Famílias acreanas conseguem chegar ao fim do mês com dinheiro em caixa

Chegar ao final do mês com dinheiro em caixa. Algo muito difícil para a grande maioria dos brasileiros é conseguido por uma parte dos acreanos. É o que mostra a POF (Pesquisa dos Orçamentos Familiares), realizada pelo IBGE entre maio de 2009 e o mesmo deste ano, e divulgada ontem. Enquanto que a renda média mensal no Estado é de pouco mais de R$ 2 mil, as despesas ficam em R$ 1,9 mil.
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“É muito pouco, mas alguma coisa sobra. No Brasil, os mais pobres gastam mais do que recebem, e precisam recorrer ao ‘fiado’ que será quitado já no próximo pagamento; em resumo, o acreano tem se endividado menos”, diz Felipe Ferreira, gerente de planejamento do IBGE no Acre. O instituto aferiu a maioria das cidades acreanas em 900 domicílios.

Dos R$ 1,9 mil gastos mensalmente, 30% são com habitação. Na sequência entre os principais dispêndios aparece a alimentação (26,5%), transporte (16,5%), vestuário (8,1%), saúde (6,7%), higiene (3,6%), educação (2,9%) e cultura e diversão (1,8%). O Acre está na média nacional quando o assunto é gasto com cultura. “As famílias não destinam muito seus ganhos para gastar com diversão”, observa Ferreira.

Quanto à origem da renda, quase 60% é do trabalho dos acreanos. Já 9% tem como gênese a transferência de recursos de aposentadorias, pensões e programas sociais. Um dado destaca o Acre no cenário nacional. Quase 22% da origem dos ganhos mensais têm como origem o escambo, caça, pesca ou doação. “Essa é uma característica de toda a região Norte, mas não procuramos investigar o motivo”, explica Ferreira.

A POF também fez uma comparação entre os 10% mais ricos com os 40% mais pobres no Estado. A pesquisa apontou uma desigualdade social ainda gritante. Se o pequeno grupo com os maiores rendimentos tem um gasto de R$ 7,6 mil por mês, os dos mais pobres é de R$ 949. Apesar da disparidade, a diferença entre ricos e pobres no Acre está abaixo da média nacional; R$ 9,6 mil contra R$ 924.

Alimentação – O IBGE também aferiu o nível de qualidade da alimentação da população brasileira. Entre os acreanos, 12% considera a quantidade de alimentos consumidos em um mês “normalmente suficientes”.

Um número coloca o Acre em contraste com a média nacional; 36% dos acreanos consideram a alimentação mensal “às vezes insuficiente”, contra 26% da resposta brasileira, porém abaixo do Norte: 40%. Na análise nacional, 64% consideram a alimentação “sempre suficiente” – no Acre, 51%.
   

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