Nada é por acaso, nem de graça.

Portanto, não releguemos apenas as últimas horas de vida para lançar brilho sobre nossa existência, nem deixemos que a nossa estrela se apague sem luzes fecundas de amor e humildade como testemunhas sinceras de nosso progresso, pois “com organização e tempo, acha-se o segredo de fazer tudo e bem feito” – Pitágoras. 
 
 

*Paulo Hayashi Jr.

Doutorando em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

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