Eletricitários param até sexta para cobrar melhorias em três pautas

Servidores exigem participação no Acordo Coletivo 2010/11, fim dos ‘apagões’ e repasses ao Programa Luz Para Todos
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Os 270 eletricitários da Eletrobras – Distribuição Acre (antiga Eletroacre) começaram ontem uma paralisação de 72h (3 dias). Trata-se de um indicativo de greve com caráter nacional. No Acre, o ato tem como meta combater três questões: a falta de participação no acordo coletivo 2010/11, os descasos no Programa Luz Para Todos e os constantes ‘apagões’ no Estado. Amanhã, mais 160 eletricitários da Eletronorte devem se juntar ao movimento (eles não puderam aderir ontem por causa de atrasos jurídicos).

Com a paralisação, o fornecimento de energia elétrica não sofre interferência. Há apenas atrasos em alguns serviços, tais como reparos, novas ligações à rede e religamentos (não emergenciais, mas que podem agravar pela demora). Para não prejudicar a população, estão sendo mantidos os setores de atendimento (0800) e de plantão (emergências).

Na primeira pauta (a nacional), o presidente do Sindicato dos Urbanitários (Stiu/AC), Marcelo Jucá, contou que não há avanço nas negociações do Acordo Coletivo 2010/11. Ainda ontem, o Conselho Nacional dos Eletricitários (CNE) e as direções das empresas se reuniram de novo em Brasília, mas não chegaram a lugar nenhum. Vale ressaltar que tal acordo determina, dentre outras coisas, o início do data-base da categoria.
Luz para Todos e milhões de prejuízos – Considerado um dos maiores projetos do Governo Lula, o programa Luz Para Todos é o centro do segundo foco de protestos dos eletricitários acreanos. Mas o foco não é bom! Os servidores denunciam que os repasses dos governos Federal e Estadual ao programa estão interrompidos desde janeiro.

Como 80% vem da União, 10% da gestão local e 10% da Eletrobras/AC, sobrou para a paraestatal bancar sozinha os custos locais do programa. Assim, a Eletrobras/AC estaria destinando milhões em recursos de vários setores para manter o mínimo de estrutura ao projeto nacional (que ainda sofre problemas por funcionar só com o ‘mínimo’).

“O Luz Para Todos é um programa ótimo, mas tem que ser repensado aqui, pois exige um grande esforço de manutenção. Por exemplo, coloca-se um transformador para uma casa num lugar distante, aí outro morador se instala no local e sobrecarrega o aparelho. Outros problemas envolvem acesso dificultado, danos que carros sofrem para alcançá-los, plantões simultâneos na cidade/zona rural e o crescimento das florestas locais (que danifica equipamentos). Isso tudo trará prejuízos maiores daqui a 2 ou 3 anos”, previu Jucá.    

‘Apagões’ e 2º Linhão em Mato Grosso
A terceira reivindicação dos eletricitários acreanos é em relação à qualidade na distribuição de energia elétrica do Acre. Segundo Marcelo Jucá, além dos ‘desvios de recursos’ que estão sendo feitos ao Luz Para Todos, outro causador de ‘apagões’ em Rio Branco é a integração com o sistema de Cacoal e Vilhena (RO). Construir o 2º linhão resolveria a maior parte destes problemas, porém, se este for feito no Estado vizinho (como planejado) não surtirá tanto efeito para o Acre.

“O 2º linhão tem que ser erguido em Mato Grosso, porque senão os ‘apagões’ aqui não serão solucionados. De Rondônia, a energia virá por 2 linhas, mas como ela só chega lá através de uma, continuaremos a ter só uma ligação com a rede nacional. Com o linhão em MG, os benefícios virão para Rondônia e para o Acre, com 2 ligações”, detalha ele.   

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