Reforma de pastagens é tema de curso para produtores do Juruá

O Acre possui 1,5 milhão de hectares de pastagens cultivadas e, aproximadamente um terço deste total está degradada ou em vias de degradação.

As alternativas tecnológicas para enfrentar o problema serão apresentadas durante o curso “Técnicas de reforma de pastagens: do planejamento ao manejo da formação”, oferecido pela Embrapa Acre, a partir do mês deste mês, em diversos municípios das regiões do Juruá e Vale do Acre.

Nos dias 12 e 13 de julho a capacitação acontece no município de Feijó, com aulas práticas na fazenda Bela Vista e, nos dias 14 e 15, em Cruzeiro do Sul, com atividades práticas na fazenda Boi Forte. O curso será realizado em atendimento a demanda tecnológica identificada a partir de estudo focal sobre a pecuária no Acre, realizado pela Unidade, em novembro do ano passado.

Produtores, extensionistas e profissionais envolvidos no gerenciamento de fazendas poderão aprender sobre planejamento da reforma de pastagens, seleção de forrageiras, correção e adubação do solo, técnicas para preparo do solo e plantio de gramíneas, manejo de pastagens, controle de plantas daninhas e sobre o custo das diferentes modalidades de reforma.

O evento conta com a parceria do gabinete do deputado federal Henrique Afonso, secretarias municipais de agricultura, secretaria estadual de extensão agroflorestal e produção familiar (Seaprof), Laticínio Nutri e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia.

Causas da degradação
A degradação de pastagens é um fator limitante da atividade pecuária na Amazônia.  O problema se agravou a partir da década de 1990, com a síndrome da morte do capim braquiarão, devido à pouca adaptação dessa gramínea a solos de baixa permeabilidade, característicos da região. Como conseqüência, os pastos infestados por capim-navalha (planta invasora de difícil controle), reduziram a capacidade de suporte, refletindo em perdas na produtividade do rebanho.

De acordo com o pesquisador Carlos Maurício Andrade, instrutor do curso, fatores como manejo inadequado, perda da fertilidade do solo, ocorrência da cigarrinha-das-pastagens e pastejo contínuo em capins de touceira também estão entre as principais causas da degradação de pastagens no Acre.

“Além disso, a escolha inadequada de capins para reforma das áreas afetadas e o desconhecimento de técnicas adequadas para plantio de gramíneas e forrageiras contribuem para agravar a situação. O curso vai proporcionar conhecimentos e informações para solucionar estes problemas de forma correta e definitiva”, diz o pesquisador.

No Acre existem cerca de 500 mil hectares de pastagens com algum sintoma de degradação. O problema afeta 20 mil criadores de gado em todo o estado, em sua  maioria pequenos produtores com baixo nível tecnológico nas propriedades.

No Juruá, algumas localidades, como Feijó, por exemplo, apresentam solos bastante acidentados e isto dificulta o processo de reforma de pastagens. “Segundo Andrade, essas peculiaridades exigem técnicas diferenciadas de reforma, em virtude da impossibilidade de mecanização. Além disso, as dificuldades de acesso à região elevam os custos dos insumos (sementes e fertilizantes), restringindo a adoção de técnicas convencionais.

Durante a capacitação também serão apresentadas novas alternativas de forrageiras recomendadas pela Embrapa Acre para substituir o capim braquiarão (grama estrela-roxa, capim tangola, capim xaraés e amendoim forrageiro entre outras tecnologias). (Ascom/Embrapa Acre)

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