Advogados apontam falhas na prisão de empresária

O tratador de cavalos José Nascimento Lima, conhecido como ‘José Doido’, nega que tenha dito o que consta no termo interrogatório colhido pelo delegado do 1º Distrito Policial, Leonardo Santa Bárbara. Vale destacar que o depoimento dele foi decisivo para motivar a prisão da empresária Ana Bethania Marques Lima, no dia 15 de agosto.
Advogados
José Doido acusa policiais da referida delegacia de tê-lo espancado e de tê-lo feito assinar o documento sob pressão. José Lima é analfabeto funcional – aquele que aprendeu a ler e escrever o próprio nome. Apesar disso, afirma que em nenhum momento o depoimento foi lido para que pudesse atestar o seu teor. As declarações foram prestadas na tarde de ontem, durante coletiva dos advogados de defesa da empresária e de José Lima, com o presidente da OAB/AC, Florindo Poersch. Eles relataram possíveis ‘irregularidades’ ocorridas no inquérito policial.

Representações contra o delegado Leonardo Santa Bárbara, que presidiu o inquérito, e Tiago Fernandes Duarte, foram protocoladas no Ministério Público Estadual e na Corregedoria Geral de Polícia Civil, pelo advogado Ruy Duarte. No suposto depoimento que José Doido descredita, a empresária é acusada de contratá-lo para que sabotasse a prova de tambor realizada durante a Expoacre 2011. Tudo para inviabilizar a participação de outros concorrentes com a suposta conivência do também empresário e amigo de Bethania, Roberto Morais.

O serviço para o qual teria sido contratado consistia em furar o pneu de um trailer, sabotar um trator usado para gradear a pista para a prova do tambor e, o ato mais grave, atear fogo no rancho onde ficariam os cavalos da juíza Zenair Bueno. Pelo serviço, ele supostamente receberia R$ 2 mil. “Ninguém falou sobre isso comigo, nem dona Bethania, nem o Roberto. Eu não disse nada disso”, afirma José Lima.

O que os advogados questionam é porque a denúncia foi feita só 10 dias após o ocorrido e os procedimentos que envolvem a prisão de Ana Bethania. Sem ter sido ouvida, a empresária teve a prisão temporária decretada. “Mesmo que tivesse sido presa em flagrante, mesmo que tivesse confessado os crimes, ela não poderia ter sido presa desta forma”, avalia Florindo Poersch.

O empresário Roberto Morais foi liberado 3 dias depois da prisão. Bethania teve o habeas corpus negado. Presa há 1 semana na ala feminina do presídio Francisco d’ Oliveira Conde, dorme cerca de 30 minutos por noite à base de calmantes. O marido Silvio Abílio Lima, que ainda não pode visitar a empresária, afirma que o fato foi um choque para toda a família e que Bethania está muito abalada psicologicamente.

O corregedor-geral de polícia, del. André Monteiro, afirmou ter recebido representação do advogado Ruy Duarte sobre a participação do del. Tiago Fernandes no inquérito policial e que será instaurada após publicação no Diário Oficial do Estado. Nela, consta que o delegado estaria atuando fora de sua jurisdição, teria ligações com a juíza Zenair Bueno, um dos membros da diretoria da Associação Acreana de Esportes Equestres (AAEE) e que seria o suposto alvo de Ana Bethania.
“É do conhecimento da corregedoria esta representação. Assim que publicada no Diário Oficial, será instaurado inquérito. Pelo que acompanhei até agora, há indícios de irregularidades e vamos instaurar sindicância para apurar os fatos”, diz Monteiro.

Entre outros pontos passíveis de questionamento no inquérito, os advogados de Ana Bethania, Roberto Morais, José Lima e Duty (gerente do rancho de Roberto) apresentam um relato da empresa Acredie-sel de que o trator tenha sido sabotado. “O que ocorreu, segundo a empresa, foi a descarga da bateria”, afirma Ruy Duarte lembrando que o relato sobre os pneus furados do trailer teria sido registrada 10 dias depois do ocorrido.

O mesmo teria ocorrido com a perícia no rancho onde teria sido ateado fogo. “Os autos falam por si só”, afirma o advogado. Uma nota divulgada pela organização da Expoacre esclarece que “em nenhum momento houve comunicação de sabotagem ou crimes do gênero à coordenação do evento”. A nota afirma que durante os 9 dias de feira nenhuma reclamação de atos que comprometessem as diversas áreas de evento, “incluindo esta modalidade”, foi relatada.

 

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