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Comerciantes da Estação e Via Chico Mendes não agüentam mais assaltos

A Gazeta do Acre por A Gazeta do Acre
08/08/2010 - 00:47
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O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Acre (Fecomercio), Leandro Domingos, emitiu alerta à secretária estadual de Segurança Pública, Márcia Regina, relatando o impacto negativo que o clima de insegurança está provocando no setor.
Loteria
Segundo ele, os prejuízos não se contabilizam apenas com os valores subtraídos. Ao ser alvo de um furto ou, principalmente, assalto à mão armada, como ocorre com mais freqüência, o estabelecimento comercial passa a ser evitado pela clientela. Vira uma espécie de zona de perigo.

A lógica é simples. Os clientes sabem que a investida dos bandidos não se restringe ao proprietário do estabelecimento e seus funcionários. Durante a invasão ninguém é poupado. Além disso, existem registros de comércios que foram assaltados dezenas de vezes. Ou seja, o drama pode se repetir.

De acordo com Domingos, na Via Chico Mendes – considerada a principal via de entrada e saída da cidade – no período de uma semana todos os dias um estabelecimento foi assaltado. Uma das lojas visitadas pelos bandidos foi a Rondobras. Além de limpar o caixa, os bandidos ainda feriram um cliente.

O presidente da Fecomercio acredita que o fato de a rodovia está cercada de bairros periféricos possa ser um fator negativo. Outro ponto negativo é o pequeno efetivo policial responsável pela região. Existem informações de que apenas uma viatura é responsável pelo policiamento ostensivo de todo o Segundo Distrito.

Os empresários reclamam ainda que nem sempre os pedidos de socorro à polícia são atendidos. Em virtude da impunidade que coloca os assaltantes rapidamente de volta às ruas, muitos optam por nem registrar a queixa. “Eles reclamam que em muitos casos o bandido é preso num dia e solto no outro”, observa Domingos.
Os comerciantes da Estação Experimental vivem o mesmo clima de insegurança. Foram doze assaltos em duas semanas. No Restaurante da Loura, localizado no interior do mercado público local, uma cliente foi ferida a tiros porque se negou a entregar a bolsa.

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“Ele apareceu de repente já com a arma em punho e foi direto na mulher. Ela resistiu e ele começou a atirar. Foram pelo menos quatro disparos, dois pegaram nela”, lembra ainda em pânico a atendente do restaurante, Gracimar de Souza. Ela informa que, desde a ocorrência, o movimento caiu.

O churrasqueiro Francenilto Damasceno Silva afirma que os bandidos agem em dupla e chegam sempre de motocicleta. “Um fica esperando na moto e o outro entra e faz o assalto, acontece tudo muito rápido, em questão de segundos eles entram, ameaçam, roubam e às vezes até matam”, observa.

No assalto registrado no Feirão da Carne, onde ele é funcionário, não foram registrados feridos, mas o pânico foi geral. “Ele pegou um pacote de arroz e foi para o caixa, na hora de passar no caixa anunciou o assalto, todo muito ficou parado sem saber o que fazer”, conta.

Mas nem todo mundo reúne forças para prosseguir no negócio. Esse é o caso do Leonardo Lima Barbosa, responsável por um correspondente bancário da Caixa Econômica Federal, no bairro Estação Experimental. “Do jeito que está à segurança no nosso Estado não dá para continuar”, desabafou.

Desde que a loja foi assaltada há duas semanas, o estabelecimento está fechado. Leonardo disse que ainda não sabe o que vai fazer, mas não pretende reabrir a loja. No prejuízo, além dele, a proprietária do prédio que terá dificuldade de alugar a sala para outra pessoa e dois funcionários que estão na eminência de ficar desempregados.

Comerciantes querem mais policiamento e delegacias 24h
Leandro-Domingos-FIAT-5-fAlém de relatar às queixas dos comerciantes no tocante a violência, o presidente da Fecomercio, Leandro Domingos, também sugere uma série de medidas que podem ajudar a reverter à situação, caso sejam implantadas.

Ele acredita que o reforço no policiamento ostensivo – de responsabilidade da Polícia Militar – e a implantação de plantão 24h nas delegacias – de competência da Polícia Civil – pode ser um bom começo. Existem queixas da ausência de profissionais para atender as ocorrências e até mesmo de delegacias fechadas nos finais de semana.

A Fecomercio sugere ainda o aumento na equipe de investigadores. É que muitos casos sequer são checados por falta de profissionais capacitados. Leandro Domingos pretende também fazer uma visita pessoal à Márcia Regina (Segurança Pública) para discutir o assunto de forma mais detalhada. (D.A.)

 

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