Não esquentou o último debate antes da eleição na TV Acre

O último debate entre os candidatos ao Governo do Acre, ontem, na TV Acre, não apresentou nenhum novidade em relação ao anterior. Só mesmo o fato de ter sido transmitido via satélite para os 22 municípios acreanos. Bocalom (PSDB) fazendo perguntas e afirmações críticas em relação aos 12 anos de governos da Frente Popular e Tião Viana (PT) falando dos avanços das gestões do seu grupo político. Por outro lado, Antonio Gouveia, o Tijolinho (PRTB), às vezes, se atrapalhava ao se referir aos dois outros candidatos e até os elogiava. Também defendeu o meio-ambiente da Amazônia. “Não podemos virar o nordeste que é muito árido,” afirmou. 

DEBATE_TV_ACRE

Na realidade os temas e as abordagens pareciam um replay do debate anterior. O mediador Júlio Mosquéra cometeu um engano que beneficiou Bocalom. Ele permitiu que o candidato fizesse uma pergunta livre para Tijolinho. Depois voltou atrás e permitiu uma nova pergunta sobre o tema de habitação. Assim Bocalom teve um minuto a mais para fazer as suas perguntas recheadas de afirmações e críticas aos governos da FPA. Nenhum candidato protestou.
Surpreendentemente os dois candidatos de oposição fizeram diversas afirmações defendendo o meio-ambiente que foi o carro chefe das gestões da FPA. Mas paradoxalmente Bocalom criticou a atuação do Instituto de Meio-Ambiente do Acre (IMAC) na questão da demora para entrar em atividade a Álcool Verde. “A demora para a Usina entrar em funcionamento afugentou outros empresários que queriam investir no Acre,” salientou.

Mais uma vez Tião Viana voltou a falar na construção da infra-estrutura do Estado que permitirá projetos como a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) que, segundo ele, vai gerar seis mil novos empregos aos jovens acreanos. Tijolinho elogiou as palavras de Viana, mas contestou-o afirmando que o Acre ainda não está produzindo o suficiente para poder exportar. “Só acredito num futuro mais pra frente em que vamos investir muito para podermos exportar,” retrucou.  

BR 364

 

Outro tema recorrente foi à construção da BR 364 que liga Rio Branco e Cruzeiro do Sul. A pergunta de Bocalom para Viana continha insinuações de corrupção no processo da construção da obra. O candidato petista respondeu afirmando que algumas estradas em São Paulo, governado por José Serra (PSDB), custaram R$ 23 milhões o quilometro. Mesmo assim não questionava a honestidade do governador. “Há uma luta pela integração do Acre. Vamos inaugurar a BR 364 no ano que vem apesar dos ataques e da política de baixo nível,” disse Viana.   

Tião Viana perguntou para Tijolinho sobre o avanço representado pela construção da Rodovia Transoceânica. O candidato do PRTB voltou a repetir que o importante é a manutenção do meio-ambiente e dar condições para que os pequenos produtores possam produzir. Depois elogiou Acrelândia para Bocalom. “Achei a cidade muito bonita e produzindo grãos,” disse. Bocalom agradeceu e reafirmou que governou o município por três vezes e não tem nenhum processo. “Acrelândia foi o maior produtor agrícola do Estado no tempo que governei o município,” exultou.

A mudança de horário

Bocalom questionou Tião Viana sobre a mudança de horário. O petista respondeu que só apresentou o projeto no Senado depois de colher 33 mil assinaturas. Também que votou a favor do Referendo Popular sobre o assunto porque acha que a população deve decidir o que é melhor. “O Acre em 1913 tinha o mesmo horário do resto do Brasil. Mas o candidato está desinformado ao dizer que os galos foram prejudicados com a mudança. Inclusive, quero dizer que o candidato da sua coligação Petecão elogiou a mudança,” argumentou.

Funcionalismo Público

Mais uma vez Bocalom questionou a questão dos cargos de confiança dos governos da FPA. “É uma caixa preta essa história de DAS,” ironizou. Viana, respondeu que era falta de interesse em buscar as informações do seu adversário. “Nós temos em torno de dois mil cargos de confiança no Estado para 40 mil servidores. Proporcionalmente é um dos menores números entre os estados brasileiros. Melhoramos as condições do nosso funcionalismo. Aumentamos a folha de pagamento de R$ 16 milhões para R$ 100 milhões com salários em dia e qualificação profissional para os servidores,” afirmou. Bocalom, mais uma vez se referiu a uma certa “panelinha” que está se dando bem.

Soja X produção florestal

O candidato petista quis uma posição definitiva do seu adversário tucano em relação à questão ao meio ambiente. Exaltou o aumento da atividade florestal no Acre como uma saída para a produtividade e a inclusão social. Bocalom, confirmou que realmente fez testes de agricultura de soja. Depois emendou: “A Florestânia não deu certo. As árvores e os bichos não podem sobrepor os seres humanos. Mas não vamos derrubar mais nenhuma árvore para podermos produzir,” disse paradoxalmente.

Nesse momento Viana questionou o tucano. “O senhor tem que saber como vai nos tratar em relação a esse assunto. Tem que se informar melhor sobre o setor produtivo do Acre. Inclusive, quero saber o que tem produzido na sua propriedade?” indagou. Bocalom se esquivou afirmando que tem uma pequena propriedade onde está fazendo experiências produtivas.

Considerações finais

 

No último bloco os candidatos pediram votos diretamente aos telespectadores. Tião Viana começou: “Procurei conversar tocando o sentimento das pessoas e apresentando os novos desafios do Acre. Nos próximos anos o Estado vai dar um passo em direção a industrialização e a melhoria da saúde pública até chegar a ter a melhor qualidade de vida do Brasil. Temos que levar mais adiante os benefícios de um povo porque vamos entrar na era da industrialização, da saúde para que todos possam vencer na vida,” argumentou.

Tijolinho se disse convicto da vitória no dia 3 de outubro. “Estou confiante na minha vitória e podem ter a certeza que as minhas promessas de campanha serão concretizadas. Quem quiser mudanças no Estado deve votar no tijolinho,” apregoou.

Em seguida Bocalom encerrou o debate. “Nesses 12 anos muitas promessas foram feitas, mas só a ‘panelinha’ se deu bem. Quero governar de dentro do Palácio Rio Branco sem me esconder na Casa Rosada. E também quero avisar que as próximas pesquisas que sairão serão mentirosas em relação aos meus números de intenções de votos,” finalizou.        

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