Aprendendo com o aprendiz

Nunca sabemos tudo, sempre há algo que desconhecemos. Percebo que minha ignorância aumenta com o aprendizado.

Quando me ouviu dizer essa frase, um amigo me olhou muito sério e disparou: – Bebeu? E, claro, tive que aguentar as provocações, pois me dizia, sem parar: – conhecimento deixa culto e não “curto”.

Hoje eu rio, quando me telefona contente com novos aprendizados e diz: – Fiquei um pouco mais ignorante esta semana!

Qual a origem desse nosso conceito ou dessa maluquice, se preferir?

A ignorância, enquanto não percebida e reconhecida, não é ignorância.

Ignorar é não ter conhecimento, não saber. Ora, se não sei que não sei, como posso ser ignorante?

Conceito certo ou errado, contestado ou não, é brincando que tratamos essa questão. Não dizemos vou aprender, mas vou aumentar minha ignorância, pois quanto mais descobrimos, mais nos damos conta que menos sabemos.

Há poucos dias o encontrei e vi que íamos conversar bastante. Estava eufórico e me perguntava se estava com tempo.

Gosto de vê-lo assim, entre as boas coisas da vida, uma delas é curtir o sucesso dos amigos.

Saiba que os filhos dos amigos serão amigos de seus filhos e o ajudarão a educá-los. Ainda que você não perceba.

Vamos abrir um parêntesis, pois essa é uma questão importante.

A relação pais-filhos, sempre é complicada, mesmo que você deposite ali todo amor do mundo. Não é sempre que suas recomendações serão ouvidas e aceitas, naquele momento. Às vezes, é necessário um tempo para que sejam recebidas, ruminadas e absorvidas. Você, se me disser que nunca contestou seus pais, ou se reprimiu ou mentiu!

Rebeldia sempre fez parte do desenvolvimento do jovem, levar nossos conhecimentos e experiências a eles requer sabedoria.

Uma delas é que você deve ser amigo do melhor amigo dos seus filhos. Todo conselho que der a ele certamente chegará aos rebentos. Pronto, fecha parêntesis. Voltemos ao nosso assunto.

De onde vinha a empolgação?

Eu sabia que eles haviam passado por um período de muito trabalho reorganizando a empresa, e que depois sempre vem a ressaca. Algumas pessoas diriam bobagem! Agora você está tranquilo, pode tirar umas férias, sair mais cedo, mas não é assim que as coisas funcionam para algumas pessoas. A falta de um exercício intelectual um pouco mais dinâmico deixa a sensação de vazio. Isso passa, basta estruturar um novo projeto. Esse meu amigo é assim e eu o entendo.

Qual era a novidade? Um aprendiz. Havia contratado um jovem que, como dizia ele, estava na fase dos por quês?

Ora, uma pessoa perguntando o tempo todo irrita, diriam muitos. Depende, diria ele.

Quando a pergunta o leva a descobertas, principalmente em que as soluções implantadas são tidas como certas e definitivas é muito interessante. Afirmava, entre uma história e outra: – Esta pessoa está me levando a entender a arte de fazer perguntas.

Com isso estou descobrindo que perguntas certas são mais importantes que as respostas. Estas saem naturalmente. Isso não é novidade para mim, já li muito a respeito, mas ainda não tinha experimentado esse fato.

Adicionamos à nossa organização uma competência muito interessante que jamais tinha imaginado: Aprender com o aprendiz!

Ivan Postigo

Diretor de Gestão Empresarial

Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação de carreira na área de vendas

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