TARAUACÁ E O ROUBO DA MALA

HiginoNo decurso dos anos 40 o Coronel França, proprietário do seringal “ Japão “, no rio Envira e um dos pioneiros na criação de gado no Acre, que, naquela época, chegou a possuir um rebanho de, nada menos, mil cabeças, da raça Gir e Nelory, passou a exportar, para Tarauacá, bois da sua fazenda, destinados ao abate naquela cidade, enviando por terra, anualmente, através de picadas abertas na extensa região de mata fechada  entre os rios Envira e Muru, boiadas de 60 ou 70 cabeças. 

Era encarregado dessa difícil e penosa tarefa, e também do abate dos animais e venda do produto em Tarauacá o cearense Raimundo Borges da Silva, antigo colaborador do coronel e pessoa da sua absoluta confiança, o qual, para melhor desempenho do seu trabalho, fixou-se com sua família numa pequena propriedade do seringalista, na vizinhança da cidade, onde também mantinha o gado durante o período do abate, e da qual, mais tarde veio tornar-se proprietário, por liberalidade do coronel, em reconhecimento à sua lealdade e muitos anos de bons serviços prestados.

No desempenho do seu mister, portanto, durante vários meses depois da chegada com o gado, ele ocupava-se do abate dos animais e da venda da carne no único açougue existente na cidade. Como não houvesse estabelecimento bancário na localidade – o que só veio acontecer em 1954, com a instalação de uma agência do BASA -, todo o apurado da venda da carne era guardado numa mala na sua própria casa, para, só depois de vendida toda boiada, ser levado, por ele próprio, para o coronel, no Envira.

Durante anos seguidos, tudo havia se passado na mais perfeita normalidade.Um certo dia, porém, a população da cidade acordou com a surpreendente notícia de que a mala onde era guardado o dinheiro, contendo vultuosa quantia, havia sido furtada durante a madrugada, aproveitando-se o ladrão, da saída do dono da casa para sua lida diária no açougue.

Durante vários meses o assunto esteve sob investigação pela polícia, com algumas pessoas sendo presas, chegando uma delas a suicidar-se na prisão. A mala, alguns dias depois, foi encontrada – sem o dinheiro, é claro – do outro lado do rio Tarauacá. O caso, no entanto, apesar de todos os esforços da polícia, foi encerrado sem solução.

Passado, no entanto, mais de um ano, e quando ninguém mais dele se ocupava, um certo indivíduo passou a ser notado fazendo compras no comércio local, em montantes totalmente incompatíveis com  o seu padrão salarial, desembolsando, inclusive, nessas ocasiões, cédulas de alto valor, só vistas na posse de pessoas de reconhecido poder econômico.

Denunciado e preso como suspeito, não foi difícil para a polícia obter do mesmo a confissão do crime, que ficou conhecido na cidade como O ROUBO DA MALA.  

 

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