Marido de assessora morta a facadas diz não ter condições de perdoar

Ao contrário da família do comerciante Kender Conceição, que pretende perdoar e inclusive visitar o homicida Gleisson Silva Andriola, o “Carioca”, acusado pelos tiros no rapaz e pela morte a facadas da assessora parlamentar Ana Eunice Moreira Lima, o jornalista Tião Maia, companheiro de Ana, disse que não tem condições de perdoar o acusado. “Não quero o menor contato com a família desse animal”, disse o jornalista. “Ele tem que apodrecer na cadeia porque está provado que se trata de um irracional sem a menor condição de viver em sociedade”, acrescentou o jornalista.
Tiao-maia
Tião Maia, que também é estudante de Direito, fez duras críticas à aplicação da legislação penal brasileira pelo Poder Judiciário, com base em progressão de pena e de regime para condenados, inclusive por crimes hediondos, sem avaliar corretamente o grau de periculosidade dos acusados. De acordo com o jornalista, isso está ocorrendo inclusive com pedófilos, com histórico de crimes horríveis, como é o caso do poeta Antônio Manuel Camelo Rodrigues, condenado a três dezenas de anos por estupro, sedução e corrupção de menores. “Tenho informações de que, se já não está solto, esse pedófilo está prestes a voltar às ruas. Isso é um crime contra a sociedade porque como todos sabem, a pedofilia é uma espécie de doença, um mal sem cura e, com certeza, ele vai voltar a aprontar. Tem sido assim com todos os pedófilos e só esses pseudos operadores do direito é que não vêem”, disse o jornalista.

Assessor de imprensa do senador Tião Viana, candidato favorito ao Governo do Estado nas eleições deste ano, o jornalista Tião Maia se recusa a comentar possíveis falhas na condução das negociações da Polícia Militar com o homem que afinal mataria a mulher com a qual ele se relacionava há mais de uma década.

“Se há culpados neste caso, penso ser o Poder Judiciário, os juízes e os promotores que botaram esse animal na rua. Quero crer que a Polícia Militar botou nas negociações o seu melhor homem, o seu comandante, o coronel Romário Célio. A mim, por telefone, o assassino falou mais de uma vez que não mataria a Ana, que ´ela era  legal´, que estava colaborando. Por um instante, eu até me tranqüilizei. Eu tinha ao meu lado, em Cruzeiro do Sul, o major Alves, o assistente militar do vice-governador do Estado, que estava comigo no quarto do hotel, e ele me tranqüilizava porque também havia falado com o bandido e achava que ele não machucaria minha mulher”, contou Tião Maia, que já voltou ao trabalho e parece mais aliviado.

“Tive o apoio de amigos, dos meus familiares, colegas de profissão e de muita gente que eu sequer conhecia e a quem aproveito para agradecer de forma penhorada. Mas, lamentavelmente, ainda estou à base de remé-dios, porque me dá um frio no estômago a cada instante que penso no que sofreu a Ana nas mãos daquele bandido. Quando ouço o barulho de uma sirene, ainda passo mal. Por isso, nem me atrevo a dirigir”, contou o jornalista, cuja carreira profissional foi iniciada há 30 anos, como repórter da área de polícia. “Nessa área vi muita coisa horrível, e nunca imaginei que isso fosse acontecer com uma pessoa boa, com uma mulher linda por dentro e por fora e que não fazia mal a ninguém”, disse.

É por imaginar o sofrimento de sua companheira que Tião Maia não quer contato com a família do acusado. “Vou falar com os filhos da Ana para não aceitarem desculpas ou o perdão dessa família. Se a família do Kender quer perdoar esse bandido, o problema é deles. Eu não posso porque ele matou a pessoa mais doce que eu já conheci e por isso tem que pagar muito caro pela desgraça que nos causou”, afirmou o jornalista. Ana Eunice tinha dois filhos: Stenio Luiz, de 26 anos, e João Gabriel, de 18.

Segundo Tião, o mais novo é o que mais sofre porque a polícia deixou que ele encontrasse o cadáver da mãe no estado em que o assassino deixou. “Isso foi outra brutalidade”, disse. Tião Maia afirmou ainda ter informação de que o acusado, quando vivia em Cruzeiro do  Sul, já havia decepado a mão de uma mulher. “É um latrocida, um líder de motim na cadeia. Como é que um homem com um prontuário horroroso desses pode obter algum tipo de benefício da lei?”, perguntou.

A mãe de “Carioca”, que vive em Cruzeiro do Sul, manifestou o desejo de se encontrar com o jornalista, mas Tião Maia repeliu o encontro. O jornalista também criticou a dona-de-casa Miracele Alves dos Santos, mãe de Kender Conceição, pela intenção de visitar o homem que causou todo o terror no bairro do Bosque há menos de 15 dias. “Sei que não tenho direito de dar conselhos a esta senhora, mas penso que é isso que esse desgraçado quer: que a sociedade, assim como o Judiciário e aqueles grupos vinculados aos Direitos Humanos lhe passem a mão na cabeça. Eu não quero contato com nenhum deles e meu desejo pessoal – e vou lutar por isso – é que esse desgraçado apodreça na cadeia”, disse.

 

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