João Correia lança as bases para uma nova caminhada do PMDB

Vencer a descrença. Esta será a missão dos peemedebistas, depois da reunião de quarta-feira (6), que definiu ter uma candidatura própria nas eleições de 2012. Pudera! Por uma década, a legenda optou em apoiar outros candidatos, sendo mera coadjuvante nas eleições de 2002, 2004, 2006, 2008 e 2010.
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Expressão maior do partido, o deputado federal Flaviano Melo se irritou ao ser questionado sobre a unidade das oposições: “e por que a unidade não pode ser em torno do nome do PMDB?”, questionou. “As últimas vitórias majoritárias da oposição foram com as nossas candidaturas”, acrescentou Flaviano, referindo-se às eleições de Mauri Sérgio e a dele própria.

Com quase 118.000 votos nas últimas eleições, o ex-deputado João Correia figura como o nome de consenso para o futuro embate. Ele credita a ‘esplendorosa’ votação à avidez dos acreanos por mudança e, não obstante, à ‘falência’ do projeto político em curso.

Diálogo, transparência e democracia. É calcado nessa tríade que Correia firmar seu discurso, que, se não é moralista, pode ainda ser chamado de ideológico. “A política não tem sentido se não for para ajudar as pessoas”. Nesta entrevista, ele avalia os 100 dias de governo da Frente Popular, critica o atual modelo econômico e lança as bases para nova caminhada do PMDB.

A GAZETA – Nesta semana, o seu partido praticamente se decidiu por candidatura própria. O que houve nessa reunião?
Correia
– Houve um encontro que precedeu a reunião de quarta-feira. Foi uma reunião mista das executivas municipal e regional e expressões do partido. Formos informados pelo Flaviano Melo das decisões nacionais, dentre elas que os mandatos dos diretórios municipal, estadual e nacional seriam prorogados. E uma recomendação bastante enfática de que o PMDB deveria ter candidaturas próprias em todos os municípios, nos quais tivesse condições. Essa recomendação foi mais enfática ainda nas cidades com mais de 200.000 habitantes. Foi definido também que as candidaturas postulantes se viabilizassem no que diz respeito às expectativas e alianças, mesmo porque estamos na iminência de uma mini reforma política. Nesse contexto, eu comuniquei a decisão de levar o meu nome à convenção municipal, baseado em algumas evidências.

A GAZETA– Que evidências são essas?
Correia
– A esplendorosa votação que eu obtive como candidato ao Senado em Rio Branco, como o mínimo de recursos e o máximo de votos possíveis. Eu identifico ainda, naquela eleição, uma grande participação dos peemedebistas anônimos, aqueles que não aprecem nos diretórios e nas convenções, mas que têm toda aquela linhagem de identificação dentro de uma perspectiva democrática, de tolerância, de transparência e humanismo. As últimas vezes que as oposições ganharam foram quando o 15 estava nas ruas. Eu acho [risos] que o povo estava com saudades do número 15.

A GAZETA –  Na ultima década, o PMDB foi atraído por várias candidaturas majoritárias no campo das oposições. O senhor acredita que essa relação possa acontecer de forma contrária, ou seja, os demais partidos virem a apoiar uma candidatura da legenda?
Correia
– É uma possibilidade. Alguns concordam e outros até a desejam. Quem pode o mais, pode o menos. De mesma maneira que defendía-mos a candidatura do Rodrigo Pinto, simultaneamente a uma candidatura do PSDB, defendemos que se viabilizem outras candidaturas. Mas o que é essencial, o vital é a candidatura do PMDB. Se o 15 não for para as ruas, uma convenção vai dizer o porquê da ausência. As oposições não são um bloco homogêneo. Temos diferenças programáticas, dentre outras. A gente não tem diferença daquilo que não queremos, como esse modelo político-administrativo em vigor. O PMDB é uma oposição original, que nunca não compôs numa perspectiva com o PT. Também temos uma prática democrática muita grande, de parceria com a população, e de extrair dela o que há de melhor, ou seja, a sua alegria e espontaneidade. Somos o partido das Diretas Já, da redemocratização deste país e do Estado do Acre. 

  A GAZETA – Como o senhor avalia o atual momento político do Acre e os 100 dias de governo da Frente Popular?
Correia
– Eu a tinha a expectativa de que o governador eleito, assim como o seu grupo dirigente, fizesse uma mudança substantiva. Nós somos o penúltimo PIB do Brasil, ficando apenas atrás do Estado de Roraima, onde um terço de suas terras pertence aos índios Yanomames. Existe uma distribuição de renda bastante precária, que foi fomentada nos últimos 12 anos. Alguns chegam a comemorar, de uma maneira mórbida, que já temos 60 mil bolsas famí-lias. É claro que a proteção social aos desvalidos precisa existir, sim, mas não pode ser elemento de júbilo. Para termos distribuição de renda é preciso ter produção, geração de riquezas. Eu esperava que o governador mudasse a substância do projeto em curso, que fracassou nesses últimos 12 anos.  O povo acreano, nas eleições passadas, demonstrou que queria progresso, geração de emprego e incremento de novas tecnologias. Mas isso não aconteceu até agora. As ações do governo Tião Viana são meramente adjetivas. Eles estão fazendo como o Giu-seppe Tomasi di Lampedusa (escritor italiano), descreve no livro O Lepardo: ‘mudaram alguma coisinha para que tudo continuasse o mesmo’. A nossa elite, que é muito predatória, ainda não percebeu que esse modelo, do banco mun-dial, fracassou em todos os aspectos. O vizinho Peru pode ser citado como exemplo.

A GAZETA– O Senhor fala tanto em democracia. Quais são as suas propostas enquanto postulante a candidato. E como seriam as suas relações com as instituições?
Correia
– Os poderes são livres, autônomos e harmônicos desde os tempos de Charles Montesquieu, do livro O Espírito das Leis. Nós podemos redemocratizar o nosso Estado e nossa Capital a partir desses princípios.  A relação com o MP (Ministério Público) deve ser de parceria, adicionando aquilo que está faltando nos procedimentos administrativos, que é transparência. Os processos internos com as licitações, por exemplo, podem ser acompanhadas pelos órgãos de controle e fiscalização. Tudo isso com controle social, dando satisfação à população daquilo que foi pactuado nas esferas participativas. Podemos dar um choque de transparência e participação popular, apesar dessas expressões terem sido distorcidas e erroneamente usadas. Elas serão marcas, e não fantasias. 

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