Futebol: reflexões de torcedor!

O jogador Elano, da seleção do Mano, após a derrota para o Paraguai disse aos repórteres que o entrevistavam não ter explicação para o vexame da perda dos pênaltis. Elano é o protótipo do jogador dos tempos modernos. Joga e vive do futebol, mas não conhece a mística e as estórias do futebol, tanto no sentido de desenvolvimento histórico, quanto no de conto popular. Deveria conhecer o misticismo arraigado a esse jogo apaixonante e saber que naquela partida, em que a seleção que ele fazia parte, foi superior, a bola é que não quis entrar. Tem dia que a bola está de mal, não entra, diria Nelson Rodrigues. Quando aquela bola, bem trabalhada pelo Robinho na entrada da área, foi chutada pelo Neymar para a linha de fundo, remeti meus pensamentos aos deuses do futebol e balbuciei: Hoje a bola do Brasil não entra! Não entrou mesmo, nem nos pênaltis. E, olha que foram quatro.

Mesmo assistindo pela TV um ou outro jogo por semana, confesso meu desapontamento com o futebol praticado nos dias atuais. Aliás, já dizia Neném Prancha, ex-roupeiro do Botafogo: “futebol moderno é que nem jogo de pelada.Todo mundo corre e ninguém sabe para onde”.   Maior ainda é a minha decepção com o “business” que envolve o futebol. É imensurável (que não se pode medir), significa que por maior esforço que façamos, não há mortal na face da terra que possa presumir  o montante financeiro em que está submergido o futebol; pode-se dizer que a gigantesca negociata  sobrepuja “negócios” altamente rentáveis como: o tráfico de drogas;  prostituição infantil, e outros ilícitos. Nada abate em termos de cifras, esse fantástico negócio. É o tal do pragmatismo perverso que invadiu de forma assaz a quase totalidade dos segmentos públicos e particulares. As Universidades Públicas, as igrejas e por tabela, o futebol, estão envenenados  por esse prag-matismo. Assim, a desclassificação do time brasileiro da Copa América, deixou no mínimo furiosos os que  amealham riquezas em cima desse sistema. Com certeza, interesses múltiplos foram contrariados, com perdas incalculáveis, pela não ida do time brasileiro à final do torneio mais importante depois da Copa do Mundo. 

Outra coisa horrível no futebol atual, é a perversidade que os “cartolas” dirigentes de clubes e outros empresários de conversa fiada, em nome de um novo marketing, tem feito com as camisas dos principais times brasileiros. Comentei outro dia com o Silvio Martinello, diretor desta A GAZETA, que fiquei pasmo em ver a camisa do Botafogo, no jogo contra o Bahia. Um uniforme  completamente descaracterizado. Uma camisa preta com “João Fortes” destacado sobre o peito; outra publicidade em nome de  “Graviton” com cor laranja ao fundo, sobre as mangas da camisa, de longe parecia mais a camisa do Atlético Paranaense. Mais propaganda, em tamanho menor, da “Gillette  e Fila”. Os calções também traziam essas “marcas!” Uma avacalhação que faz com que esqueçamos da camisa alvinegra de gloriosas conquistas. Perdeu a mística! Por outro lado, alguns jogadores estavam completamente produzidos. Enquanto que o futebol foi de uma mediocridade só!

A outra face da moeda, quando  o assunto é futebol, tem a ver com os meios de comunicação. Os programas  de esporte com ênfase em futebol na TV é uma esculhambação. Faz-se de tudo, do burlesco ao que há de mais idiota. Os comentários, na maioria feito por ex-jogadores que parecem não terem concluído o ensino fundamental, são sofríveis. Danam-se a endeusar pernas-de-pau, numa verdadeira afronta a quem realmente foi craque na acepção da palavra. Para não dizer que sou extremamente retrógrado quando o assunto é comentar futebol, declaro a minha preferência pelo jovem comentarista Rafael Oliveira do Esporte Interativo. O garoto é bom!   

Quero explicitar que não  sou daqueles que só vêem coisas boas no passado, em prejuízo das coisas boas do presente, mas tomo as experiências vividas no passado para compreender o presente; não há só mazelas no presente, mas em se tratando de futebol o que se nos apresenta no momento, nada mais é do que um comércio ufanista da pior espécie. Pouca coisa se aproveita das dezenas de jogos que são transmitidos semanalmente pelo mundo afora. Os jogos chegam às raias da mediocridade, onde pontificam as jogadas desleais, beirando a violência. Nem mesmo a alta tecnologia, gramados bem tratados, chuteiras sofisticadas e bolas levíssimas, consegue melhorar a performance da maioria dos “jogadores” que praticam esse esporte tão querido de toda gente do Planeta Terra . 

O meu desejo era terminar estas reflexões dando umas pinceladas sobre o todo poderoso mandatário da CBF, Ricardo Teixeira, Mas, o que dizer sobre este senhor que já não tenha sido dito ou enfocado pela mídia nacional. Então, para aflorar o meu saudosismo do tempo de futebol amador, término com uma máxima de Neném Prancha: “Quem corre é a bola; senão, era só fazer um time de batedores de carteira”. Grande Neném Prancha!

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